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Coaracy Nunes nasceu em Alenquer, em 3 de outubro de 1913

Placa contém erro de grafia e prejudica homenagem. Por Wildson Queiroz
A placa com a grafia “Icoaracy” em Santarém, em vez de Coaracy Nunes. Foto: Wildson Queiroz

No município de Santarém, as placas da Avenida Coaracy Nunes estão grafadas de maneira incorreta, o que prejudica o sentido da homenagem que destinou nome à rua.

Moradores da rua e boa parte da população santarena acreditam que o nome faça referência ao distrito de Icoaraci, região metropolitana de Belém, quando na verdade trata-se de uma homenagem ao ex-deputado Coaracy Nunes, morto em um acidente de avião, e que era conhecido como o deputado da Amazônia, por conta de sua postura no Congresso Nacional.

Quem foi Coaracy Nunes?

Coaracy Monteiro Nunes nasceu na cidade de Alenquer, em 3 de outubro de 1913, filho de Ascendino Monteiro Nunes e Laurinda Gentil Monteiro Nunes. Ingressou na faculdade de Direito de Belém transferindo-se posteriormente para a Faculdade de Direito do Recife onde se graduou em 1935. Atuou na advocacia e no serviço público, integrou o Conselho Nacional de Previdência e o Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários.

O destino de Coaracy mudou bruscamente em 1943, quando o então presidente Getúlio Vargas, criou o Território Federal do Amapá, através do Decreto-Lei nº 5.812, de 13 de setembro de 1943, desmembrando uma área de terras que pertencia ao Estado do Pará. Em 27 de dezembro, o presidente da República nomeou para ser o primeiro governador do Amapá, Janary Nunes, irmão de Coaracy.

A implantação definitiva do Território Federal aconteceu em 25 de janeiro de 1944, com a chegada do governador indicado. Coaracy Nunes acompanhou o irmão na empreitada e foi eleito deputado federal pelo Amapá.

Coaracy era casado com Carmen Rocha Nunes, que lhe deu sete filhos; Coaracy Nunes Filho; Carmemcy; Cláudio; Joaquim Ascendino Neto; Yara; Moema e Maria das Graças. No ano de 1957, entre os meses de fevereiro e dezembro, licenciou-se da Câmara Federal para cursar a Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro.

Em 1958 retornou ao Amapá, onde pretendia dar prosseguimento à carreira política, seu nome já havia sido indicado para substituir o irmão no cargo de governador. No dia 20 de janeiro de 1958, o deputado Coaracy Nunes foi prestigiar uma festa no interior do estado, em Vila do Carmo Macacoari, e para isso fretou o avião “Paulistinha”, evitando utilizar o avião do governo estadual. Ao deputado foi sugerido que a viagem poderia ser realizada por via fluvial a bordo do Iate Itaguary, que levaria a rebote uma voadeira e um motor de popa de 33 HP para facilitar o acesso ao local. Após analisar as alternativas disponíveis optou pelo avião.

A viagem ao local da festa transcorreu sem problemas, à noite participou dos festejos de São Sebastião, padroeiro da comunidade, o retorno seria na manhã seguinte. Ao amanhecer do dia 21 embarcaram no “Paulistinha”, o piloto Hamilton Silva, o advogado e promotor Dr. Hildemar Pimentel Maia e o deputado Coaracy Nunes. Minutos após a decolagem o avião caiu bruscamente incendiando-se com o contato no solo, não houve sobreviventes. Coaracy Nunes estava com 45 anos.

Placa contém erro de ortografia e prejudica homenagem. Por Wildson Queiroz
Coaracy Nunes, nascido em Alenquer

Os restos mortais de Coaracy Nunes foram levados para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, foi velado no Palácio Tiradentes onde recebeu inúmeras homenagens de familiares e políticos de vários estados da nação, foi sepultado na manhã do dia 24, no cemitério São João Batista, no tumulo 3753-A, quadra 3.

Após sua morte, o deputado federal Lister Caldas, apresentou a Mesa Diretora da Câmara Federal, um projeto de lei que modificaria o nome do Território do Amapá, para Coaracy Nunes, mas por questões históricas e políticas da época o projeto não foi aprovado. Em sua homenagem, foi inaugurada uma praça em Belém, na cidade velha, em 21 de janeiro de 1959, na mesma data, um busto foi inaugurado em frente ao abrigo de passageiros do aeroporto internacional de Macapá, também o grupo escolar da cidade passou a chamar-se Coaracy Nunes.

 Em diversas cidades da Amazônia, inclusive em Alenquer, sua terra natal, existem ruas batizadas em sua homenagem. Quando a Hidrelétrica do Paredão, a primeira a ser construída na Amazônia, localizada a uma distância de 140 Km de Macapá ficou pronta, em 1975, a Eletronorte a inaugurou com o nome de Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes.

<strong><kbd><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-luminous-vivid-amber-color">Wildson Queiroz</mark></kbd></strong>
Wildson Queiroz

É pedagogo, historiador e professor. Membro do IHGTap (Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós). Ex-secretário municipal de Cultura de Alenquer (PA), onde reside. Escreve regularmente no portal JC.


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2 Comentários em Placa contém erro de grafia e prejudica homenagem. Por Wildson Queiroz

  • Eu estava até comentado com alguns conhecidos sobre o nome da rua, estranhamente escrito dessa forma.

    1. Duplo erro de grafia, Silvan: Icoaracy com “y”, em referência a Icoaraci e com “I” e “y” em relação a Coaracy.

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