Coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo:
São Paulo ficou em segundo lugar em um ranking global de honestidade realizado pela “Reader’s Digest”.
Para a pesquisa foram deixadas 12 carteiras em diversos pontos de 16 cidades pelo mundo, com uma quantia equivalente a R$ 100, cartão com telefone para contato e fotos de família.
Na capital paulista foram devolvidas nove carteiras, o que coloca o Brasil à frente de Alemanha, Inglaterra e Suíça, e atrás apenas de Helsinque (Finlândia).
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Jeso,
Esse tipo de levantamento de campo derruba a tese do país do jeitinho. O povo é sábio, trabalhador e honesto. Precisa avançar ainda, nos limites do contexto e da história, no aprimoramento da democracia, no uso racional da consciência na hora de votar e eleger seus representantes.
A colega que comentou aqui só esqueceu de um detalhe: nenhum político é investido, em nenhum cargo público – de vereador a presidente da República – por concurso público. Todos e todas são eleitos, por voto universal e direto. Portanto, o poder de fazer uma limpa na área está nas nossas mãos, dos cidadãos e cidadãs que votam. Os mesmos que em Sampa, em 9 de 10 situações devolveram o dinheiro, cartões e documentos como o post nos informa.
Essa reflexão precisa ser ampliada e aprofundada. Afinal, nenhum partido tem o monopólio da ética e da honestidade. Aos 53 anos de estrada, não deixe de sonhar com um país cada vez mais democrático, socialmente justo e generoso com seus filhos. Se cada um de nós votar num representante honesto e de conduta ética reconhecida já estará fazendo sua parte, de verdade.
Saludos,
Samuca
Samuel, reconheço que seus comentários são significativamente interessantes. Mas, ouso em discordar parcialmente deste último.
Considero assombroso o povo brasileiro, como o senhor, no caso, crer que “voto”, “escolha de representante” fazem parte da solução para o país.
O fio da meada é o sistema. Neste caso, o eleitoral e político. Não adianta atacar os arrancar os braços do sistema, eles nascerão novamente como um câncer maligno.
O sistema eleitoral é impressionantemente sedutor e alienador. A dita “participação democrática pelo voto universal” é o cerne da conquista.
Ninguém ousa em discutir outro modo de representação, como a representação direta, onde todos fariam parte da política (sublinho: isso ainda nem foi bem discutido, por isso, não lançarei aqui propostas).
Como já ouvi alguém falar: Nunca mais darei meu “voto” para alguém que vai ganhar muito mais do que eu. E isso, é apenas uma, repito, apenas uma justificativa porque agora só VOTO NULO.
A reforma política é algo fundamental, não tenho dúvida. E precisa ser feita, na radicalidade que a situação exige – as manifestações de junho deixaram isso tão claro quanto água de igarapé (despoluído, é claro).
A ideia do voto nulo, enquanto catarse, dá pra entender. Contudo, seu voto nulo vai manter o status quo como tal. Prefiro ir caminhando, amadurecendo a via democrática, do que pré-julgar de antemão que ninguém presta (no campo da política) e abrir meu de meu poder de decidir quem irá ocupar esses espaços públicos.
O seu voto nulo acabará por legitimar a eleição dos picaretas, de todos os matizes ideológicos, que infestam a vida pública do país. A eficácia dessa proposta é igualmente nula, caro ou cara. Vai do nada a lugar nenhum do ponto de vista histórico.
Com todo respeito,
Samuca
A reforma política é sim fundamental, porém não essa encampada pela OAB e organizações civis que não querem discutir a obrigatoriedade do voto, têm medo que serem vencidos. Eles sim necessitam manter o status quo.
Para “amadurecer a via democrática” pelo voto, creio que não é esse o caminho. Ora, não é votando no meu vizinho, ético que conheço, que vou estar “fazendo a minha” parte. Prefiro cutucar o sistema e não entrar no jogo alienante, com propagandas dizendo que “eu sou o poder”, “somos guerreiros” e essa bobagem toda.
Veja você em todas as propagandas eleitorais, repito, todas, você nunca vê a opção do voto Branco e do Nulo. Pergunto-lhe, por que será? Que diabos de “amadurecimento de democracia é essa” que o próprio TSE oculta essas alternativas.
Que impedir os picaretas de chegarem ao tal vampiresco poder? Como, com o tempo de propaganda eleitoral desigual… Veja o exemplo para presidenciáveis, os nanicos têm no máximo um minuto, enquanto os múmias têm uns dez minutos.
Concluo dizendo que o voto nulo tem mais eficácia, por ser mais próximo, possível e quase imediato, do que sonhar com uma sociedade socialista (a qual não excluo).
Meus respeitos.
Todos sabem que a super maioria da população é honesta. Pois, os principais desvios de ética (e outros desvios) se encontram nas categorias profissionais e políticas que possuem um código de ética positivado. Não é mesmo caros políticos?