A Festa das Flores

Publicado em por em Eventos, Memória

santaremCentro Recreativo (à esq.), a segunda sede do tradicional clube santareno. Foto: Internet

por Sidney Augusto Canto (*)

Sidney Augusto Canto - Blog do JesoO Centro Recreativo, fundado em 25 de outubro de 1934, desde cedo começou a despontar como referência da vida social da elite santarena.

Um dos primeiros bailes organizados pela associação, ainda em sua antiga sede, foi a “Festa das Flores” (hoje conhecida como “Baile de Debutantes), que para sua primeira edição fez correr o convite abaixo:

“O ‘Centro Recreativo’ tem a honra de convidar os associados e Exmas. Famílias, para com sua presença abrilhantarem a “soirée” denominada FESTA DAS FLORES, que levará a efeito em a noite de 29 do mês corrente em sua sede social.

TRAJE OBRIGATÓRIO:
Senhoritas – Branco
Cavalheiros – Branco a rigor ou diner-jacket.
Santarém, 03 de maio de 1937.

A DIRECTORIA

NOTA: Aos associados servirá de ingresso o recibo do mês corrente”.

Do jornal “O Sigma”, que circulou na cidade posterior à realização da festa, podemos extrair a nota abaixo, que nos oferece algumas peculiaridades daquele baile:

“Conforme dissemos em nosso número passado, os salões do grêmio da 15 de Agosto foram transformados em verdadeiro Jardim do Éden, onde cada dama representava uma perfumada angélica e cada cavalheiro um cuidadoso jardineiro.

Coube, por sorteio, à senhorita Dudú Miranda, o prêmio oferecido pela Diretoria do ‘Centro Recreativo’.

As danças prolongaram-se até às 4 horas da manhã.

O ‘Euterpe-Jazz’ como sempre, soube conduzir-se infatigável até o término da festa, muito concorrendo para a sua realização”.

Esta foi a primeira vez que o Centro Recreativo realizou esta festa que contou com especial iluminação, além da utilização de 6 mil flores naturais na ornamentação da antiga sede do clube e serviu para iniciar (e solidificar) sua presença nos bailes recreativos da sociedade santarena.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

* Santareno, é padre diocesano e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós. O artigo faz parte da obra inédita “Santarém: história e curiosidades”, de autoria dele e cujo cujo conteúdo passou a ser publicado neste blog desde domingo (4).


Publicado por:

5 Responses to A Festa das Flores

  • Nesse tempo, havia realmente uma separação social muito grande da elite e a pobreza. Nos anos 60, eu passava aí na frente, olhava com certa curiosidade enquanto tomava meu rala-rala, e nem imaginava o que ocorria aí dentro. Só se falava que era coisa de gente rica…
    Mas faz parte de nossa história, e os tempos mudaram…
    A história é assim mesmo, um dia, o que fazemos hoje, será lembrado com saudosismo e as vezes até com revolta.
    Assim caminha a humanidade na sua sina universal…

  • Que relíquia de foto! Independente do abismo entre as classes sociais, o que pesa é o registro histórico do fato, e a imagem espiritual que se pode ter de uma Santarém plantada no passado e o acerto da revitalização de um clube que, como a Matriz e o Cinema do Loureiro, tornaram-se emblemáticos para a trajetória da cidade. Só faltou o Bar Mascote e seu jasmineiro.

  • Muito legal esse retrato da realidade santarena, naquela época, 3 de maio de 1937. Note-se que o Rio Tapajós, cheio, suas águas chegavam na lateral da 15 de Agosto, em frente do Clube Recreativo e do Templo da Igreja Matriz. Hoje, 07 de maio de 2014, as águas do Tapajós ainda está chegando em parte da Lameira Bitencourt. O homem avançou o espaço da natureza avançando sobre a praia do Rio, construindo a Avenida Tapajós e agora na Cheia do Rio sofre as consequências. A natureza não perdoa!

  • Não sei porque se importar tanto com essas festas sociais que só mostram a discrepância existente entre ricos e pobres. Bem se vê que esses clubes são somente ostentação para as famílias abastadas. Meninas da periferia de pais assalariados ou que tem um subemprego nunca tem uma festa dessa.

    1. Matheus, tais festas serviram/servem – daí a importância de se conhecer a história de um povo – para que pudesses escrever essa crítica, essa oportuna observação entre o hoje e o ontem, numa práxis recomendável por todos os pregam a leitura como instrumento de crescimento intelectual.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *