De Steven Alexander, sobre o post Alter do Chão: museu vira estacionamento:
A maioria dos navios de cruzeiro que vêm a Alter do Chão hoje, vem por causa do Museu do Índio. O museu foi a principal atração do navio após a sua abertura para o negócio, e não por causa das belas praias do Tapajós.
Eu estava no negócio do turismo na época e se minha memória não tem se inclinado para outras atmosferas, sugeri a criação de tal museu para David Richardson. Minha escolha do local foi para o edifício histórico em frente ao bar e restaurante Mascote, a Casa do Barão. David tinha outras idéias. Ele era um fanático por barcos, e Alter do Chão foi sua escolha para atracar seu barco.
De vez em quando eu ajudei David receber passageiros de navios no museu, e posso dizer honestamente que esses visitantes foram entralled por sua recepção no museu. Lembro-me de muitos comentando que consideraram o melhor museu indígena no mundo. Lembre-se, estamos falando de viajantes do mundo, incluindo muitos antropólogos de fama.
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Também é bom lembrar que o museu não foi apenas apenas uma coleção de artefatos históricos indígenas, foi também commerce. Um lugar onde os visitantes podiam comprar arte indígena verdadeira e artefatos, comprado por David e sua esposa, Antonia, de associações tribais de todo Brasil.
Às vezes, essas vendas se confundiu com as peças de museu. Peças que depois foram confiscadas pelo Estado do Pará. É muito ruim que um lugar, uma vez reconhecido como um dos melhores museus do mundo, virou um parking lot. Quem é culpado?
Todos de nós, com certeza.
Oi, Jeso!
O Steven tem todo gabarito para falar de Turismo em Santarém! Na época do Museu, eu já trabalhava com turismo receptivo, e realmente os turistas, principalmente de cruzeiros, vinham a Alter do Chão atraídos pelo museu, que o David sempre fazia questão de corrigir, como Centro de Preservação da Cultura Indígena.
Uma pena que nenhum governo, seja municipal ou estadual, fez alguma coisa para que o centro fosse adquirido como um investimento cultural para nossa região. Não tenho a menor dúvida de que a praia de Alter do Chão seja um lindo cartão postal, não tenho dúvida nenhuma que atrai turistas, mas depois de um bom banho, o que a vila propõe culturalmente?
Digo isso porque trabalho há mais de 20 anos com turismo receptivo e, como Steven e Gil, sentimos muito em não poder mais contar com o centro. Como disse Steven, foi considerado o melhor museu do mundo em se tratando de arte indígena.
Eu particulamente acho que Santarém precisa de secretário que realmente conheça a realidade do turismo em Santarém. Infelizmente é somente mais uma secretaria com indicação política. Se continua assim, o jeito é cada um por si, como tem sido até hoje. Cada um puxa sardinha pra sua brasa e a vida continua… Infelizmente… Santarém por suas belezas naturais merecia ser bem mais estruturada e cuidada para que o nosso turismo fosse realmente de qualidade.
Pepa
Santarém Viagens e Turismo _ Receptivo
Concordo com o Steven em genero numero e grau. Mesmo sem existir o museu ainda atrai gente. Tive o prazer de trampar la tambem e qdo se referiam ao Centro como museu o David corrigia: Centro para a preservação da arte, cultura e ciencia indigena…faz uma falta!!!!
Plenamente de acordo com o steven, um dos motivos que me tirou o estimulo de pintar foi tambem a falta de apoio do poder público que não está nem aí pra quem tenta mostrar o que há de melhor em Santarem para levar ao conhecimento dos Turistas que aquí passam, e o museu era um referencial muitíssimo importante para tais visitações e comercilização dos nossos produtos de arte. Hoje não temos mais o museu e nem o paciente pintor de pássaros tudo porque o podre público nunca se importou realmente com as nossas referencias artísticos culturais.
Concordo com o teor desta postagem. Não sou de agência de turismo e nem deste ramo, mas também recebo muitos amigos professores universitários de várias regiões brasileiras e os que chegaram a conhecer o Museu elogiaram bastante e depois ao saber de seu fechamento ficaram a lamentar. Quem não conheceu, pergunta se tem algo do gênero e, infelizmente, só posso dizer que já teve. E eles ficam perplexos. Como? Confesso que também fico constrangido, sendo daqui, estando hoje na Ufopa, sabendo da existência de muitos colegas que se interessam por estudar a temática indígena e amazônica em geral.
Eis uma demanda para a qual vale a pena a conjução de esfoços dos governos (municipal, estadual e federal – por meios de seus agentes mais diretamente ligados a esta causa) assim como de organizações não governamentais e empresas privadas.
Um diferencial que complementa a beleza natural. As prais e a natureza são encantadoras, mas não bastam para atrair o turista. Sei de muitos outros lugares lindos pelo Brasil afora, mas ninguém vai lá só por isso. E quando vai, quer ver também outras coisas, quer fazer outras coisas, enfim, a natureza nos foi gentil, mas temos que fazer a nossa parte.
As belezas naturais de Alter do Chão são os pricipais atrativos aos turistas, o Museu era apenas componente de complementação cultural do modus vivendi de nossos silvícolas, pena que acabou.
Caro Jeso,
Concordo com o Steven, os passageiros dos navios que desciam em Alter do chão tinham como atração o Museu que passou ser uma referência mundial, mas não eram sós os turistas dos navios, eram todos os que visitavam Santarém cujo roteiro incluía Alter. Eu mesmo trabalhei em uma agência modesta em receptivo, porém os poucos que recebia o Museu era a atração principal.
Conheci o David e sua esposa Antonia, em face da importância que o Museu alcançou para Santarém ouvi mais de meia dúzia de vezes do próprio a necessidade do poder publica assumir a administração do museu, para isso bastava que lhe fosse devolvido o investimento. Todos se fizeram de moco.
Ai está o resultado: transformar um monumento da importância daquele museu em estacionamento; ai está nomear para administrar a vila pessoas sem o mínimo de comprometimento com o seu patrimônio cultural e natural; ai estar nomear para secretaria de cultura do município pessoas que nem sequer visitaram alguma vez o museu.
Aproveitando a informação do Steven, pergunto: onde anda as peças confiscadas pelo governo do estado?
Nazareno Lima
Complementando: salvo se eu perdi essa aula da nova ortografia, que na verdade não engoli ainda, muito. Se for o caso, desculpa a interferência (e a ignorância) rsrsrsrs
Caro Jeso,
Já que, infelizmente, estamos falando do passado, o “atraia”, do título do texto, deveria ser grafado como “atraía”, correto?
Corretíssimo, caro Nilson. Já foi feita a devida correção. Obrigadíssimo.
Jeso, vc pode usar o presente “atrai” também pq ainda tem muito passageiros que vêm hoje em dia pensando que o museu ainda existe. Índios e arte indígena atrai turistas como nada mais.
corretíssimo, digo corretissimo.