A agressão de Trump é sintoma da decadência de um império, e não da “ditadura” de Maduro. Por Marlon Kauã Cardoso

Publicado em por em Internacional, Opinião, Política

 A Venezuela, como se sabe, é a maior reserva de petróleo do mundo. Os Estados Unidos, por sua vez, configuram-se como um país imperialista em decadência. A estratégia de Donald Trump, desde que reassumiu a presidência, é administrar essa crise, isto é, tornar a América Grande de Novo (“Make America Great” – MAGA).

Um dos motivos, dentre outros, da crise norte-americana está associada a decadência de sua indústria automobilística que, com a emergência dos carros elétricos chineses, enfrenta a queda na demanda por automóveis elétricos; os altos custos de produção; os impactos de tarifas; a perda de competitividade global; e as incertezas de investimentos.

∎ Leia também de Marlon Kauã: Ideologia e a falsificação da realidade sobre a criminalidade na sociedade. e ainda: A lei de acumulação capitalista, detalhada por Marx, impõe-se de forma objetiva sobre os jovens.

Grosso modo, a indústria automobilística, subsidiada pelo combustível fóssil, tem seus custos de produção mais caros se comprados a indústria automobilística de matriz elétrica chinesa, além de sofrer forte pressão da comunidade internacional pelas emissões dos Gases de Efeitos Estufa (GEEs).

É nesse sentido que a intervenção norte-americana, nesta madrugada (03 de janeiro de 2026), deve ser interpretada: como tentativa do capitalismo, em sua fase superior imperialista, parafraseando Lênin, de salvar a si mesmo de sua própria decadência.

As insinuações messiânicas do fascismo trumpista em libertar a Venezuela do narcotráfico e da ditadura de Maduro são, dessa forma, manifestações ideológicas que buscam seduzir, através dos aparelhos ideológicos do capital, corações e mentes à propaganda ianque no fito de obscurecer o real interesse do império: o petróleo.

A chave moral: ditadura versus democracia é fraca e não explica os atuais processos geopolíticos. Assim, as razões da agressão dos EUA à Venezuela possuem bases materiais e concretas.

Enquanto o mundo discute transição energética, Trump reposiciona o império na divisão internacional do trabalho com o uso da força para reindustrializar o país através do combustível fóssil venezuelano. Força, negacionismo e fascismo são os signos dos Estados Unidos da América atualmente.

Em suma, as agressões de Trump à Venezuela, mas também ao Sul Global, são sinalizações para o mundo globalizado de que os EUA continuaram a ser o centro da Economia-Mundo – para usar o arquétipo geohistórico da Escola dos Annales – às custas da destruição da própria Economia-Mundo e da espoliação do petróleo de países como Irã e Venezuela.

Trump afirma, com suas ações, a identidade dos ianques vis-à-vis sistema-mundo, a saber: a de ser e continuar sendo um Estado Militarista.


∎ Marlon Kauã Silva Cardoso é sociólogo. Com formação em Ciências Sociais (UEPA), fez mestrado em Sociologia (UFPA/PPGSA) e, atualmente, é doutorando em Sociologia (UFPA/PPGSA).

∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.

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