por Paulo Paixão (*)

Num domingo (17 de janeiro), mais uma vez, nós, amigos santarenos, nos reunimos na chácara do meu irmão Nicolau Paixão – um recanto onde não só o canto dos pássaros se faz ouvir como também o canto de músicos e poetas paraenses é divinamente saboreado, localizada num condomínio ecológico aos arredores da cidade de Santa Izabel (a um passo de Belém).

Pois bem, neste referido domingo tivemos a grata satisfação de contar com a ilustre presença da professora e declamadora de poesia, a santarena Sandra Paixão, nossa irmã única.

Tornou-se um fim-de-semana daqueles divertidíssimos, quando nos sentimos felizes, como se estivéramos em um autêntico sarau tapajoara (se não fosse o fato de estarmos em plena luz do dia). Sandra, obviamente, declamou poesias acompanhada pelos belos acordes de violão executados pelo mestre Nicolau Paixão… Nem precisava dizer…, mas, também, rolou cantorias, cerveja, peixada (o limão e a pimenta malagueta apanhávamos direto das plantas, bem ao lado do pátio) , piadas, etc.

Sandra nos relembrou tantos casos vividos em Santarém do passado, principalmente, os relacionados a músicos, personagens folclóricas da vida santarena e outros. Foi, então, que ela recordou dos bons tempos do grupo musical paraense “Canto de Várzea”. Ah, o canto de várzea…

Perguntei-lhe:
– Mana, como surgiu a denominação? – respondeu, franzindo os sobrolhos:

– Foi numa cervejada regada a violão e cantoria (como sempre) na casa do Sabá.

– Quem participou?

– O Beto, o Nicolau, o Jefferson Rocha. São os que, no momento, recordo. A denominação partiu de um sorteio. Cada participante escrevia um nome num papel. Venceu o escolhido pelo grupo, que foi “Canto de Várzea”.

Atalhei:
– Nome sugestivo, pois, arremete a um viés bem característico da nossa região, além de que sugere um estilo próprio, genuinamente amazônida.

Continuamos nossa alegre conversa enchendo a mana de perguntas:

– Onde se deu a primeira apresentação e como fora composto o grupo?

– Aconteceu na sede do São Francisco, no início da década de oitenta (80). O grupo se apresentou com marreta na bateria, Malá no baixo, Jefferson no violão (solo), Nicolau no violão (base), Edson no teclado e Beto Paixão (voz), Sandra Paixão (voz), Emirzinho (voz) e Mariano (voz). Nesse início as composições eram de autoria do Nilson, Beto e Everaldinho.

Prosseguiu a Sandra, após uns segundos de reflexão:

– Mas para que isso acontecesse tivemos que vencer inúmeros obstáculos. Instrumentos? Conseguimos com o Marreta. Recebemos apoio logístico da Funerária São João, do tio Bianor Carneiro, e do amigo Nelson Pantoja, Rolinha, Frota e a saudosa Enilda (Lima). Outros foram e são incansáveis por sua colaboração, incentivo, admiração, como o nosso amigo Rolinha, o parceiro Floriano, o Jefferson Brasil (cantor), Edite Branco, o Nilson…

Bem, como todos sabemos, a partir de então, o grupo fincou suas raízes, amadureceu, deu seus frutos e fez história. A Sandra ainda acrescentou, (o que foi confirmado pelo Nicolau) que o grupo fundador (a bem dizer) tinha um fã-clube fiel e bastante colaborador. É bom citá-lo: Mauro Nascimento, Juarez “testa de bode”, a grande Socorro Bendelack, Baiana (Eliene) e sua irmã Baianinha (Eunice), Dona Grácil e outros tantos…

A casa de campo do Nicolau é bastante simples, como simples é sua pessoa, porém, um exemplo de edificação que prima pela harmonia com a natureza, rica em detalhes artísticos e de sugestiva decoração. É o estilo desejável de casa poética em que os visitantes se sentem na Pérola do Tapajós, em amplo sentido.

O prazer se redobra quando recebemos visitantes da terrinha, pois nossos conterrâneos, sem exceção, além de serem pessoas humildes e inteligentes, normalmente, podem ser poetas, músicos, escritores, humoristas, pintores, enfim, artistas que amam e idolatram com razão a terra de sonhos e de beleza e podem nos transportar, num repente, para o mundo encantado da fascinação, matando-nos a saudade e nos presenteando com um fim-de-semana diferente, prazenteiro e inesquecível!

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* Santareno, é poeta e escritor santareno.

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5 Comentários em: O Canto de Várzea

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  • ANTONIO AMARAL disse:

    NÃO SOU POETA, NÃO SOU MÚSICO, NÃO SOU ESCRITOR, NEM HUMORISTA. TAMPOUCO PINTOR, HOJE NÃO PASSO DE UM SIMPLES VAGABUNDO, QUE ULTIMAMENTE TEM A MANIA E O PRIVILÉGIO DE ACOMPANHAR TUDO O QUE ESSE “CARA” ESCREVE, NÃO MORO NA PÉROLA DO TAPAJÓS MAS ME ESCONDO EM OUTRA PÉROLA, À DO ATLÂNTICO, OBRIGADO POETA, POR SEMPRE ME LEMBRAR DAS MINHAS ORIGENS. QUE DEUS O ABENÇOE SEMPRE, FELIZ 2011 À TODA A FAMÍLIA PAIXÃO.

  • fatima miléo disse:

    meninos ,sou fafá..estava lendo e sentí saudades dos nossos encontros do pedro teixeira,..beto, nicolau, mno mário, barata, lembram?? alí começávamos a trilhar os primeiros caminhos da poesia e os primeiros acordes..gostaria de reencontrá-los..um grande bjo!

    1. Well disse:

      Realmente, os velhos tempos e os belos dias…ficam guardados para sempre.

      Lí o texto também após uma busca sobre Oriximiná, e encontro voce.

      Participei também um pouco destes primeiros acordes.

      Valeu a pena!!

      Um beijo afetuoso.

      1. fatima mileo disse:

        achei….realmente, você é parte inteira dessa época..cheirimm

  • Gil Serique disse:

    Que poesia. gostosa, e gostosa de ler.