Para entender o jogo geopolítico no Oriente Médio: EUA x Irã. Por Válber Pires

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Para entender o jogo geopolítico no Oriente Médio: EUA x Irã. Por Válber Pires
Irã sob bombardeio duplo dos EUA e Israel. Foto: reprodução

Por que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait não apoiam o Irã contra os EUA e Israel? Essa foi uma pergunta dirigida a mim por um amigo. Para quem lê O Choque de Civilizações, do Samuel Huntington, essa aliança entre países muçulmanos deveria ser inevitável na atualidade. Mas, as teorias identitárias possuem limites práticos intransponíveis.

O jogo de poder e de interesses no Oriente Médio é muito complexo. Para entender o comportamento desses países, primeiro, é preciso observar que eles são governados por uma maioria sunita que, para manter seu poder, governa através do autoritarismo contra a minoria xiita.

O Irã, de maioria xiita, representa uma ameaça simbólica e política para esses países, por haver temor pela expansão da ala xiita entre a população. Neste sentido, o Irã simboliza exatamente a revanche dos oprimidos contra os opressores.

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Depois, há de se entender que a maior parte das relações econômicas e militares desses países se dá com os EUA e seus aliados europeus. Neste caso, as amarras, os acordos e os interesses econômicos e estratégicos desses países os compelem a aceitar o jogo geopolítico estadunidense nessa região.

Por fim, em termos estritamente geopolíticos, é importante não perder de vista que, para além do petróleo iraniano, sem dúvida central nesse tabuleiro de conflitos, os EUA estão em disputa estratégica acirrada contra a China, a Rússia e os BRICS, únicos países e bloco de países a desafiar, verdadeiramente, a hegemonia econômica, geopolítica e militar global norte-americana.

E o Irã é econômica e militarmente estratégico para estes dois países no Oriente Médio tanto quanto como membro dos BRICS: é um importante player da Nova Rota da Seda da China, é ideologicamente avesso ao ocidentalismo euroamericano, é resistência militar e geopolítica.

Logo, o que temos é um caldeirão de interesses que ultrapassa o aspecto meramente petrolífero e as identidades culturais. Esqueçamos, portanto, O Choque de Civilizações, do Samuel Huntington, ou a aliança civilizacional, que seria seu reverso: os interesses políticos e geopolíticos, econômicos e militares práticos continuam ditando as regras das relações internacionais lá e por toda parte do mundo.

Parafraseando John Foster Dulles: as relações internacionais não são ditadas por regras de amizade ou afinidades culturais, mas por interesses práticos das elites econômicas, militares e políticas.

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∎ Válber de Almeida Pires, paraense, é doutor em sociologia. Escreve regularmente no JCLeia também delePerigo: médicos brasileiros se declaram negacionistas e terraplanistas. E aindaO poder evangélico nas investidas sobre os conselhos tutelares. E maisA democracia burguesa de Lula em ruínas.

∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.

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