Meu voto para prefeito e vereador

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por Anselmo Colares (*)

Nesta chamada “reta final” da campanha política partidária visando as eleições municipais para a escolha, pelo voto popular, dos novos edis e prefeitos em todo o Brasil, somos chamados por nossa consciência coletiva a prestar um pouco mais de atenção aos candidatos, com vistas a fazer nossas escolhas em quem votar.

Tarefa aparentemente fácil. São tantos candidatos, tantas opções. Vejamos o caso de Santarém: são 5 candidatos a prefeito e 379 candidatos a vereador. E só podemos votar para um prefeito e um vereador. Matematicamente é simples. Todavia, esta é uma decisão das mais complexas porque, neste caso, cada um candidato tem em torno de si um conjunto por vezes incalculável de ramificações, acima, abaixo, de todos os lados – inclusive ocultos – e estes são os mais temíveis. Ao escolher um, estamos levando junto com ele uma legião.

Para a Prefeitura, já nos vemos diante do impasse causado pelas composições esdrúxulas que não levam em conta o interesse público, mas tão somente a provável soma de votos para assegurar a vitória nas urnas.

Tais composições depois são motivo de contendas insolúveis, pois desde o anúncio do resultado já se inicia uma disputa pela hegemonia que leva titular e vice a disputar sorrateiramente os espaços de liderança, contaminados pela vaidade e pelo desejo de alçar novos e mais altos voos, pois a carreira política é mais importante que os compromissos assumidos em campanha.

Antes de tecer novas considerações, inclusive sobre o voto para vereador, quero registrar uma opinião sobre a figura do vice-prefeito, e já de antemão o classifico como desnecessário. A meu ver, não há necessidade de um vice permanente, personalizado.

O substituto do prefeito em seus impedimentos poderia ser qualquer um dos secretários municipais, um membro da Câmara de Vereadores, um membro do Poder Judiciário ou até mesmo de outra organização da sociedade, desde que assim a Lei autorizasse e estabelece as regras quanto a suas prerrogativas e impedimentos.

Se assim fosse, estaríamos livres do constrangimento a que somos levados em votar em um candidato que se apresenta como possuidor das qualidades que julgamos merecedoras de nosso apreço, mas cujo vício é portador de defeitos insanáveis. E com o peso do voto, esta figura esdrúxula vai se sentir aprovada politicamente, apesar do comportamento social e ético reprovável.

Quanto a escolha do vereador, a matemática da proporcionalidade com base no cálculo do coeficiente eleitoral faz com que um candidato seja eleito com um número irrisório de votos enquanto outro apesar de conquistar um número expressivo não entre na lista dos representantes do povo.

Ora, se são representantes, como explicar uma situação deste tipo? Simplesmente pela suposta existência da escolha da população pelo projeto ou proposta do Partido Político ao qual se vinculam os candidatos. Ledo engano. A população vota nas pessoas. E não entende e nem se conforma em ver eleito alguém com (400) quatrocentos votos enquanto outro com (5.000) cinco mil não se elege.

Como admitir que o primeiro seja mais qualificado que o segundo para representar o povo? Eis um desafio para ser enfrentado por matemáticos e cientistas políticos. Penso que o sistema proporcional tem a vantagem de oportunizar a partidos pequenos ter uma representação no parlamento, todavia, a eleição de candidatos na sombra de campeões de votos é um atentado a soberania popular.

Portanto, faz-se necessário encontrar uma fórmula que garanta mais justiça no resultado, bem como expresse de forma mais equilibrada a diversidade presente na sociedade.

Para finalizar este texto, volto a tratar sobre a escolha de um candidato, entre tantos que se apresentam para ocupar a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de Santarém. Repito que é uma tarefa complexa e difícil, embora se apresente como simples e fácil. Para prefeito, me vejo diante do seguinte dilema: voto no que tem mais coerência política, porém não demonstra possuir uma equipe com a suficiente competência técnica para gerir a máquina pública municipal? Ou voto em quem se apresenta tecnicamente preparado porém envolto em companhias perniciosas no trato com a coisa pública? Desta forma, me vejo no terrível dilema de escolher o menos ruim, quando gostaria de estar escolhendo o melhor.

Até quando? Oh, Santarém, que te quero tão bem, quando sairás desta armadilha maldita? Quando teremos a chance de fazer uma escolha de coração e alma confiantes?

Quanto ao voto para vereador, no meio de tantos candidatos, vejo muitos velhos e novos conhecidos, alguns até já alcançaram a condição de amigos, e tem outros tantos dos quais não disponho de maiores informações para poder afirmar quem seja digno da condição de depois ser apresentado como representante do povo de Santarém.

Tenho consciência do papel do vereador, como fiscalizador do executivo, como porta voz das inquietações sociais, como propositor de inovações e melhorias no quotidiano da gestão pública municipal. Mas será que os candidatos tem essa consciência a respeito deles próprios? Ou visam tão somente o começo ou a continuidade de uma carreira política, de uma forma de ganho garantida e muito acima da maioria daqueles a quem representam? São estas as dúvidas que me assolam nesta escolha.

Por fim, vou dar algumas pistas dos meus dois votos. Para Prefeito, na minha escolha vai ter muito peso o nome do vice, mas acima de tudo a capacidade do titular em assumir de fato o governo, de forma responsável e ética, de maneira que o vice seja chamado a colaborar, e não a servir de canal de passagem para a corrupção e o desmando.

Quanto ao voto para vereador, começarei pelo Partido, aquele com menor chance de ganhar a Prefeitura, e com maior capacidade de fazer uma oposição atenta e exigente. Um candidato que seja capaz de compreender o seu papel na ação política pública, que tenha discernimento suficiente para analisar, avaliar, fiscalizar os atos do governo, mas ao mesmo tempo seja prudente em suas ações, não se limitando do denuncismo vazio e intransigente dos que nada constroem, mas apenas se deleitam em anunciar o caos. Que tal?

Você acha que vai ser fácil fazer a escolha? Se você concorda comigo que a tarefa não é fácil, termino dizendo que, se eu não identificar candidatos que preencham estes requisitos, não terei dúvidas em anular meu voto. Sou obrigado por lei a votar, mas não sou obrigado a legitimar quem não apresenta as credenciais mínimas para compor estas importantes instituições.

Nos concursos públicos em geral, os candidatos que não estão preparados adequadamente para o que se propõem realizar, devem ser reprovados. Naqueles casos, quando a vaga não for preenchida, se faz novo concurso. E nesse caso, especialmente na escolha de um prefeito? Desconheço. Mas eis uma possibilidade aberta e outra temática para os analistas políticos.

Entendo que ensejaria uma nova eleição, inclusive com a possibilidade de novos candidatos uma vez que aqueles já apresentados haviam sido rejeitados pelo conjunto da população. Anular o voto seria uma medida extrema. Não a defendo. Por isso mesmo, vou acompanhar ainda com mais atenção as propostas dos candidatos nesta reta final de campanha, vou analisar rigorosamente com quem eles andam e quem se esconde por trás deles, enfim, vou me acercar de todos os cuidados possíveis para fazer a melhor escolha tendo em vista os anseios coletivos, mas também em consonância com tudo o que aprendi sobre respeito à coisa pública, e que acredito seja possível colocar em prática.

Santarém, a “Pérola” cobiçada do Tapajós, em 16 de setembro de 2012.

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* Santareno, é professor doutor da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará).


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20 Responses to Meu voto para prefeito e vereador

  • O texto caracteriza-se na figura de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador. Ajuda a nos alertar em relação as grandes corrupções que regem no governo, a dúvida é simples e ao mesmo tempo tão complexa em relação ao voto que acaba deixando as pessoas com a ilusão de votar no candidato menos ruim, o que na verdade deveriam pensar dar seu voto em quem realmente não tem passado sujo(corrupção), como alguns que teriam menos chance de ganhar a eleição! E deixa no ar também qual a real função da figura do Vice-Prefeito, será que a população já parou pra pensar, qual seria o passado dele e quem faz parte da sua família na política? Votar é exercer a cidadania vamos tentar não ser cúmplices de um governo calhorda que pensa apenas em seus interesses públicos.

  • Meu voto para vereador foi fácil de decidir,utilizei a LEI DA FICHA LIMPA,excluir os vereadores que estão candidatos a reeleição e que não fizeram nada,e verifiquei o passado,a relação do candidato com sua familia,com a sociedade e também os seus projetos.CONCLUSÃO: VOTO EM MANOEL DO JARAQUÍ 11012. NESSE VOCÊ PODE CONFIAR!

  • Você bem que poderia se candidatar, pois aprende rápido a utilizar textos que mais parecem códigos para serem decifrados. Fale com clareza, ou não fale nada. Falou muitas toneladas, mas não entendi um grama, e muitos tenho certeza que estão na mesma condição. Todavia, para não parecem tolas e desinformadas acabam tecendo elogios a um texto rebuscado, mas vazio de conteúdo.

    Gostaria que as pessoas aprendessem a escrever de maneira simples e profunda, para que as outras entendam seus pensamentos e possam compartilhar. Mas, o que parece é que escrevem para esconder suas verdadeiras convicções.

    Se não quer que saibam qual seu candidato, se que permanecer em cima do muro, por razões muitas, é só não escrever num espaço aberto.

    1. O texto do Dr. Anselmo é excelente, disse tudo nas entrelinhas. Porém, concordo em parte com o Sr. (a)Curica. A nossa intelectualidade precisa ser mais clara, mais interativa com os leitores, aperfeiçoando alguns comentários, tirando dúvidas, tecendo críticas construtivas, alimentando o debate saúdavel. Mas, a grande maioria prefere o silêncio, e o silêncio dos formadores de opinião me entristece, não estou me referindo somente a este artigo e ao Dr. Anselmo. A minha observação é de uma maneira geral. Há uma parcela de intelectuais, que talvez não participam do debate, pelo medo de serem atingidos em seu pedestal. Isso não é crítica é desabafo!

  • Bem em todas as eleições, meu voto sempre foi no candidato por suas propostas independente de partido. Nesta eleição não será diferente, para Prefeito estou indeciso, não vejo ainda um candidato com Propostas realmente concretas para um melhora de nossa cidade, para vereador vi um candidato que me surpreendeu com seu discurso arrojado e propostas concretas para desenvolver nossa cidade, o conheci pessoalmente e vi seu blogspot, é o Júnior Nascimento veja, http://www.juniornascimento45163.blogspot.com , vou votar neste para vereador.

  • Caro professor acho que o senhor é um tanto desinformado do que seja democracia, o processo eleitoral que temos é um dos mais belos que existe no entanto são os personagens que o compõem que distorcem essa beleza, acredito que não há erro no processo mas sim nos atores, mas vejo mudanças quando encontramos pessoas como Lucineide que entende muito bem qual o papel de cada um e respeita o que é público. O sistema tem regas definidas infelizmente poucos conhecem, quando votamos escolhemos a ideologia de um partido, que é representado por uma pessoa.

  • Antes de decidir meu voto para prefeitura de Santarém, coloquei na balança o que cada cnditato fez pela nossa cidade, a começar pelo 45 que tem 22 anos de vida pulblica, e não ví nada que ele fez pela cidade, outro é o 50 seu partido declarado contra nosso sonho de emancipação tendo sua sensdora contra marinor. 15 seu partido não deu conta de adiminitrar de secretaria de saúde, sendo que Lucineide com 7 anos de vida pulbica fez muito pela nossa educação, por isso eu voto 13, ela sim!!!!!!!!!!,,,,

    1. Não poderemos reclamar pela má administração do nosso candidato, somos cúmplices de sua má gestão.

    2. Realmente, investir em educação é louvável em um país que tenta sair do subdesenvolvimento crônico.A Professora em si seria digna de nosso voto, acontecevque se imiscuiu com pessoas contaminadas pela gestão pífia, companhias altamente periculosas.Você já pensou, acordar e ficar sabendo que seu prefeito é um Osmando, um Maia ou um discípulo do Barbalho? Se ficar o bicho pega,se correr, o bicho come.

  • Caro Professor Doutor Anselmo Colares, seu texto pode ser facilmente aplicado em qualquer cidade do Brasil. em geral, esse é o dilema do brasileiro. Não consegui “adivinhar” quem é seu candidato a prefeito. Sem querer desmerecer, não pude visualizar o nome do vice que fará sua balança pender. Um detalhe que poderia ser levado em conta na reforma política aventada pela Sra. Maralice, seria o voto para vice, pois é uma aberração termos como substituto como vice alguém que não recebeu sequer um voto. Penso também que nessa reforma deveria ser incluído a não remuneração para vereador, como existe em alguns países e como expõe o Sr.Milton Mauer. De pronto nos livraríamos desse enxame de candidatos e ficaríamos somente com os que realmente têm espírito público. TAPAJOARAMENTE AZUL,

    1. Complementando: Não consegui visualizar candidato com uma “equipe com a suficiente competência técnica”, eis que os candidatos não apresentam previamente sua equipe e sequer dizem se manterão as secretarias ou até se criarão outras. Essa história de experiência é relativa pois nem sempre experiência ajuda, além do que todos um dia fomos inexperientes e consseguimos vencer os desafios. Penso que às vezes uma mudança radical faz muito bem. Uma forma de desestabilizar para pegar os ingredientes e fazer um novo bolo com uma nova receita. TAPAJOARAMENTE AZUL,

  • Vice-Prefeito, à sombra do candidato Titular está esse candidato com ar angelical e alma demoníaca esperando o momento certo de travestis-se em uma ave de rapina da coisa pública com suas garras afiadíssimas para alimentar seus filhotes que estão à espreita.O panorama que se apresenta na eleição para gestor mor é assaz preocupante e fatalmente concretizar-se-à, teremos um vice qua a todos nos preocupará, é inexorável.Deixa-nos estarrecidos a maneira pela qual eleitor que tem parente candidata a vereador fica declarando: se um vice tem tentáculos demoníacos o outro tem intenções luciferianas,dando a entender que o primeiro é melhor para ser eleito.Estamos numa Democracia plena,mas respeitar opiniões dêste teor deixa-nos descrentes ,ainda mais, com os nossos futuros dirigentes.Depois ficamos a reclamar dos desmandos administrativos do município onde seremos altamente cúmplices de tudo o que acontecer no governo.Que Deus ilumine nossas consciências!!!!!!

  • Parabéns ao autor, um bom texto para reflexão.
    Gostaria de acrescentar a hipótese de que para ser candidato, o político seja obrigado por lei a, se eleito, só usar serviços públicos. Por exemplo: seus filhos estudariam em escola pública, ele e sua família só poderiam usar transporte público para ir ao trabalho, se precisarem de serviços de saúde, que só poderiam usar o SUS, teriam que residir em uma dessas casas do “nossa casa, nossa vida”, aposentadoria pelo teto do INSS, e por aí vai…
    Utopia? não sei… mas que seria bom, seria!

  • Meu caro professor Anselmo Colares, suas ponderações são válidas, pois com tantos candidatos nestas eleições, certamente ainda há eleitor sem candidato, sobretudo, quando se trata de vereador. Mas também é fato que muita gente já se decidiu, principalmente em se tratando de prefeito. Confesso que logo no início da campanha eu estava indeciso entre Mário Pinto e Lucineide Pinheiro, mas tive o cuidado de analisar bem cada um deles e decidi votar na professora Lucineide, pois é quem mais me passa confiança. Já para vereador, a escolha realmente foi mais difícil, mas também optei por um candidato ligado à educação, o pedagogo Dayan Serique. Fácil não foi, mas tenho cereteza minha escolha foi certa.

  • Sua análise cai perfeitamente ao CALANGO DO SERTÃO (FILHO DO CANGACEIRO MAMADOR DA PMS), candidato a vice por uma certa coligação que está pretensa a continuar com os desmandos no município.
    Este CALANGO, já com seus trinta e tantos anos , além de ter sido vereador eleito (escondendo suas origens e as custas do dinheiro público surrupiado pelo cangaceiro mor .) Por favor me digam se puderem aonde esse CALANGO DO NORDESTE já trabalhou para o seu próprio sustento ???????????

    1. E a outra vice do BOM-BA??? Educação onde ela ficou aconteceu o maior desvio de verba na política de Santarém???
      E o próprio BOM-Ba?? 4 ano como Secretário do Rui Correa na Agricultura e 8 como vice qual foi seu papel???

  • Caro professor Anselmo. Nesse caminhar democrático do voto, da esperança e da renovação das lideranças políticas, comungo com a sua preocupação em relação a escolha daqueles ”melhores” gestores, para prefeito e vereador. Todavia, o sucesso da melhor escolha não perpassa apenas pela consciência individual, e sim pela consciência das massas populares.
    Em Manaus, Santarém e Brasil afora, vivenciamos o mesmo dilema. Interessante as considerações que o nobre professor tece a respeito da figura do vice-prefeito. Na Manaus, que resido, irei escolher o candidato a prefeito pelas qualidades de seu vice, parece um tanto paradoxo…mas é o caminhar político.
    Escolha difícil por essa Amazônia é para vereador com muita quantidade e pouca qualidade, que deixa nítido o anseio pessoal, e o desconhecimento do importante papel de fiscalizador social, que cada vereador deve exercer.
    Acredito que uma reforma política, com novas regras facilitariam as nossas escolhas.

  • Além de eliminar a figura do vice, os vereadores não deveriam ser remunerados pela função. Os candidatos a vereadores são os “Agostinhos” da família.

    1. Vou mais longe que o Milton Mauer: deputados, senadores, prefeitos e governadores também não deveriam ser remunerados pela função. Todos deveriam servir à sociedade e não dela se servir. Aí a gente veria quem é que tem mesmo espírito público…

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