
Uma eventual interrupção da navegabilidade na hidrovia do rio Tapajós, no Pará, motivada pela previsão de um “Super El Niño” e fortes estiagens, será pauta de uma reunião emergencial na Presidência da República nos próximos dias. O governo federal articula ações rápidas para evitar um colapso logístico que pode gerar perdas milionárias ao agronegócio e ameaçar o abastecimento de cidades na região Norte.
A estimativa oficial aponta que, se nenhuma medida for adotada, a navegação no rio Tapajós poderá ficar paralisada por até quatro meses. A hidrovia é o principal corredor logístico para o escoamento da safra que sobe pela BR-163 (Santarém-Cuiabá) e vital para o fornecimento de itens essenciais na região.
O Plano de dragagem
Para mitigar a crise, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) aprovou um plano de dragagem de manutenção em caráter excepcional. A intervenção ocorrerá em 7 pontos críticos ao longo de 300 quilômetros, entre Miritituba e Santarém (PA).
O governo costura uma parceria com a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani) para que a obra seja realizada sem custos para os cofres públicos.
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O projeto, no entanto, enfrenta resistência. O Ministério Público Federal (MPF) no Pará emitiu recomendação para barrar o início das operações até que seja feito o licenciamento ambiental completo e a consulta prévia a povos indígenas e ribeirinhos.
O governo argumenta que a obra tem caráter de “manutenção” da infraestrutura já existente e, respaldado pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, não exigiria autorização prévia do Ibama. A urgência de Brasília se justifica pelos números: a cada dia de atraso, cerca de 12 mil metros cúbicos de sedimentos deixam de ser removidos do leito do rio.
Raio-X dos impactos
A transferência forçada das cargas das barcaças fluviais para as rodovias (BR-163 e BR-230, a Transamazônica) agravaria filas de caminhões, inflacionaria o frete e aumentaria a poluição. O redirecionamento para o porto de Santos (SP) também é considerado inviável pelo esgotamento da rota.
Confira os principais riscos mapeados caso a hidrovia pare:
- Escoamento ameaçado: Entre 3,1 milhões e 5 milhões de toneladas de grãos (principalmente soja e milho) podem ficar retidas.
- Impacto financeiro: Prejuízo estimado entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões para a cadeia do agronegócio.
- Alta no frete: Custo adicional calculado entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada transportada.
- Abastecimento regional: Risco ao transporte anual de 1,36 milhão de metros cúbicos de combustíveis, que atendem 17 municípios e 7,5 milhões de habitantes.
- Dano Ambiental: Aumento de cerca de 55 mil toneladas nas emissões de CO₂ devido à migração da carga fluvial para o transporte rodoviário.
Com informações da Folha de S.Paulo
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