Memória: 5 anos sem cinema

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7 Responses to Memória: 5 anos sem cinema

  • O Cinerama sofreu do mesmo fenômeno que os cinemas de outras localidades do país: migraram para os shopping center;
    Ocorre que, como em 2006 nossa cidade de Santarém não possuía seu shopping, ficou de fora do processo que afetava todas as capitais;
    Se serve de consolo, ouvi dizer que o shopping da cidade, o Paraíso, inaugurou uma sala de cinema, com alta tecnologia, um alento para os amantes da sétima arte; agora vamos conferir! pois os mesmos que lamentam hoje a perda do Cinerama, são aqueles que na época de sua existência deixaram de freqüentá-lo, colaborando para seu fechamento, ou melhor, acelerando um processo inevitável.

  • O Cinerama e o cine Olímpia (ou Olympia?) fizeram e fazem parte da minha história e creio que de muitos santarenos. Épicas matadas de aula (que à época chamávamos de “gazetar”), alteração de idade nas carteirinhas escolares pra poder entrar nas sessões “proibidas”, amores achados e amores perdidos no escurinho do cinema, paixões platônicas por maravilhosas artistas e a descoberta da paixão verdadeira pelo cinema como arte. Parafraseando Roberto Carlos, eu me lembro com saudade as tardes de sexta-feira quando íamos pro CDA. Idos dos anos de 1980, oficialmente íamos pra aula, mas na verdade o CDA era o campo de concentração para a sessão das 16:30, onde encontrávamos amigos e paquerávamos as meninas. Crescíamos, literalmente, dentro do cinema. Lá conheci Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Cecil B. DeMille (quem não se lembra das sessões com “overture” de Os Dez Mandamentos e Sansão e Dalila?), George Lucas, Steven Spielberg, entre outros tantos. Lá encontrei com Luke Skywalker, vi Tony Manero dançar e quis imitá-lo, quis ser o Cary Grant para ganhar um beijo da Grace Kelly, sonhei aprender inglês para falar como o James Bond Sean Connery. Dava até vontade de se um “Caçador da Arca Perdida”! Ah, conheci também o “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”.
    Em São Paulo há um movimento pelo tombamento do prédio do Cine Belas Artes como forma de evitar seu fechamento iminente. O movimento é discutível, visto que o prédio em si não tem valor histórico-arquitetônico. Seu tombamento não evita o fechamento do cinema. O fato é que pelo menos existe um movimento. E nós em Santarém, o que fizemos para preservar esse espaço de arte? Só nos resta louvar ao Senhor!

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