
A China está ativamente “abrindo as portas para exportações do Brasil” e sugerindo produtos como o açaí, em resposta a ameaças tarifárias dos Estados Unidos e em um contexto de “guerra comercial”. Essa iniciativa, segundo o jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (8), impulsiona uma articulação estratégica entre os membros originais do grupo Brics.
Diante das sobretaxas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, a China demonstrou um movimento estratégico. No mesmo dia do anúncio das tarifas americanas, a Embaixada da China divulgou a habilitação de 183 empresas brasileiras de café para exportação.
Açaí em pó
Além do café, a embaixada busca habilitar mais produtos, incluindo carne, que também foi tarifada pelos EUA. Para promover o comércio, a embaixada utiliza mídias sociais, mencionando “Churrasco na China?” e listando restaurantes de rodízio, além de fornecer orientações sobre vendas online e feiras de comércio.
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A mensagem chinesa é clara: suas “portas estão abertas para os produtos brasileiros”, com o “comércio eletrônico” sendo a ponte, e o interesse explícito em “Café? Própolis? Açaí em pó? É óbvio!”.
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O interesse da China no açaí é particularmente notável. A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos) já realiza campanhas de marketing direcionadas na China desde a visita do presidente Lula em maio.
Especificamente, foram feitas campanhas com café, em parceria com a rede Luckin, e com açaí, em colaboração com a rede Mixue. Isso indica que o açaí não é apenas uma sugestão, mas um produto com iniciativas de marketing ativas para sua inserção no mercado chinês.
Em defesa da soberania e dignidade
Essas ações comerciais se inserem numa relação estratégica em aprofundamento entre Brasil e China. Um telefonema entre Celso Amorim, assessor especial da Presidência, e Wang Yi, chanceler chinês, reforçou a natureza estratégica da parceria.
Wang Yi afirmou o apoio da China ao Brasil para “compensar as incertezas externas com a estabilidade e a complementaridade da cooperação bilateral”, guiada pelos presidentes Xi Jinping e Lula. Ele enfatizou que a China “apoia firmemente o Brasil na defesa do seu direito ao desenvolvimento e na resistência à prática intimidatória de tarifas abusivas” dos EUA, referida como “bullying”.
Em chinês, Wang Yi foi ainda mais explícito, apoiando a “defesa da soberania e da dignidade nacional” do Brasil e opondo-se à “interferência irracional nos assuntos internos”.

Sanções americanas
A importância do grupo Brics é central nas discussões de alto nível. Wang Yi apoiou o Brasil na “consolidação da solidariedade e da cooperação no Sul Global através do mecanismo Brics”.
Amorim ressaltou a “importância dos Brics” e o interesse em manter contato em nível alto entre os líderes, mencionando agendamentos de conversas entre Lula, Xi e Modi. A reaproximação entre China e Índia é vista como muito importante, sendo a “origem dos Brics” e uma relação que o Brasil deseja consolidar.
A China surge como uma alternativa crucial para os produtos brasileiros diante das “sanções americanas”. Amorim destacou a queda da participação dos EUA no comércio brasileiro, de 25% há 25 anos para 12% atualmente, em grande parte devido aos Brics e à China.
Dados do Ibre/FGV confirmam essa queda de 24,4% em 2001 para 12,2% em 2024. Embora a diversificação tradicionalmente seja baixa para a China devido à estabilidade de produtos como minério de ferro, soja e petróleo na pauta, a entrada de produtos como café e açaí pode “alterar o quadro”.
Com informações da FSP
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