por Helvécio Santos (*)
Não erro se disser que poucos eleitores têm o entendimento de que o voto é uma arma mortal, tanto para o povo quanto para o político.
Se esse fosse o entendimento, não teríamos enxurradas de políticos profissionais que nada fazem durante seu mandato e se reelegem seguidamente ou, quando derrotados, passam um tempo na “muda”, depois retornam à disputa e, não raras vezes, voltam à ribalta.
Quando em roda de amigos alguém comenta de políticos ineficazes ou corruptos, pergunto em quem votaram e, é comum, muitos não saberem ou não lembrarem.
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A única forma de um candidato ser “ungido” é através do voto. Prefeitos, vereadores, deputados, senadores, presidente da República só chegam lá porque têm maioria de votos nas urnas que são abastecidas pelos eleitores.
Quem coloca o candidato em determinado lugar da vida pública é o povo, razão da assertiva, “cada povo tem o dirigente que merece”.
Nesta apertada síntese dá pra perceber a importância do voto. Ele define nosso futuro, donde se pode afirmar que está roubando a si mesmo quem troca o voto por sandália, dentadura, meia dúzia de tijolo, dois sacos de cimento, um “cabidinho” no gabinete ou qualquer outro “caraminguá”.
Aliás, dizer que o eleitor que faz essa negociata está roubando, é pouco! Literalmente está se matando e matando os outros, pois o candidato que dá “presentes” nada fará se eleito, a não ser recuperar o dinheiro gasto na campanha e nos “presentes”, além de somar um “poucão” a seu patrimônio, desviando dinheiro que deveria atender aos interesses e necessidades da coletividade.
Nesse cenário de negociata o eleitor mata-se bebendo água que não é tratada, convivendo com esgoto a céu aberto, pisando no lixo jogado aos quatro cantos, avermelhando nos 50º centígrados à sombra. Mata também seus filhos que não têm sistema de saúde à altura das necessidades, não têm professores pagos à altura, não têm material escolar e nem uma merenda decente, isso quanto há merenda, não têm opções de lazer e vivem como se a vida fosse extensão de barrigas cheias de verme e nariz escorrendo.
Nesta altura é importante esclarecer: o desvio que falo é o da verba recolhida aos cofres públicos em forma de imposto pago pelo cidadão e, diga-se, até mesmo os que não trabalham pagam o dito imposto que vem embutido em todos os produtos.
Logo, não há inverdade ou exagero em afirmar que o político corrupto é um ladrão do povo e votar em ladrão é abreviar a própria morte pois este político levará o eleitor que não pertence à curriola, à miséria.
Como só através do voto o candidato chega a cargo eletivo, o voto é a sentença de vida ou de morte do mau político. Assim, não votar nele é a arma para eliminar este tipo nocivo que enriquece às custas do povo, superfaturando obras ou fazendo outras maracutaias.
Mas há um longo caminho até que esse entendimento seja consolidado. Muita água ainda irá rolar até que o eleitor entenda que, por exemplo, um “empreguinho” por quatro anos em troca do voto comprometerá uma vida, tanto sua, quanto dos seus.
Determinada vez li num meio de comunicação santareno um cidadão dizer que teria que defender determinado vereador, pois era quem pagava seu salário e ele era fiel ao patrão. Por óbvio, ao vereador dava (?) seu voto.
Não conheço pessoalmente o cidadão, mas admiro seus textos poéticos.
Embora continue admirar seus textos, perdi um pouco do entusiasmo que me conduziria quando o encontrasse.
Considerando que na nossa “democracia” o voto é obrigatório, se uma pessoa antenada, que circula nas rodas da inteligência santarena pensa assim, o que pensará aquele eleitor que mal e porcamente sabe rabiscar seu nome?
Vereador nenhum, ou melhor, político nenhum, nem em Santarém e nem em qualquer outro município ou estado, tira “algum” do bolso para pagar salário de assessor. Às vezes não tira do bolso nem para pagar empregado doméstico, pois se tornou público o caso de uma governadora do Nordeste que tinha em casa um serviçal que recebia pela folha do Senado.
Os vereadores recebem verba de gabinete e com esta verba remuneram os assessores. Esta verba faz parte do orçamento do legislativo e é repassada pela Prefeitura. Como as prefeituras se “alimentam” dos tributos e taxas pagos pela população e a grana que o dito cidadão recebia ou recebe, era verba de gabinete repassada pela Prefeitura, portanto, dinheiro do povo.
Há uma máxima em economia que diz que aquele que paga é o patrão. Assim, numa singela reflexão, o patrão do dito cujo citado anteriormente, era ou é, o povo. Simples, não?
As eleições se aproximam!
Vamos pensar no coletivo e votar em políticos comprometidos com as causas do povo e não naqueles que fazem na vida pública aquilo que normalmente deve ser feito na “privada”. Vamos tocar “repelente” nos políticos que só olham para os seus consanguíneos e para o próprio umbigo. Como saber quem são esses tipos? É só observar os sinais de riqueza que exibem depois que entraram na política.
Agindo assim nossa cidade será a cidade que quisermos ter e Santarém merece esta prova de amor!
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* Santareno, é advogado e economista e torcedor do São Francisco. Escreve regularmente neste blog.
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