Contraponto de Milton Peloso ao post Top 6 da sinuca de bico:
Senhores navegadores,
No atual estágio da jovem democracia brasileira é inadmissível a prática política do “caça as bruxas”. As pessoas são livres para terem a opção política que quiserem diante de qualquer fato, essa é a essência da democracia, desde que suas atividades sejam lícitas.
O Partido dos Trabalhadores de Santarém sempre se manifestou favorável a criação de novas unidades federativas, especialmente o ESTADO DO TAPAJÓS, desde os mais remotos dias de sua história.
Por isso e por outras: “caça às bruxas” nunca mais e viva o ESTADO DO TAPAJÓS com a mais ampla e possível participação popular!
Caro Milton,
Fiquei sem entender tua indignação. Apesar de compactuar com tua posição de ser contra a “caça às bruxas” ( coisa que o próprio PT sempre usou, internamente, nos tempos da Corrente), creio que o momento não é de “caças bruxas” e sim de definir quem é quem no jogo político pela criação do Tapajós, para que depois de criado o estado, os que hoje ficam com posições dúbias não venham posar de bons moços e queiram se aproveitar do butim.
Se teu recado é uma forma de diminuir a pressão sobre o deputado petista Zé Geraldo, de Altamira, acho que seja uma postura equivocada, como também parece ser equivocada, ou no mínimo oportunista, a do Zé. Respeito a história de lutas dele, mas acho que ele deveria deixar claro, afinal de contas, qual é sua real posição sobre o tema já que sua base eleitoral mais forte está nesta região. E se é contra a criação do Estado que assuma essa postura de vez e explique o porquê.
O PT sempre viveu esse dilema sobre a criação do Tapajós, coisa hoje que é vivida pelo PSOL. Os partidos de esquerda fazem sempre uma leitura obtusa desse movimento, alegando sempre que trata-se de uma “aspiração das elites” (inclusive meu partido, o PCdoB, em nível de Belém, assim se posiciona, mas a direção local já deixou claro a nossa postura). Mas essas lideranças de esquerda são incapazes de enfrentar as elites em seu campo de batalha. Preferem manter uma postura mentirosa de “pureza de propósitos”, criando ações paralelas para defender suas pautas.
O Instituto Cidadão Pró Estado do Tapajós (ICPET), assim como o antigo Comitê são espaços abertos a todos. Se por erro estratégico ou por conveniência se reuniam no auditório da Associação Comercial, não implica que não tivessem espaço para os grupos populares. Agora teremos prédio próprio e espero que todos os líderes comunitários e de todos os partidos estejam lá, participem, invadam o ICPET e façam valer sua voz. Não basta ficar de longe dizendo que “isso é coisa da elite”.
O sentimento separatista já existe há 200 anos. Por algum tempo bebeu da fonte da cabanagem, que foi muito forte por aqui, mas em sua essência sempre foi elitista. Mas não é deixando de participar do movimento que mudaremos sua rota. Eu estou participando e tentando ajudar, defendendo minhas ideia e discutindo com argumentos, sempre que acredito que alguma ideia não coaduna com a essência do que acredito. E tenho conseguido conviver com empresários e políticos com os quais tenho sérias diferenças ideológicas, pois acredito que o momento é de união de todos em torno da mesma causa: o SIM no plebiscito. As outras questões vêm depois.
O PT pouco tem participado dos debates (ainda não te vi em nenhum a reunião). Além do Everaldo, da Odete e do Pedro Peloso, poucos petistas têm comparecido aos encontros (se estivestes em algum e não te vi, me perdoa a vista “rombuda”…rsrssr).
Não vamos “caçar bruxas’, mas precisamos caçar talentos. E expurgar, sim, aqueles que são contra. Sejam do PT ou do PQP.
É por essa (caça) e outras que desconfio de nossa maturidade política para conduzirmos um estado só nosso!
Diz o dito popular: “quem pensa muito não faz filho”