Cabanos no Tapará

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Do leitor Paulo Lobo, sobre o post Cabanagem: 1001 visualizações:

Caro Jeso,

Dia 1º, em conversas sobre a presença de cabanos na região, foi lembrado por meu pai, Everton Neves, que segundo relato de seu pai, meu avô Chiquinho Neves, houve presença de cabanos tambem na região do Tapará, mais precisamente onde é o cemitério da comunidade local, conhecido como ‘Benditoso”, aos arredores da comunidade que hoje leva o nome de “Boa Vista do Tapará”.

Segundo esses relatos, passados pelos mais idosos, nesse local ocorreram sangrentos combates entre os cabanos e as tropas do Império. Os cabanos teriam sido cercados por trás, e encurralados no local onde hoje é o cemitério e massacrados pelas tropas federais.

Acho que vale a pena investigar também a veracidade dessas histórias, para enriquecer e valorizar mais a memória da nossa região.


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One Response to Cabanos no Tapará

  • Paulo, relatos como este que tu fazes ocorrem muito quando mostramos interesse em ouvir as pessoas mais antigas dos lugares. Eles estão nas lembranças dessas pessoas, mas antes não havia muita gente que se dispusesse a ouvi-los. Eu recordo que nessas andanças da Caravana Cabana, gente de várias comunidades chega e diz que lá no seu lugar também tem uma certa paragem associada à luta dos cabanos. E essas pessoas pedem que a gente vá lá, escutar, comprovar e filmar. Uma senhora disse que no rio Curuatinga existe uma área de um antigo cemitério (esta figura do cemitério e das visagens se repete muito) onde teria havido combates e muitas mortes na época da Cabanagem. “Até no tempo que eu era criança, a gente não passava lá sozinho de noite, porque escutava gritos de dor, fazia misuras” – dizia ela. Assim, os relatos sobre Tapará são sinais dessa memória que se recusa a morrer, são os gritos de dor de homens e mulheres que ainda não foram ouvidos e, por isso, parece que não querem “descansar em paz”.
    O que fazer? Historiadores e cineastas judeus ou simpáticos à causa das vítimas do Holocausto gravaram muitas entrevistas com os sobreviventes, produzindo enormes acervos com informações de todo tipo sobre a experiência dos campos de concentração. Nós podemos também documentar essa memória sobrevivente da Cabanagem, dentro dos seus contextos, para construir um acervo que possa ser estudado por pesquisadores ou mesmo consultado pelos nossos descendentes. Isso qualquer pessoa pode fazer na sua comunidade/cidade. A partir de 2011 vamos criar na UFOPA um grupo de pesquisa que terá como uma das suas linhas de investigação a Cabanagem. Nós podemos criar um sistema de centralizar e sistematizar esse material. Sonhar com um Museu da Cabanagem em Santarém não é algo tão irreal. Só precisamos de quem tome a iniciativa. O Museu Aberto da Cabanagem (MAC) em Cuipiranga (outro sonho ainda) pode ser um embrião disso.
    A ULBRA e a UFOPA têm cursos de História. Seus estudantes podem ser estimulados pelos professores a produzir trabalhos sobre essa memória da Cabanagem (sempre levando em conta a pesquisa documental nos arquivos, é claro). Aliás, temas para pesquisar nossa memória não faltam: a escravidão de negros e os mocambos/quilombos em Santarém, a Companhia FORD no Tapajós e as revoltas dos nativos etc.
    Mãos à obra!

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