Professora da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), Edna Marzzitelli comenta o artigo Diretas já na Ufopa, de Anselmo Colares:
Caros leitores do Blog do Jeso,
Quero aqui apoiar e ratificar todas as palavras escritas pelo Prof. Dr. Anselmo Colares e abominar as tentativas de desqualificação de suas palavras, aliás prática muito conhecida entre nós que fazemos parte do quadro de professores da UFOPA.
Lembro ainda que a universidade federal implantada em nossa cidade faz parte de uma construção que vem sendo feita nas últimas décadas e que tem a participação de muitos sujeitos que precisam e querem continuar participando de sua construção e consolidação; situação essa que só será possível quando a democracia plena acontecer.
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Para que essa democracia aconteça, é preciso a aprovação do Estatudo, discutido pela comunidade acadêmica e como consequencia a eleição já dos seus dirigentes para que vozes plurais possam ser ouvidas e consideradas.
Caro Haroldo, suas observações são corretas e não pretendo construir fosso que me separe de ninguém, por isso mesmo, me resta ponderar que possa ter feito uma avaliação errada na época da eleição do Consun, ao me candidatar. Nem fiz campanha ostensiva, apenas uma análise defendendo que o Conselho ia ser instalado, como ou sem o respaldo dos segmentos organizados, e que era importante a preseça de pessoas que tivessem independência e conhecimentos para discordar ou concordar embasadas em razões técnicas e posições políticas alicerçadas na democracria. Se eu estivessse na condição de titular, por exemplo, exigiria infomações precisas referente a todos os processos que são questionados, para que fossem analisados exaustivamente, com a colaboração de especialistas nos diversos campos, e pudessemos oferecer à comunidade universitária e à sociedade em geral um parecer que não fosse comprometido com o discurso oficial nem tampouco se configurasse como um mero denuncismo.
Sobre o Congresso Estatuinte, eu também participei e com respaldo da categoria docente, meu nome foi tirado em Assembléia específica para este fim. Portanto, não falo como um alheio ao processo, e sustento meus argumentos porque qualquer neófito pode verificar isto fazendo uma leitura do texto final que foi encaminhado para a Reitoria. É claro que isto não invalida o processo, que foi legítimo e bem conduzido. Todavia, se o texto não tivesse tantas inconsistências com a legislação em vigor, poderia mais rapidamente ser aprovado uma vez que além do aval da instância máxima interna (Conselho Superior Universitário) depende também de um parecer favorável do Ministério da Educação. Naquela época eu defendia e ainda penso que o texto não precisava ser uma profissão de fé de uma posição política revolucionária, porque há pressa em regularizar a vida institucional e os processos democráticos na Ufopa. A discussão seguinte, incluindo a campanha para Reitor, esta sim, permite que ocorra um amplo debate e o comprometimento dos candidatos com uma universidade que seja mais avançada politica e academicamente.
Para finalizar, ressalto o texto em que dizes que “… ninguém é perfeito.” E também “… ele não está 100% certo em tudo” . Ainda bem que pensas isto a meu respeito. Pois é graças a isso que posso dialogar com os diferentes, e também posso rever posições. E posso continuar a defender posições que dão espaço para o diálogo e as opiniões complementares. Se eu for convencido técnica e políticamente de que uma determinada proposta é melhor para a sociedade, abrão mão de minhas posições, só não abro mão de princípios éticos e do compromisso que tenho com a realização das minhas atividades profissionais.
TOTALMENTE A FAVOR DA PLURILARIDADE, PORÉM, MEU MEDO ´´E QUE NOSSOS CONTERRÃNEOS SÃO TÃO PREOCUPADOS COM O MEIO AMBIENTE QUE NOSSA CIDADE É UM LIXO A CÉU ABERTO. ESSAS IDÉIA “ECOLÓGICAS EXTREMAS” DENTRO DA UNIVERSIDADE PODE SER ARRISCADA PARA O FUTURO DA MESMA.
Ilustre Professora,
Lembrar que o prof. Anselmo apoiou a reitoria na Eleição para o Consun não é desqualificar os argumentos que ele coloca.
É apenas um registro importante para mostrar que a Administração superior está desgastada até mesmo com aqueles que a apoiaram no passado.
O texto do professor traz uma reflexão importante, mas ele é um resumo do que foi publicado no Jornal O Estado do Tapajós (Ano XIII, Ed. Digital 1823 que está no link https://flip.siteseguro.ws/pub/oestadonet/?ipg=anch172081)
Nesse texto (mais amplo publicado no Eswtado do Tapajós) o professor diz que o atraso na aprovação do Estatuto tem a ver com uma suposta:
“Postura intransigente, imatura e até irresponsável de algumas supostas lideranças que parecem apostar no ‘quanto pior melhor’ e na ilusão de que é possível fazer uma revolução com o texto do Estatuto querendo incluir itens incompatíveis com a ordenação jurídica vigente e com isso atrasando ainda mais todo o processo”.
Só uma questão:
– Esse discurso parece ser o discurso do Reitor, porque o ouvimos dos representantes do Reitor sobre a eleição na Universidade (o que preocupa toda a comunidade).
1o. Que a paridade (que foi aprovada no Congresso Estatuinte) é praticada em Universidades. Um exemplo disso é a Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA em que existe paridade. A Universidade possui autonomia para realizar isso. Em que que isso é radicalismo?
– Qual é o ponto que indica radicalismo e intransigência dos que participaram do Congresso Estatuinte?
Portanto querer insinuar que o Reitor não encaminha o Estatuto por conta de supostos radicais é querer tapar o Sol com a peneira.
Bem, sobre isso precisamos ter a noção de que ninguém é perfeito. Não é? É preciso respeitar o ponto de vista do Prof. Anselmo, mas também dizer que ele não está 100% certo em tudo. Afinal no Congresso não existiam apenas radicais. Existiam sim estudantes, professores e técnicos que foram eleitos pelas suas categorias. Portanto é preciso respeitar o processo democrático. Coisa que a Reitoria tem demonstrado dificuldade de fazer.
Apesar disso, a parte do texto que trata sobre a pro-temporaridade excessiva tem total apoio certamente.