O jornalista e professor Samuel Lima comenta o post Ex-ministro de Lula morre de câncer em SP:
Conheci Luiz Gushiken, nos idos de 1985, por ocasião da primeira grande greve dos bancários, após o golpe militar de 1964.
Gushi era então presidente do Sindicato dos Bancários de S. Paulo e um dos expoentes do movimento sindical bancário. Sua contribuição foi notável na fundação e organização da CUT e do Partido dos Trabalhadores.
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Em 1986, seria eleito deputado federal (constituinte). Nas greves nacionais do Banco do Brasil, quando eu participava da Comissão Executiva Nacional, que negociava em nome dos funcionários, tínhamos em Gushiken e em outros deputados bancários, parceiros constantes na busca por canais efetivos junto ao governo Sarney.
Acusando de forma torpe e injusta pelo ex-procurador geral da república (assim mesmo, com minúsculas), Roberto Gurgel, foi absolvido pelo relator do processo chamado “mensalão, ainda em curso no Supremo Tribunal Federal. No entanto, teve sua vida exposta injusta e criminosamente, pelo acusador e setores da mídia. Não sei avaliar o impacto que isso teve em sua saúde, nos cinco ou seis anos que Gushi teve seu nome pendurado na Ação Penal 470.
Há 40 anos, ele lutava contra diferentes tipos de câncer. Foi um guerreiro de luz, um samurai! Parte o homem, fica o seu exemplo de caráter, dignidade, luta e uma brilhante capacidade teórico-política.
Luiz Gushiken tem um lugar de honra na história das lutas sociais no Brasil. Ontem foi um dia muito triste para mim.

https://analisedeconjuntura.blogspot.com.br/2013/09/gushiken-midia-e-justica-uma-parabola.html
Gushiken, a mídia e a justiça: uma parábola do país que temos
O que os anos recentes de um dos grandes líderes sindicais das décadas de 1970 e 1980 contam sobre o Brasil de hoje. Este texto foi escrito 4 dias antes da morte de Luiz Gushiken
por : Paulo Nogueira
Montaigne escreveu que o tamanho do homem se mede na atitude diante da morte, e citava como exemplos Sócrates e Sêneca.
Os dois morreram serenamente consolando os que os amavam. Sócrates foi obrigado a tomar cicuta por um tribunal de Atenas e Sêneca a cortar os pulsos por ordem de Nero.
Meu pai jamais se queixou em sua agonia, e penso sempre em Montaigne quando me lembro de sua coragem diante da morte, confortando-nos a todos.
Me veio isso ontem à mente ao ler no twitter a notícia de Luís Gushiken morrera aos 63 anos. Depois desmentiram, mas ficou claro que ele vive seus dias finais num quarto do Sírio Libanês, com um câncer inexpugnável.
Soube que ele mesmo se ministra a morfina para enfrentar a dor nos momentos em que ela é insuportável, e para evitar assim a sedação.
Li também que ele recebe, serenamente, amigos com os quais fala do passado e discute o presente.
A força na doença demonstrada por Gushiken é a maior demonstração de grandeza moral segundo a lógica de Montaigne, que compartilho.
Não o conheci pessoalmente, mas é um nome forte em minha memória jornalística. Nos anos 1980, bancário do Banespa, ele foi um dos sindicalistas que fizeram história no Brasil ao lado de personagens como Lula, no ABC.
Eu trabalhava na Veja, então, e como jovem repórter acompanhei a luta épica dos trabalhadores para recuperar parte do muito que lhes havia sido subtraído na ditadura militar.
Os militares haviam simplesmente proibido e reprimido brutalmente greves, a maior arma dos trabalhadores na defesa de seus salários e de sua dignidade. Dessa proibição resultou um Brasil abjetamente iníquo, o paraíso do 1%.
Fui, da Veja, para o jornalismo de negócios, na Exame, e me afastei do mundo político em que habitava Gushiken.
Ele acabaria fundando o PT, e teria papel proeminente no primeiro governo Lula, depois de coordenar sua campanha vitoriosa.
Acabaria deixando o governo no fragor das denúncias do Mensalão. E é exatamente esta parte da vida de Gushiken que me parece particularmente instrutiva para entender o Brasil moderno.
Gushiken foi arrolado entre os 40 incriminados do Mensalão. O número, sabe-se hoje, foi cuidadosamente montado para que se pudesse fazer alusões a Ali Babá e os 40 ladrões.
Gushiken foi submetido a todas as acusações possíveis, e os que o conhecem dizem o quanto isso contribuiu para o câncer que o está matando.
Mas logo se comprovou que não havia nada que pudesse comprometê-lo, por mais que desejassem. Ainda assim, Gushiken só foi declarado inocente formalmente pelo STF depois de muito tempo, bem mais que o justo e o necessário, segundo especialistas.
Num site da comunidade japonesa, li um artigo de um jornalista que dizia, como um samurai, que Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”.
Acho bonito, e isso evoca a alma japonesa e sua relação peculiar com a decência, mas discordo em que alguém possa roubar a dignidade de um homem digno com qualquer tipo de patifaria, como ocorreu. A indignidade estava em quem o acusou falsamente e em quem prolongou o sofrimento jurídico e pessoal de Gushiken.
O episódio conta muito sobre a justiça brasileira, e sobre, especificamente, o processo do Mensalão. A história há de permitir um julgamento mais calmo, e tenho para mim que o papel do Supremo será visto como uma página de ignomínia.
Gushiken não foi atropelado apenas pela justiça. Veio, com ela, a mídia e, com a mídia, o massacre que conhecemos.
Um caso é exemplar.
Uma nota da seção Radar, da Veja, acusou Gushiken de ter pagado com dinheiro público um jantar com um interlocutor que saiu por mais de 3 000 reais. A nota descia a detalhes nos vinhos e nos charutos “cubanos”.
Gushiken processou a revista. Ele forneceu evidências – a começar pela nota e por testemunho de um garçom – de que a conta era na verdade um décimo da alegada, que o vinho fora levado de casa, e os charutos eram brasileiros.
Mais uma vez, uma demora enorme na justiça, graças a chicanas jurídicas da Abril.
Em junho passado, Gushiken enfim venceu a causa. A justiça condenou a Veja a pagar uma indenização de 20 mil reais.
O tamanho miserável da indenização se vê pelo seguinte: é uma fração de uma página de publicidade da Veja. Multas dessa dimensão não coíbem, antes estimulam, leviandades de empresas jornalísticas que faturam na casa dos bilhões.
Não vou entrar no mérito dos leitores enganados, que construíram um perfil imaginário de Gushiken com base em informações como aquela do Radar. Também eles deveriam ser indenizados, a rigor.
Gushiken enfrentou, na vida, a ditadura, as lutas sindicais por seus pares modestos, a justiça e a mídia predadora.
Combateu o bom combate.
Chico, ao ler os primeiros comentários pensei logo…”do nada pra lugar nenhum”…ou melhor para um lugar, encher linguiça.
O texto do Samuel me basta e basta.
Tenho acompanhado o caso do mensalão desde o início. O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, na época, como titular da ação penal, pediu a absolvição de Gushiken, por falta de provas, e o Supremo acatou, ninguém pode mudar a realidade dos fatos.
Caríssimo Paulo Roberto,
Com todo respeito, o que você apresenta como “realidade dos fatos” é apenas uma interpretação de um fragmento dessa história torpe envolvendo o nome de Luiz Gushiken. O titular da ação penal, pra ser exato e preciso, foi o ex-procurador geral da república Antonio Fernando de Souza, que o antecedeu no cargo. Gurgel mante a acusação injusta que só seria retirada, precisamente, pelo ministro Joaquim Barbosa, na sessão que abriu seu voto sobre a Ação Penal 470.
Foram sete longos anos de calúnia, injúria e difamação, meu caro.
Sobre isso, escreveu o jornalista Paulo Moreira Leite, a quem não se pode atribuir a alcunha de “petista” ou “socialista”:
Toda a acusação sobre seu papel no mensalão teve como base uma entrevista de Henrique Pizzolato, publicada logo no início das denúncias. Levado para depor na CPMI, Pizzolato jamais confirmou a entrevista e disse que jamais dera declarações e que seu depoimento havia sido forjado. Pediu que lhe trouxessem fitas gravadas, que jamais apareceram. Gushiken também foi acusado de ter consumido R$ 3 000 num jantar. Provou que era mentira e ganhou uma indenização por causa disso. Mas a correção jamais foi publicada.
(Leia a íntegra do post: https://jornalggn.com.br/noticia/um-pequeno-resgate-de-gushiken-feito-por-paulo-moreira-leite)
Faz um gigantesca diferença dizer que alguém foi absolvido por “falta de provas” ou afirmar que essa mesma pessoa (Gushi, no caso) foi absolvido porque era inocente e seu advogado assim o provou, em juízo.
Não estou mudando a “realidade dos fatos”, meu camarada. Apenas raciocinando contigo por dentro de um processo complexo e controverso. Não sou dono da verdade, tampouco você. Jamais iria tentar, até mesmo em respeito à memória de Luiz Gushiken, a “realidade dos fatos”. A sua forma de ver coincide com a narrativa da grande mídia, que acusou, julgou e condenou sem provas o ex-ministro.
Saudações mocorongas,
Samuca
Gurgel pediu a absolvição de Gushiken por falta de provas e o Supremo acatou.
Não é correto, Mário.
Quem absolveu Gushiken por ser inocente, não por “falta de provas” foi o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa. Gurgel manteve a denúncia torpe herdada do outro procurador-geral da república, o Sr. Antonio Fernando Souza – que só manteve a falsa denúncia porque isso faria um a suposta ligação com o ex-presidente Lula.
Simples assim, mano. Nenhum dos dois veio a público pedir desculpas pelo erro grosseiro. Afinal, a presunção de inocência é um princípio constitucional: ao acusador o ônus da prova.
Saludos
Samuca
Lendo o texto do professor Samuel Lima, sempre lúcido, ia fazer um comentário,desisto, o belo comentário do professor foi emporcalhado.
Que Deus agasalhe Luiz Gushiken no lugar merecido
Chico Corrêa
Voces os black-bloc dos petralhas odeiam serem contrariados ……..
Esse deve ser um dos TUCANALHAS (primeiro, nem assina o que escreve).
Black-bloc é uma invenção do PIG. Outro dia vi uma cobertura jornalística de uma pseudo manifestação (de mascarados). Tinha uns 300 mascarados e mais de 600 policiais. O que a TUCANALHA quer, ao que parece, é um cadáver. Isso vcs não irão ter.
Esse observador é o típica black-bloc! Covarde, se esconde atrás da mascara do anonimato. Podemos denomina-lo de TUPIGNALHA.
Chico Corrêa
SE DEIXAREM, VÃO CORTAR NOSSOS PESCOÇOS, OS SAMURAIS DE HOJE:
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15 de setembro de 2013
PF deve investigar ameaças a ministros do STF
A Polícia Federal será acionada para investigar a origem de e-mails ameaçadores ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, e até mesmo a seus familiares, às vésperas das sessões sobre admissão de embargos infringentes, na tentativa de forçá-lo a mudar sua posição contrária a interesses de mensaleiros. Outros ministros podem ter sido alvo de ameaças, segundo fontes da Procuradoria Geral da República.
Não é a primeira vez
Os votos desassombrados do ministro Luiz Fux, no caso do mensalão, fizeram dele alvo de ira e de tentativas – inúteis – de intimidação.
Procedimento
É procedimento padrão a Polícia Federal ser notificada a investigar, em casos de ameaças ou tentativas de chantagem contra os magistrados.
É pau, é pedra
Mascarados petistas do “black-bloc” anunciam na internet badernaço em Brasília e outras capitais, caso José Dirceu leve a pior no STF.
Rua ‘aparelhada’
“Black-bloc” se escondem em máscaras para não serem identificados mesmo: são conhecidos militantes do PT tentando “aparelhar” as ruas.
Enquanto isso:
”
14 de setembro de 2013
FBB: sindicato abandona bancária ameaçada
Integrantes do Sindicato dos Bancários de Brasília ficam nervosos quando cobrados das providências em defesa da bancária Maria Suely Fernandes, que está sob proteção policial após denunciar maracutaias na Fundação Banco do Brasil (FBB). A entidade é controlada pela Articulação, facção do PT liderada pelo ex-ministro José Dirceu e da qual fazem parte os investigados por desvio de dinheiro público – como Jacques Pena, ex-presidente da FBB e do próprio sindicato.
“