por Karlisson Eder da Cunha Lima (*)
Folhear os “guias médicos” dos planos de saúde e procurar especialistas “focais” para tratar uma doença é uma decisão perigosa, que custa caro, e que gera insatisfação de muitos pacientes.
O doente que busca a “focalização do atendimento médico” em vários especialistas pode acabar sendo vítima de uma iatrogênia medicamentosa. Sem contar na possibilidade de realizar múltiplos exames perigosos e muitas vezes desnecessários.
Quando adoecemos, o correto é primeiramente procurar um médico que entenda do ser humano por COMPLETO, e não em parte dele.
Mas infelizmente os “guias de plano de saúde” apresentam inúmeros especialistas “focais”, que estão preparados para atender doenças de uma área especifica.
O paciente chega a ir em 3 médicos diferentes, achando que sua doença é para determinado especialista, mas na verdade é atribuição resolutiva de outro especialista.
Por conta desta realidade, as operadoras de Saúde muitas vezes se tornaram insustentáveis do ponto de vista financeiro, e acreditasse que essa é uma das razões de suas falências econômicas.
Basta imaginar que um hipertenso, com problemas de coluna e que sofre de depressão, precisa ir obrigatoriamente ao médico de “coração”, ao médico de “osso” e ao médico da “cabeça” para ter atendimento das 3 doenças que padece.
Por incrível que pareça, essa panorama esta sendo copiado erroneamente por alguns usuários do SUS.
Em muitos municípios observa-se que o “guia médico do plano de saúde” é na verdade os postos de saúde, e a decisão de ir aos especialistas “focais” parte da insistência de alguns pacientes em quererem ser encaminhados.
Tudo isso associado a um treinamento inadequado de alguns profissionais que trabalham nesses locais.
Por isso que o médico ESPECIALISTA em Medicina de Família é cada vez mais requisitado pelos planos de saúde, e recentemente vem sendo inseridos nos “guias médicos” de algumas operadoras.
O Médico de Família possui treinamento na resolução de diversas patologias frequentes e complexas, atendendo com qualidade os vários grupos populacionais como idosos, gravidas, adultos, crianças e pessoas com doença mental.
Grandes empresas de saúde entenderam a necessidade de ter esse especialista que cuide do ser humano por COMPLETO e não somente parte dele.
Pacientes com múltiplas patologias podem e devem ser cuidados pelo Médico de Família. Assim, gasta-se menos tempo no tratamento das doenças, proporcionado cuidados centrados na pessoa. Assim evitando encaminhamentos desnecessários que geram colapsos financeiros nos sistemas públicos e privados.
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* Santareno, é médico especialista em Medicina da Família.
Ainda não. Existe em Belém, Fortaleza, Minas SP e Sul do Brasil. Ontem estive na Unimed com o Dr. Yudi ( Um dos maiores nomes da Medicina de Família do Pará) e explicou a proposta para a operadora daqui. Acredito que em breve existira uma projeto piloto aqui.
Por enquanto a Atenção Primaria em Saúde somente é feita no SUS e jamais podemos desistir dele, pois ainda acreditamos nele.
Abs!!
Olá Karlisson, sou Médico de Família e Comunidade e estou trabalhando na Rede Amil no rio de Janeiro como médico de família. A Amil está com um projeto incrível de Atenção Primária, ja estamos há quase 1 ano em São Paulo e há 06 meses no rio de janeiro. Nós somos o futuro da Medicina!
Caro Karlisson, uma pergunta se impõe, para o meu esclarecimento, a propósito do tu artigo.
– O clínico geral não se confunde com o médico especialista em Medicina da Família, certo? O que os diferencia?
– Por que as prefeituras não investem mais agressivamente na contratação de especialistas em Medicina da Família?
– Por que no SUS é ainda rarefeita a presença de especialistas em Medicina da Família, ainda que no sistema haja programas como PSF?
Oi Jeso, primeiramente agradeço pela publicação do texto.
Vou esclarecer as suas dúvidas.
– O clínico geral não se confunde com o médico especialista em Medicina da Família, certo? O que os diferencia?
R: Clinico Geral é conhecido por muitos como um médico “Generalista”, sem especialização, ou somente com os conhecimentos da Graduação. O especialista em Medicina de Família possui um treinamento especifico em Atenção Primária em Saúde ( PSFs, Unidades Básicas e etc..)
O Médico de família é um Clinico, porém, ESPECIALIZADO, que maneja até ate 90% dos problemas de saúde mais frequentes de uma comunidade, seja em adultos, gravidas, crianças, idosos e pessoas com problemas mentais.
– Por que as prefeituras não investem mais agressivamente na contratação de especialistas em Medicina da Família?
R: Por falta de conhecimento de gestão relacionado à contratação de médicos.
Muitos secretários de saúde acham que o trabalho do Médico de Família pode ser substituído por qualquer médico. Seja este “recém formado” que esta esperando passar na residência , ou seja ele um “médico generalista” que esta aguardando um emprego melhor, ou seja ele um “médico aposentado” que necessita de um trabalho mais “tranquilo” fora do hospital.
Na verdade, trabalhar na Atenção Primaria exige conhecimentos profundos e complexos do Médico de Família. Quando alguém sem treinamento se propõe a trabalhar na atenção primária, o resultado poderá ser um colapso de saúde publica, caracterizado por encaminhamentos desnecessários, exames inapropriados, baixa resolutividade na condução das doenças, tratamentos incoerentes e a insatisfação dos usuários do SUS.
– Por que no SUS é ainda rarefeita a presença de especialistas em Medicina da Família, ainda que no sistema haja programas como PSF?
R: por 02 razoes
1) Os PSFs são gerenciados por municípios. Estas prefeituras na sua maioria são pobres, sem condições financeiras de oferecerem bons salários, concursos, plano de carreira ou vantagens trabalhistas dignas ao Médico de Família. Alguns desses lugares não conseguem boa estrutura física dos postos de saúde, evidenciados pela falta de medicamentos, exames básicos, equipe multiprofissional e etc.
Essa realidade desestimula os candidatos a futuros Médicos de Família. Eles desistem da especialidade, e acabam escolhendo profissões com melhor retorno financeiro como, por exemplo, a Cirurgia Plástica. Outros candidatos escolhem especialidades que oferecem melhores condições para trabalho fora do SUS como por exemplo a Dermatologia.
2) PSF ainda é visto como trabalho “ provisório” e “temporários” devido as razões acima citadas. Isso gera uma grande rotatividade dos médicos nos postos de Saúde. É impossível conseguir profissionais dispostos a FIXAR-SE no PSF.
Na Europa, Canadá e em alguns estados do Brasil como Santa Catarina, os governos oferecem excelentes condições de trabalho para a Atenção Primaria em Saúde ( PSFs). O Médico de família geralmente possui os melhores salários do município, quando comparado com outros especialistas. Os governantes destes lugares entenderam que o posto de saúde BEM EQUIPADO e com pessoas especializadas, pode economizar milhões em gastos hospitalares, pois se evita encaminhamentos desnecessários, exames caros e superlotação das emergências.
Essa é a nova tendência para qualidade de Saúde. Estamos lutando para nossa região fazer parte dela.
Obrigado, doutor.E parabéns pela luta em prol que travas para dar mais visibilidade ao médico especialista em Saúde da Família.
Eu que agradeço por você nos oferecer o espaço para esclarecermos a população.
Jeso, você sabia que serviços atuais dos Planos de Saúde estão condenados ao fracasso? Mesmo pagando 1000 reais de mensalidade, as cooperativas ainda possuem prejuízos milionários?
Pensando nisso que criou-se uma modalidade de prestação de serviços por parte dos planos de saúde que é a “Atenção Primaria”. O usuário paga uma mensalidade média de 50 -80 reais e tem uma vinculação com Médico de Família e serviços básicos. Somente é encaminhado a outros especialistas quando PRECISO. Faz Tomografia e Ressonância quando NECESSÁRIO. Em alguns estados as Operadoras deixaram de vender o plano “tradicional” e agora somente vendem o plano ” Atenção Primaria”.
Não sabia. Bem interessante. Aqui em Santarém tem alguma operadora que oferece esse tipo de plano?