por Caetano Scannavino Filho (*)
Santarém, 12 de dezembro de 2011 – Com o encerramento às 17h de ontem da consulta popular sobre a divisão do Pará e o inicio do processo de apuração com o “NÃO” largando na frente – como previsto já que as urnas da capital foram as primeiras a serem abertas – somente hoje com a contabilização dos votos do interior pode-se afirmar de forma oficial que o resultado do plebiscito é…
(1) “NÃO”:
Divisão não aprovada após meses de embate apaixonado pró e contra como uma final de campeonato, com emoções a flor da pele entre regiões que de certa forma já vivem separadas, o que fazer no dia seguinte ao plebiscito?
Nada. O melhor é tomar um banho nas praias do Tapajós, Tocantins ou de Mosqueiro, evitando manifestações ainda no calor da disputa que possam aguçar ainda mais a rixa entre os Parás, como os vitoriosos humilhando os derrotados e estes, não reconhecendo o resultado das urnas. Alimentar ódios entre irmãos será um ato no mínimo irresponsável e inconseqüente.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Mas passado este dia para esfriar a cabeça, no amanhã o processo tem que ser retomado com todas as forças. Negar o Estado não pode significar negar o problema, que continua e não se resolverá tampouco se esgotará com a mera realização do plebiscito que resultou na manutenção das fronteiras paraenses.
A disputa em questão vai além do perder ou ganhar. É um assunto muito mais sério do que uma partida de futebol (sem querer desmerecer essa paixão nacional), que diz respeito as condições de vida de milhões de paraenses, o que exigirá de todos – principalmente dos que optaram pelo não – a união em torno da responsabilidade solidária na busca por soluções mais permanentes e definitivas às problemáticas que justificaram o clamor das populações do interior do Estado pela emancipação. Responsabilidade esta também do Brasil, não apenas dos paraenses.
Portanto, a luta continua…
(2) “SIM”:
Depois do debate acalorado e aprovada a divisão do Pará, o que fazer no dia seguinte? O banho de rio continua recomendado para recuperar as energias diante dos grandes desafios que virão no amanhã.
Energias essas fundamentais, de imediato, porque, ao contrário do que muitos imaginam, o “sim” das urnas não é garantia de criação dos novos estados, já que trata apenas de uma consulta popular por vias plebiscitárias – como afirma o próprio autor do projeto no Congresso, senador Morazildo Cavalcanti.
Isto quer dizer que, ocorrido o plebiscito, o assunto sai do Pará e vai para o Brasil, representado pelo seu parlamento. Eis uma razão a mais para levar desde já o debate para o âmbito nacional.
Em seguida, se consumada a divisão do Pará pelo Congresso, novas energias se farão necessárias porque inicia-se um novo ciclo de debates, mais regionalizado entre os atores residentes de cada uma das áreas desmembradas, que vai ser definir com mais concretude o estado que queremos.
Inevitavelmente, o quadro de união que se viu entre os tapajônicos ou carajaenses no período pré-plebiscitário mudará, dando lugar às visões múltiplas e embates locais na construção do “DNA” de cada uma destas embrionárias unidades federativas, a começar pelo processo de elaboração da nova Constituição Estadual.
Há vários caminhos para isso. Talvez por ser menos trabalhoso e tão cômodo como fazer um “copiar-e-colar”, alguns vão querer apenas replicar de forma automática o processo ocorrido no século passado quando foram criados novos estados.
Mas porque não arregaçar as mangas e construir algo moderno, digno do Terceiro Milênio. Ao invés do “mais do mesmo” ou de importar modelos prontos do sul – hoje admitidos como insustentáveis e com prazo de validade – pode-se vislumbrar o inverso, aproveitando as boas experiências de fora, mas criando algo próprio e adequado as identidades, vocações e diversidades socioculturais da região, que poderão inclusive servir como referencia para os demais entes federativos do país.
E condições para isso seriam mais do que favoráveis e oportunas. Primeiro, porque poderá contar com ampla participação da sociedade, diferentemente das experiências anteriores, que aconteceram durante o regime militar ou logo em seguida à democratização do País, quando a sociedade civil não estava ainda tão organizada e estruturada como nos tempos atuais.
Segundo, pelo fato da responsabilidade fiscal estar arraigada na população – traumatizada depois de décadas convivendo com alta inflação – o que facilita a planificação de uma estrutura estatal menos custosa, mais otimizada, eficiente e eficaz.
E terceiro, pela inclusão dos princípios da sustentabilidade ambiental – não tão evidente até 20 anos atrás e que veio para ficar, sobretudo em se tratando de Amazonia – podendo configurar a Carta do novo Estado como a primeira Constituição verde do país.
Pelo SIM ou pelo NÃO, a luta continua…
– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
* Reside em Santarém. É coordenador da ONG Projeto Saúde & Alegria.
Pelo sim ou pelo não, votemos SIM À DIVISÃO.
Meu amigo Nelson, não tenho como discordar dos trechos de realismo do seu comentário. Apenas postei um artigo me dando o direito de sonhar, mesmo com uma certa dose de ingenuidade. Sem sonhos, fica difícil acordar no dia seguinte.
Quando se cria um Estado, umas das primeiras coisas a fazer é sua constituição – além da que rege a Nação – que prevê a flexibilização necessária para atender as especificidades daquela determinada região, desde que não se contraponha a Carta Magna nacional.
Repasso um link para a iniciativa que está acontecendo na Islandia, um país de gelo que derreteu com a crise econômica de 2008 e vive agora um momento praticamente de refundação, reconstruindo sua Constituicão com a participação massiva da população através da internet.
Link: https://colunas.epoca.globo.com/ofiltro/2011/06/09/na-islandia-a-constituicao-e-feita-pela-internet/
Não que isso seja possível por aqui desta maneira, mesmo porque a exclusão digital permanece alta no Tapajos, mas isto não impede de encontrarmos caminhos para fortalecer a participação da sociedade. São novos tempos, porque então já se conformar às velhas idéias?
Há dois anos, quem imaginava que algo assim iria acontecer na Islândia? Sem sonhos, não se constrói uma sociedade. Forte abraço!
É bem verdade, nós já estamos separados há muitos anos chega.
NÓS VOTAMOS SIMMMMMMMM.
Se o SIM passar, a gente faz uma campanha nacional para a Dilma vetar essa pouca-vergonhice. E ainda ameaça: caso sancione, perde a maior parte dos votos do Pará (inclusive o meu, que votei nela nos 2 turnos).
VAMOS VER SE ELA VAI PREFERIR 1 MILHÃO DE VOTOS DE CARAJÁS E TAPAJÓS OU 2,5 MILHÕES DO PARÁ LITORÂNEO!
o que foi isso? um plágio americano do filme O Dia Seguinte (The Day After)?
Você já imaginou o que aconteceria se os EUA e a União Soviética tivessem desencadeado a guerra nuclear? O diretor Nicholas Meyer imaginou. Responsável pelos dois melhores filmes de Jornada nas Estrelas (as partes II e VI), Meyer construiu em O Dia Seguinte um clássico controverso e impressionante que marcou os anos 80. Agora, em versão totalmente remasterizada, a superprodução que tirou a ficção científica do espaço e colocou os humanos e não marcianos como a grande ameaça está de volta. E mais chocante do que nunca.
Telma
Interessante a colocação do autor do artígo. Legal imaginar como será se, enfim, o NÃO vencer. Não será fácil virar essa página ( como já foi dito aq no blog, seja qual for o resultado). Talvez seja essa uma oportunidade de ouro para praticarmos a tal democracia. Mas também será fundamental estar preparado pra qualquer resultado. Acredito que o projeto posto em votação deve, antes de mais nada, ser mais forte que um resultado negativo nas urnas. Acho mesmo que se tudo der errado, ainda assim estaremos amis fortes. Mas isso é assunto pra depois. Espero mesmo que nem seja!
Meu caro, Nelson Vinente todos somos a favor da criação dos Novos Estados por motivo diversos. Alguns mais com motivos mais pragmático, outros mais ideológicos, porém todos com um sentimento de que a criação futura tende a melhorar o que hoje não está bom.
Peço-te apenas que substimes a população, seja de que estado for. Não seres iluminado que fora da fora da gaverna assistem ignorantes vendo sombras e pensando que elas são o objeto que pretendem conhecer.
Pensar assim, é um exercício desnecessário de arrogância intelectual e revelador de preconceito que não pode ser aceito.
A criação dos novos estados é sim bela oportunidade para que se possa construir uma nova engenharia institucional. Oportundidade para que erros do passado possam ser evitados.
Temos de pensar assim, do contrário não valeria luta alguma. Se não acreditarmos. Ser pragmático é uma coisa; ser reacionário é outra completamente diferente.
Vamos todos juntos em busca do Tapajós, do futuro e de uma socidade não apenas com menos injustiças, porque uma sociedade com menos injustiças é somente uma socidade ainda injusta melhorada.
Claro, não conseguiremos isso somente com a criação de um novos estado, mas sua criação também de ser encara um meio para isso.
J Neto, que deve ser João Neto, sinceramente não entendi patavina do que escreveste, me pareceu muito rebuscado e intelectual para meu pensamento tosco, rs. Não quero subestimar e nem ficar buscando palavras difíceis para explicar o que é simples. Qualquer estado que se crie de ponta a ponta deste país, vão ser todos iguais, nascerão com os mesmos problemas sociais, exatamente por isso que há o anseio de se criá-los. Não sou contra o sonho de ninguém, sou a favor da criação de qualquer estado neste país, de qualquer povo, de qualquer movimento contra qualquer governo que não esteja se comportando bem, entendeu? Então não estou nem aí, do Tapajós sou a favor, do Carajás sou a favor, do Triangulo Mineiro também, um estado de viados, de sapatão, de qualquer coisa eu estou apoiando, tá mano. O importante é que se crie, tanto faz nascer torto, entendeu? Agora sem viagem, com os pés no chão, só isso.
Caetano meu amigo Escannavino, lendo teu texto me deixou uma leve impressão de que confundiste a criação de um Estado, com a de um país. Penso que devemos olhar as coisas como realmente são: se o ‘SIM’ passar, certamente todos os aproveitadores deste Brasil oportunista, inclusive os paraenses que hoje estão contra, vão ser a favor da criação. Então pode apostar que deve sair muito rápido a definição sobre os novos estados em Brasília. Não se iluda com o fato da criação, não vamos ser exemplo coisíssima nenhuma para ninguém, vamos nascer um Estado de burros e mal educados, e desassistidos, como surgiria em qualquer parte do Brasil, com todos os problemas sociais que são característicos do momento em que atravessamos hoje. Projetar um estado verde, deve ser tarefa para a Secretaria de Meio Ambiente do novo Estado. De início nossa luta vai ser instalar a burocracia estatal, e isso deve levar entre cinco a dez anos. Esta é a realidade, caso ocorra que o ‘SIM’ vença, e pode ter certeza que centenas de paraenses da capital, vão estar aqui atrás de oportunidades, então Santarém e região vai virar um inferno, um grande BUM! Caso o ‘NÃO’ leve a melhor, deve fortalecer o poder de abandono dos de Belém sobre nossa região, eles sempre aparecem por aqui com um ar de superioridade, depois, caso ocorra a vitória, nós deveremos admitir que eles são superiores, mais espertalhões do que pensávamos. Um novo estado deve ser percebido por nós, de início, como vantagem geográfica de socorro, é claro que vai encurtar a distancia entre os prefeitos da região e o governador, pois isso é um problema sério e sem solução do imenso Pará. É simples: uma bomba d’água da Cosanpa que hoje demora um mês para chegar em Santarém, deve sair de Santarém e chegar em Terra Santa, por exemplo, em uma semana. Agora observe comigo, a discussão parece que é da criação de dois países chamados de Tapajós e Carajás e não é nada disso, é apenas uma tentativa desesperada de trazer o governo mais para perto da população, é só isso que queremos. O ‘NÃO’ vencendo, os do contra não devem jamais reclamar de nada, se por um acaso eu chegar a presenciar alguém que votou contra reclamando de abandono dos governos de Belém, vou me indignar, a chance de acabar com isso é agora.
Nelson Vinencci