Anulada sentença que absolveu delegado da PF acusado de executar  Munduruku
A morte do indígena ocorreu durante a operação Eldorado

O TRF1 (Tribunal Regional Federal), da 1ª Região, em Brasília (DF), anulou a sentença que absolveu o delegado da Polícia Federal Antônio Carlos Moriel Sanches, acusado de executar um indígena Munduruku em território paraense.

O episódio ocorreu durante a operação Eldorado, em 2012, que combatia garimpos clandestinos nas terras indígenas Munduruku e Kayabi, no Pará, próximo à divisa com Mato Grosso. Moriel coordenava a ação policial.

Adenilson Kirixi Munduruku, tesoureiro da aldeia Teles Pires, morreu ao levar um tiro na cabeça, pelas costas, depois de ser baleado três vezes nas pernas por Moriel. O corpo do indígena, que caiu no rio, só foi encontrado no dia seguinte. O crime aconteceu em 7 de novembro de 2012, na aldeia Teles Pires.

 

O caso ganhou repercussão nacional.

Denunciado pelo MPF na Justiça Federal em Itaituba, oeste do Pará, o delegado da PF foi absolvido, sumariamente, em 2014. O MPF recorreu da sentença.

https://2.bp.blogspot.com/-__C_pq3tThQ/XRTBCBndFbI/AAAAAAAAcFA/zVbc9aHT0yAS08Oa6_oixWfDBu0sPB8WgCLcBGAs/s1600/Moriel%2B-%2Bfoto.jpg
Delegado Antônio Moriel Sanches

O TRF1 acatou o recurso de apelação e anulou a decisão favorável ao policial, nos termos do voto do relator, desembargador Hilton Queiroz.

Há cerca de 25 dias foi publicado no Diário de Justiça o acórdão (sentença colegiada).

“Observo que, finalizado o sumário de culpa, para o magistrado absolver sumariamente o réu, necessário se faz a demonstração de manifesta causa excludente de ilicitude, e, na hipótese dos autos, não vislumbro, neste momento, manifestamente configurada a legítima defesa, como entendeu o juízo a quo [de 1ª instância], considerando que a peça acusatória narra que o denunciado, com dolo de matar, efetuou 3 disparos em direção à vítima, atingindo-a nas pernas e levando-a a cair no rio”, escreveu Hilton Queiroz no seu voto.

Moriel será submetido a novo julgamento. Desta vez deve enfrentar o júri popular.

Leia a íntegra do voto do desembargador Hilton Queiroz.

→ LEIA também: Prefeito de Itaituba incita população a receber equipe da Funai “à bala”; MPF investiga

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

3 Comentários em: Anulada sentença que absolveu delegado da PF acusado de executar Munduruku

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Walter Tertulino disse:

    O princípio da justica se configura nessa decisão, pois dizer que atirou em legitima defesa demonstra somente que esse delegado no minimo nao ppreparo para resolver conflito algum ja que executou o pobre indigena à queima roupa que estava apenas munido de um pedaço de pau. CRIME COVARDE que nao pode ficar impune. Mesmo queestivesse sobre ameaça e nao estava o que se viu foi o excessivo uso da força. Como conter um indio com um simples pedaco de pau com tres tiros letais. O tiro na perna ja imobilizou o indigena pois o tiro destroçou a perna dele é pra que outros mais dois tiros sendo o de misericórdia na cabeça?
    A vitima Adenilson Kirixi era o mantenedor de numerosa prole que vive hoje da caridade dos parentes vitimado por um servidor publico federal. Até hoje o que a merda da Funai fez para que esse cruel assassinato tivesse reparação por irreparáveis danos causados à família e à cultura da etnia munduruku? Na familia acentuou-se a miseria devido o mantenedor ter sido martirizado. QUEM PAGA POR ISSO?

    1. Jeso Carneiro disse:

      Comentário eloquente e, concomitantemente, devastador.

  • Walter Tertulino disse:

    O princípio da justica se configura nessa decisão, pois dizer que atirou em legitima defesa demonstra somente que esse delegado no minimo nao ppreparo para resolver conflito algum ja que executou o pobre indigena à queima roupa que estava apenas munido de um pedaço de pau. CRIME COVARDE que nao pode ficar impune. Mesmo queestivesse sobre ameaça e nao estava o que se viu foi o excessivo uso da força. Como conter um indio com um simples pedaco de pau com tres tiros letais. O tiro na perna ja imobilizou o indigena pois o tiro destroçou a perna dele é pra que outros mais dois tiros sendo o de misericórdia na cabeça?
    A vitima Adenilson Kirixi era o mantenedor de numerosa prole que vive hoje da caridade dos parentes vitimado por um servidor publico federal. Até hoje o que a merda da Funai fez para que esse cruel assassinato tivesse reparação por irreparáveis danos causados à família e à cultura da etnia munduruku? Na familia acentuou-se a miseria devido o mantenedor ter sido martirizado. QUEM PAGA POR ISSO?