Justiça condena ex-tesoureiro da Câmara de Óbidos a 4 anos de prisão por crime eleitoral

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Justiça condena ex-tesoureiro da Câmara de Óbidos a 4 anos de prisão por crime eleitoral
O flagrante do crime eleitoral feito por PMs em outubro de 2022 em Óbidos. Fotos: Arquivo JC

Nael José Rodrigues Goes, ex-tesoureiro da Câmara de Vereadores de Óbidos (PA), gestão de Jalico Aquino (2020-2022), foi condenado pela Justiça a 4 anos de prisão, a ser cumprido em regime aberto, por crime eleitoral no pleito do ano passado.

O réu de 32 anos foi penalizado por prática criminosa de transporte gratuito, em dias de eleição, de eleitores residentes em zona rural.

Policiais militares o flagraram, em 2 de outubro de 2020, com 6 eleitores em um veículo pertencente ao vereador Jalico Aquino (PL), ex-presidente da Câmara de Óbidos, que seriam conduzidos para votar na comunidade rural Sapucaia.

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Santinhos de vários candidatos

No interior do veículo, os PMs encontraram material de propaganda política (santinhos) dos candidatos José Maria Tapajós (deputado estadual), Mário Couto (senador), Zequinha Marinho (governador) e Jair Bolsonaro (presidente) – todos derrotados nas urnas.

“Não há como acolher a tese da defesa [de Nael José] de que se tratava de uma simples carona, posto que o conjunto probatório e o contexto envolvendo o fato não dão sustentação a essa alegação”, destacou o juiz eleitoral Clemilton Oliveira na sentença proferida na semana passada (dia 2).

“Em arremate, registro que na época do fato delituoso o denunciado era servidor público da câmara municipal de Óbidos, cujo presidente da casa era o proprietário do veículo vereador JALISON AQUINO, este último apoiador e praticante de atos de campanha em prol de diversos candidatos ao pleito eleitoral”, lembrou o magistrado.

Preso por 1 dia

A ação penal eleitoral contra Nael foi protocolada na Justiça pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) no ano passado.

Justiça condena ex-tesoureiro da Câmara de Óbidos a 4 anos de prisão por crime eleitoral
Nael José trabalhou no cargo de tesoureiro da Câmara de Vereadores, gestão de Jalico Aquino. Foto: Arquivo JC

“Todos esses fatos demonstram, com clareza, o dolo específico do réu NAEL JOSÉ em persuadir e influenciar os eleitores com o oferecimento de transporte gratuito até o local de votação, restando, portanto, demonstrada a prática delituosa, situação que impõe a condenação por infração ao art. 5º c/c art. 11, III da Lei n. 6.091/74”, ressaltou Clemilton.

Pelo fato de Nael ter ficado um dia preso, a pena dele foi diminuída para 3 anos, 11 meses e 29 dias. Como ficou abaixo de 4 anos, o juiz substituiu a pena privativa de liberdade por duas penas restritivas:

  • Prestação de serviço à comunidade. Em prazo igual ao período da pena; e
  • Pagamento de multa (prestação pecuniária). O valor fixado é o mesmo fiança, já paga por Nael, e que deverá ser doada para reforma do prédio da delegacia de Polícia Civil de Óbidos.

O ex-tesoureiro foi condenado ainda a pagar as custas e despesas judiciais. Ele pode recorrer da sentença junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Pará, com sede em Belém.

Jalico Aquino: dono do carro flagrado em crime eleitoral por PMs no ano passado

Atualização: O JC, por conta de terem o prenome homônimo, na primeira versão da matéria tratou Nael como se fosse o vereador Nael Vasconcelos (PL). Mas o equívoco foi imediatamente desfeito. O Nael em questão é o ex-tesoureiro da Câmara de Vereadores.


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