Eleições e “pesquisas”

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por Samuel Lima (*)

Não é nova a polêmica sobre o papel das chamadas “pesquisas de opinião” na cena política brasileira. Uma questão, no entanto, precisa ser dirimida antes de refletirmos sobre o tema nas eleições de 2010. O que os institutos como Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus realizam são sondagens, não pesquisas.

Com efeito, pesquisa remete à produção de conhecimento científico, resultado de uma investigação rigorosa, seja qualitativa ou quantitativa, balizada por uma metodologia reconhecida e aceita no universo da ciência. Por outro lado, as sondagens feitas pelos institutos, que se popularizaram através da mídia, são fragmentos do real que historicamente têm sido usadas no jogo político com interesses difusos, raramente conectados à formação da opinião pública.

No cenário das eleições presidenciais, destaco a dança desencontrada de números dos institutos. Em novembro de 2009, pelos dados do Datafolha, José Serra (PSDB) tinha 41% das intenções de voto, enquanto Dilma Rousseff (PT) contava com apenas 8%.

O que mudou radicalmente, em menos de um ano? Talvez o conhecimento mais amplo de que Dilma é a candidata de um presidente que conclui seu mandato com cerca de 80% de aprovação. Esse é o fenômeno político não trabalhado nas sondagens, com a profundidade que pesquisas exigem, e incompreensivelmente ignorado pelos partidos de oposição.

Até os primeiros dias do horário eleitoral gratuito o Datafolha ainda exibia o empate técnico entre Serra (37%) e Dilma (36%), enquanto os demais institutos já captavam o crescimento da candidatura petista: Ibope dava Dilma com 39% e Serra com 34%; Vox Populi trazia Dilma com 41% contra 33% de Serra; e, por fim, o Sensus, no mesmo período, indicava 10 pontos de vantagem para Dilma: 41,6% contra 31,6% de Serra.

O indício mais claro de manipulação envolve o ajuste feito pelo Datafolha: entre 23/07 a 20/08/10. Dilma cresceu 18 pontos percentuais em relação à candidatura Serra. É como se ela tivesse conquistado o “voto” de 24 milhões de pessoas, das quais 12,5 milhões na semana entre 12 a 20 de agosto. Em sua defesa, um dirigente daquele Instituto jurava que o efeito dos três dias de propaganda gratuita (rádio e TV) era o divisor de águas. Nem sob a batuta de Steven Spielberg a candidata Dilma conseguiria tal performance.

A rigor, os dados divulgados pelos institutos continuam carentes de transparência. Há diferenças metodológicas na captação das informações que podem explicar a divergência dos números.

Em suma, as diferenças mais sensíveis são: Datafolha capta 100% das opiniões no chamado “ponto de fluxo” (é urbano, em espaços de grande movimentação das pessoas; não ouve o meio rural); Ibope trabalha com sistema misto: 85% domiciliar (urbano e rural) e 15% em ponto de fluxo; Vox Populi e Sensus fazem 100% domiciliar.

Uma indagação permanece em aberto: qual o poder de influências das sondagens de opinião sobre o voto que será consagrado dia 3 de outubro? Convém ressaltar que os dados destas sondagens configuram importante baliza à formação da opinião pública, aos investimentos que cada candidato recebe de seus financiadores e, nos casos de disputas mais intensas, podem incidir sobre aquele ânimo final do eleitor que, na sabedoria do senso comum, “não gosta de jogar seu voto fora”.

As sondagens acabam balizando a própria cobertura da mídia. A jornalista Susana Singer (ombusdman da Folha de S. Paulo), em debate realizado há poucos dias na Universidade Federal de Santa Catarina, foi categórica: “A candidata Dilma Rousseff está à frente nas pesquisas e por isso deve ser mais investigada pela mídia, sem dúvida”. No afã de ocupar o espaço da oposição (e lhe oferecer manchetes “redondas”), o diário paulista deixa de lado o principal opositor da petista, simplesmente o ex-governador de São Paulo.

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(*) É doutor em Mídia e Teoria do Conhecimento (UFSC, 2005) e docente da FAC/UnB.


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8 Responses to Eleições e “pesquisas”

  • Ho astro só quem sentiu fome, sabe da importâcia de uma bolsa qualquer coisa, agora fique ciente de uma coisa, cambada de vagabunds são aqueles que enriqueceram e enriquecem nas tetas dos governos, estes que nunca trabalharam, fazendo parte de esquemas milhonários, e tambem donos da midia , mudam a verdade, e chamam de vagabundos os pobres coitados que so tem os braços para ganhar a vida, não tem ideias por falta de estudos e alimentação.
    salve o bolsa familia que gerou distribuição de renda, porque pobre compra no quiosque da esquina e rico gasta em paris, Nova Yorque, etc. fora as remersas iegais paa paraiso fiscais e a sonegação de impostos.

  • Na entrevista em que FHC comparou Lula a Mussolini e deu a entender que Lula é líder de uma facção como o Comando Vermelho (vermelho !), o Farol de Alexandria disse também: “política é comunicação” (Valor, pág. A6).

    É uma crítica oblíqua ao Zé Baixaria e a seus jeniais marqueteiros.

    Eles não souberam – segundo o novo Chacrinha dos tucanos – pregar o selo do “mensalão” na testa da Dilma (com a pseudo-crise da Erenice).

    Além disso – supremo erro de comunicação ! -, Zé Baixaria e seus jeniais marqueteiros não souberam “comunicar” os feitos do Grande Governo dele e do Serra.

    O Grande governo dele e do Serra – para ser breve – quebrou o Brasil três vezes, e, como resumiu o Delfim Netto, cometeu a proeza de “vender o patrimônio e aumentar a dívida”.

    Eles são jeniais, os dois, Mestre e discípulo !

    A tese de que a “política é comunicação” não se ancora em autores que o Farol se vangloria de dominar: Maquiavel e Max Weber.

    De Platão e Aristóteles a Fernando Gabeira, ninguém seria capaz de sustentar isso, a sério.

    Isso não passa de reles preconceito.

    É preconceito porque os dois jenios tucanos se consideram acima dos outros.

    Eles sabem mais.

    São mais preparados (para que, não se sabe …).

    Se não os entendem, a culpa é dos outros.

    Eles estão num degrau mais alto, onde não se contaminam (se houver algum risco, passam álcool nas mãos).

    E o Lula, “comunicador”, engrupe as massas com pão – Bolsa Família – e circo – o estádio do Corinthians.

    Lula, é claro, conta com a colaboração de uma facção – provavelmente o Comando Vermelho, do Rio, onde o Gabeira levará tunda retumbante.

    Fazer “Política” é o que o Lula fez em 2010: polarizou a eleição entre ele e o FHC e deu de 10 a 0.

    E Lula fez mais “Política”, ao pendurar o FHC no pescoço do Zé Baixaria.

    E o bobo é o Lula.

    Daqui a 17 dias, o Farol e o Zé Baixaria passarão a ser, como diria o Manuel Bandeira, “poetas municipais”.

    Paulo Henrique Amorim

    1. Tenho visto postarem que o Brasil quebrou tres vezes durante o governo FHC , pelo que sei o Brasil só quebrou uma vez e foi durante o governo do Sarney quando declçarou moratoria a divida externa , fora isso passou por crises semelhantes a que passou o governo atual .

      Quando foi que o Brasil quebrou durante o governo FHC ?

      1. Paulo Henrique Amorim escreveu este texto????? aff…so posso dizer q ele é um “JENIO”….rs

        Incrível como usam nomes de autores conhecidos, na mídia, para se legitimar um texto, onde claramente se vê q não foram os mesmos q escreveram….

  • Me falarao que a DILMA vai fazer ate a bolsa FEIURA alias é a unica bolsa que falta fazer pra essa CAMBADA DE VAGABUNDO que nao faz nada

  • Parabéns Dr. Samuel! Excelente explanação a respeito da importância dada sobre as sondagens de opinião pública que semanalmente são lançadas na mídia para, quem sabe, tentar influenciar no voto de brasileiros menos desinformados. Aproveitando a oportunidade, tive conhecimento de uma estratégia que está sendo utilizada pela candidata do PV a presidência, pode até não dar o resultado esperado mas que foi de uma inteligência incrível, isso foi!

  • Todos que votam em Dilma sabem o tanto que o presidente Lula levantou Brasil. Essa é unica resposta para o favoritismo de Dilma.

    Dilma!!!

    1. Nem que vc sonhe Pedro , a realidade que vivemos hoje começou a ser contruida com Plano Real que trouxe o fim da inflação , que teve como arquiteto e engenheiro FHC e que foi classificado pelo seu Lulla como eleitoreiro , mas a memoria do povo brasileiro ( principalmente petistas ) e fraca.

      Agora coube a Lulla e sua equipe ( incluso ai mensaleiros , portadores de dinheiro em cuecas, sanguessugas e outros aliados com conduta não tão transparente quanto requer a função) levar em frente a politica economica do governo FHC e colher os frutos.

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