Historiador esquecido

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Do vereador de Itaituba Peninha Sadeck sobre o post Cabanagem e os Mundurucus:

Me sinto orgulhoso de ter lido este artigo sobre a Guerra da Cabanagem. Sou filho do historiador João Santos, que não é lembrado em Santarém, mas que muito contribuiu com a história de nossa região.

Quero aproveitar para parabenizar o padre Sidney por este artigo e lembrar que a única homenagem feita até hoje a meu pai foi denominar a Casa de Cultura de João Santos, mas que ninguém sabe porque não há identificação alusiva a ele.


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5 Responses to Historiador esquecido

  • Sugiro a consulta sobre dados biográficos de João Santos no Meu Baú Mocorongo do maestro Isoca.

  • Caro Anselmo, Peninha, Ismaelino, Jeso e Cia…

    João Santos não está totalmente esquecido. Creio que esteja, desculpe-me a expressão, “mal lembrado”.
    Eu mesmo utilizo várias obras do João Santos em minhas pesquisas: “Cabanagem em Santarém”, “Apontamentos para a História da Igreja em Santarém”, “Mons. Frederico Costa – 1o Prelado de Santarém”, além de inumeros “Anuários da Prelazia de Santarém”.
    Concordo com o Anselmo, a linguagem do “mestre” João Santos é analítica, mas também cheia de notícias. Me inspiro muito nele. Tenho o cuidado de sempre estar “fundamentado em alguma fonte” antes de publicar alguma obra. Mesmo que essa fonte possa não ser a mais confiável, mas com certeza é a mais disponivel.
    Anselmo, logo que me ordenei padre, fui convidado pelo Padre Sebastião Sadeck a visitar a Casa do João Santos. Dona Nale ainda estava por lá. Depois do jantar, o Pe. “Sabá” me apresentou a “parte” do acervo do João.
    Como eu não dispunha de tempo, visualizei, os fichários dos livros catalogados pelo próprio João Santos. Eram muitos. Não posso precisar a quantidade, mas algo que ultrapassava as 500 fichas… Visualizei rapidamente algumas obras. Foi a partir daquela visita, e das idéias que lá troquei com o Pe. Sabá, que eu começei a também compor minha biblioteca particular sobre a Amazônia (que hoje, ainda pequena, já soma mais de 200 volumes).
    Padre Sabá me confidenciou que muitas coisas, entretanto ainda estavam encaixotadas. DO JEITO QUE SEU PAI HAVIA DEIXADO.
    Lá estive, repito, em 2002. Há quase 10 anos portanto…
    Não sei ainda por quanto tempo as obras continuarão lá. São obras de propriedade particular. Levá-las a público seria interessante, mas, como levar a publico um acervo sem a segurança necessária para que ele seja preservado?
    Não falo aqui somente do João Santos. Pergunto: onde anda o acervo do Paulo Rodrigues dos Santos? E do Maestro Isoca? Dos Sussuaranas? Dos Macambiras? São particulares. Sim, o são. Mas são também uma joia para a historiografia da nossa terra, encaixotados ou “estanteados” como valiosa lembrança.
    Aqui faço uma ressalva para a única Biblioteca Particular a quem, não somente eu, mas muitos santarenos temos acesso. A Biblioteca do Instituto Cultural Boanerges Sena, tocada às custas do Cristóvam Sena, que luta, às vezes com seus próprios recursos para manter o acesso a um bom conteúdo de pesquisa para Santarém.
    Nos próximos dias, ao participar no Rio de Janeiro do V Colóquio dos Institutos Históricos Brasileiros, um dos assuntos do qual estarei me aprofundando é justamente esse: o da MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO e DISPONIBILIDADE de Acervos Históricos. Quem sabe não apareça alguma luz…
    Enquanto isso a pesquisa cientifíca de qualidade ainda é para poucos que conseguem ter acesso a tais obras, algumas raras, adquiridas somente em sebos ou em livrarias do sul do país.
    João Santos, pode e deve ser lembrado, bem como outros historiadores santarenos, mas também temos que pensar em fazer com que o poder publico ou mesmo alguma instituição séria possa favorecer o acesso ao conhecimento da nossa história.
    Obrigado pelo incentivo Peninha… Na medida do possível a obra do seu pai continuará naqueles que ainda hoje estão pesquisando e suando a camisa para manter nossa história na memória viva dos Santarenos.

  • De fato, João Santos poderia ser mais lembrado. Creio que parte desse esquecimento tem a ver com o fato de que seus escritos foram mais de natureza analítica do que das curiosidades, que são os que terminam chamando mais a atenção dos leitores. Outro aspecto que saliento é a dificuldade em termos acesso a produção deste ilustre santareno. Não seu o que acontece “nos bastidores”, mas fui informado de que o acerco que pertenceu a ele nunca foi disponibilizado, pela família, para que estidiosos de nossa história pudessem fazer consultas. Sem essa disponibilização, a tendência é mesmo o esquecimento. A não ser que alguém da familia se disponha a trazer a tona esse precioso tesouro que encontra-se submerso, ou melhor, talvez empoeirado em algumas estantes. Pergunto: se tiver um pesquisador interessado em fazer uma pesquisa resgatando a memória e a produção do historiador João Santos, terá a autorização para, pelo menos, manusear seu acervo?

  • Endosso inteiramente a queixa do Peninha. Na década de 1980, quando eu fiz parte do Conselho Municipal de Cultura de Santarém, juntamente com o Emir Bemerguy, o Bazinho Sirotheau, o Raul Loureiro, o maestro Isoca e outros, já cobrávamos a correta identificação da Casa da Cultura João Santos e a placa com sua foto e resumo biográfico. Se ainda não não tem, renovo meu apelo à minha colega de Ministério Público, prefeita Maria do Carmo: mande suprir essa falta, pois o mestre João Santos bem que merece.

    1. Em tempo: esqueci de assinar o comentário acima:

      Luiz Ismaelino Valente
      Ex-Promotor de Justiça de Santarém

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