Vamos pintar o sete

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por Paulo Cidmil (*)

Iniciada oficialmente a campanha do plebiscito, começou o bombardeio eletrônico em busca de votos pró e contra a criação de Tapajós e Carajás. Ontem recebi email de uma pessoa que, apesar de não conhecer, respeito, por sempre estar se posicionando politicamente, denunciando atos de corrupção e de agressão ao meio ambiente, por isso, resolvi responder a sua campanha de apoio ao NÃO no plebiscito, através de email que gostaria de tornar público, como forma de externar o meu apoio a criação do Estado do Tapajós.

Eis:

Prezado Nelson Tembra,

Seus principais argumentos, como o da maioria das pessoas que defendem a idéia do grande Pará, se atem a duas idéias fixas, ambas equivocadas. A alegada perda dos recursos naturais existentes no Tapajós e Carajás que inviabilizará o futuro do novo Pará. Essa riqueza até o momento não trouxe desenvolvimento social e econômico para o povo do Pará, e o novo Pará, que aos olhos dos que querem um grande território parece pequeno, será um Estado maior que o Estado de São Paulo, repleto de recursos naturais, de imensa diversidade, litoral, Marajó, florestas.

Continuará sendo o centro econômico e financeiro da região, o principal fornecedor de serviços e continuará a produzir a cultura mais significativa, rica e diversa de toda a Amazônia, hoje uma das mais importantes do país, fruto do engenho de seu povo, essa riqueza ninguém pode dividir. Continuará pertencendo ao novo Pará e sendo consumida e influenciando o povo do Tapajós.

Se você acha que ter um território cheio de recursos é uma questão estratégica para o Pará, olhe para a África ou para esse próprio Pará que você quer ver grande. Verá que de nada adianta os recursos quando o modelo de exploração desses recursos é excludente. Seu outro argumento equivocado é achar que essa divisão trará benefícios apenas para classe política e que os Estados do Tapajós e Carajás serão deficitários e mantidos com recursos da união, logo com o dinheiro do contribuinte.

Os números do IPEA são frios e não cansam de se equivocar. Se fosse ouvir o IPEA o governo Lula não teria realizado nem a metade dos seus programas de transferência de renda e de desenvolvimento regional. Você também pode dar uma olhada no que aconteceu com Mato Grosso do Sul e Tocantins, o surgimento desses estados modificou a realidade econômica de ambas as regiões, oferecendo novas oportunidades a seu povo.

Quanto aos péssimos políticos que infelizmente bancamos, sugiro que tire da cartola um sistema político democrático que os exclua. Se isso é impossível, que tal você, eu e todos os que nos indignamos com esses espertalhões, darmos nossa parcela de sacrifício e civismo, com uma participação política, combatendo esses escroques dentro das células partidárias, participando dos movimentos sociais e até oferecendo o nome como opção de voto para a população, trazendo maior dignidade para a atividade política.

Te afirmo apenas que um Senador como o Cristovão Buarque, se recebesse o dobro do que recebe no Congresso, seria muito justo pelos serviços que presta ao povo brasileiro. Um Senador como Jader Barbalho, que ainda veremos tomar posse, esse há muito deveria estar preso. Portanto, não generalize a classe política como fez no seu texto. Só para corrigir um erro seu: o novo Pará terá mais de 4 milhões de habitantes e conseqüentemente mais de 8 deputados federais. Essa densidade populacional também determina valores que são repassados pela União.

Isso dará ao NOVO PARÁ uma condição bem mais confortável do que a que possui hoje. Vocês só não podem entregar esses recursos nas mãos do Jader Barbalho nas próximas eleições. Poderia tecer horas de comentários, com argumentos convincentes, que justificam a criação do Estado do Tapajós, mas não vale a pena, não pretendo convencê-lo de nada.

Um fraterno abraço e saudações tapajônicas,

Paulo Cidmil

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* Santareno, é produtor cultural.


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5 Responses to Vamos pintar o sete

  • Parceiro Cidmil,

    Concordo apenas quando falas que o Marajó continuará a pertencer ao Pará! E, sem querer convencê-lo de nada, informo que somos HABITANTES dos mais antigos desta TERRA chamada Pará! E, para seu conhecimento somos HABITANTES dos menos prestigiados pelas Políticas Públicas, tanto dos Governo Federal, quanto Estadual ao longo de nossa História! E, por conta dessa quase ausência de Estado e, da má gestão de Prefeitos e, do descaso dos Vereadores dos municípios Marajoaras é que lamentavelmente, apresentamos os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) deste RICO Estado, chamado Pará! Mas, mesmo enfrentando e, sobrevivendo à carência das mais diversas que possas imaginar, nas áreas da saúde, da educação, de saneamento, de emprego e renda…melhor parar por aqui…porque a lista é extensa! E, olha que estamos bem próximos da Capital! E, nós Marajoaras com os mesmos motivos alegados pelos que defendem a Criação de Novos Estados e, também detentores de recursos naturais, não comungamos com o anseio de emancipação! Por entendermos que, o que precisamos é dividir nossas riquezas e, uma melhor gestão nas esferas Federal, Estadual e Municipal! Um maior controle dos recursos que são repassados pela UNIÃO e ESTADO para os municípios! Veja ou procure saber quanto seu município ou os municípios da sua região receberam no ano de 2010 (IDESP e, Portal da Transparência) e, ficarás surpreso! E, verás também que o real motivo da emancipação, que não está dito nem na sua região e, nem na minha, é a melhoria da qualidade de vida para as nossas regiões! Mas, isso não se faz apenas criando novas unidades federativas! Se faz, com recursos, com a fiscalização na aplicação de recursos, com homens públicos probos, com projetos, com investimentos, com o Poder Local! Saudações Marajoaras

  • Jeso,

    No que tange a marketing pró ou contra o Estado do Tapajós, fico imaginando quem deverá aproveitar a grande oportunidade durante a transmissão do jogo entre Brasil e Argentina, na próxima semana.
    A oportunidade é única e pode ganhar repercussão nacional e internacional. Será que algum dos lados (ou ambos) estão articulando ostentar nas arquibancadas do Mangueirão, faixas com mensagens sobre as campanhas?
    Por outro lado, se as imagens forem geradas pela TV Liberal, ponto para os “contras”, pois com certeza mostrarão apenas as faixas com dizeres contra a divisão, podendo criar uma empatia nacional a favor do contra (que paradoxo).
    Será?
    E a turma do “SIM”, já preparou material e vai aproveitar a oportunidade?
    É esperar pra ver…

    Outro ponto: O dinheiro pra financiar a campanha do “SIM” sai de onde? É público ou de doações?
    Acredito que como eu, muitos talvez tenham interesse em participar mas não sabemos como.

    Abraço!

    J.C.

  • o paulo cid mil já ouviu alguma vez falar de Lei Kandir ? que penaliza e espolia o pará de ganhar o que merece sobre o que exporta ?? já ??? então pára de falar besteira e vai analisa o quanto ocorre de elisão fiscal patrocinada pelo governo federal e o que faz falta de investimento dirigido urbi et orbi neste estado em termos de sáude pública educação et caterva

    1. Vamos lá meu grande e saudoso amigo, no texto está escrito:

      “A alegada perda dos recursos naturais existentes no Tapajós e Carajás que inviabilizará o futuro do novo Pará. Essa riqueza até o momento não trouxe desenvolvimento social e econômico para o povo do Pará, e o novo Pará,(…)”

      É tão bom saber que você está do nosso lado! Vamos lá jorge morais SIM ao TAPAJÓS e SIM ao CARAJÁS!

  • Gostaria de levantar uma questão sobre o futuro, caso seja criado, Estado do Tapajos.
    Pergunto diretamente as pessoas que alegam que o Estado já nascerá deficitário, vocês já pararam para pensar em quanto serão os investimentos no novo Estado? não pergunto dos investimentos públicos, mas dos investimentos particulares.
    Esses investimentos serão em todas as áreas. A população da nova capital já garante a possibilidade de entrada de franquias, como por exemplo o BOB’S, GIRAFAS, CASA DO PÃO DE QUEIJO, SUB WAY e etc, isso somente no setor de alimentos, temos também os do vestuário, no caso a MARISA e novos vôos, pois será uma capital e assim por diante.
    Assim, não podemos ignorar o fato de que será uma nova realidade e quanto aos políticos, cabe as pessoas votarem no que é certo.

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