
A Ouvidoria-Geral da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), que atua como o canal oficial de reclamações e denúncias da instituição, foi acionada formalmente para apurar denúncias de irregularidades e possíveis violações de direitos ocorridas a bordo do navio-hospital Abaré.
O caso, que envolve relatos de punições humilhantes e vigilância inadequada, chegou ao órgão após uma manifestação pública aberta do Centro Acadêmico de Medicina (Camopa), conforme noticiado pelo JC.
O Abaré funciona como uma unidade de saúde flutuante para o atendimento de populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas da Amazônia, além de servir como espaço prático de formação e pesquisa para estudantes da área da saúde.
Relatos obtidos pelo JC, além da denúncia do Camopa, indicam que o clima no navio tem sido marcado por tensões e decisões consideradas arbitrárias pela comunidade acadêmica.
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Castigo sob o sol e vigilância eletrônica
De acordo com as denúncias enviadas à Ouvidoria, estudantes que participavam das atividades práticas no navio teriam sido submetidos a medidas severas de punição por parte da coordenação administrativa da embarcação. Em um dos episódios relatados, alunos teriam sido obrigados a permanecer por cerca de quatro horas sob o toldo da embarcação (a cobertura externa do barco), sendo impedidos de realizar os atendimentos de saúde que haviam sido planejados.
Outro ponto que gerou forte desconforto entre servidores e alunos foi a instalação de câmeras de monitoramento eletrônico com capacidade de captar áudio e vídeo em diversas áreas do navio.
Segundo os relatos, os equipamentos estariam em funcionamento contínuo, inclusive fora do horário de trabalho, gerando a percepção de invasão de privacidade e vigilância constante no ambiente da embarcação.
Alegações de assédio e ausência de regras oficiais
Além das medidas punitivas contra os estudantes, o caso sob investigação também apura uma denúncia de assédio moral — caracterizado por humilhações repetidas e constrangimentos no ambiente de trabalho.
Uma professora do curso de Medicina teria sido hostilizada pela coordenação administrativa do barco, o que resultou em um forte abalo emocional e na necessidade de atendimento e acolhimento psicossocial (apoio psicológico e assistencial) oferecido por setores de saúde e qualidade de vida da universidade.
De acordo com as denúncias enviadas à Ouvidoria, a embarcação não possui um regimento interno (conjunto de regras oficiais de funcionamento) devidamente publicado ou aprovado por instâncias administrativas superiores.
A falta de normas claras tem permitido, segundo as denúncias, que a coordenação do navio tome decisões de forma direta e sem comunicar as coordenações de curso ou as chefias imediatas dos servidores envolvidos.
A administração do Abaré é de responsabilidade da Rede Integrada de Desenvolvimento Humano (RIDH), vinculada à reitoria da Ufopa, que tem como reitora Aldenize Ruela Xavier.
Contraditório
Até o fechamento desta nova reportagem sobre o caso, a Ufopa não havia se manifestado publicamente sobre as acusações. O JC reforça que este espaço permanece totalmente aberto ao contraditório.
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