Memória – Rural, 46 anos

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Foto: Arquivo Gazeta de Santarém
Rádio Rural

A foto é o registro da inauguração da estação de onda tropical de 10 kwa da Rádio Rural AM, no bairro do Livramento, em 1978.

Nela aparecem:
1 – Natalino Sousa, funcionário da emissora à época;
2 – Manuel Dutra, gerente da emissora à época;
3 – Antônio Guerreiro, prefeito de Santarém;
4 – Dom Alberto Ramos, arcebispo de Belém;
5 – Leal di Sousa, radialista;
6 – Dom Tiago, bispo de Santarém;
7 – Antônio Pereira, professor e ex-vereador santareno;
8 – Zuíla Dutra, esposa do jornalista Manuel Dutra.

Anos depois, essa estação foi desativada. Hoje, funciona no Seminário Pio X.

Por que o arcebispo de Belém aparece na foto?

Manuel Dutra explica:

– Ele era o dono de direito Rádio Rural, na qualidade de sócio cotista majoritário, com o título de diretor-presidente. O segundo sócio era o arcebispo de Manaus, dom João de Souza Lima, também já falecido, que era o segundo sócio cotista, e com o título de diretor-superintendente. Eu era o diretor-gerente, isto é, era procurador de ambos, dom Alberto e dom João. Isso tudo porque a radiodifusão, no Brasil, não pode ser propriedade de pessoa nascida no estrangeiro, caso do dom Tiago, que era, na realidade, o dono, que arrranjava recursos para construir e manter a rádio. Quem comprou e doou para a Rádio Rural esse novo transmissor foi um irmão de dom Tiago, que era funcionário da Coca-Cola, em Chicago (EUA).


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12 Responses to Memória – Rural, 46 anos

  • Gil, mano velho!

    Posso te falar apenas um detalhe, que era uma das minhas atribuições quando trabalhei na Rural, por breve tempo. Eu ajudava a D. Glória e o Eduardo no atendimento de balcão (comercial) e datilografava um mapa geral do Comercial da emissora, e juntamente levava, todo santo dia, aquele mapa imenso (que era produzido numa máquina de escrever manual num carro gigante) outro com a programação musical (da inesquecível Maria dos Remédios, a MDR) à delegacia da Polícia Federal – à época localizada na travessa dos Martíres. Os caras mal olhavam na nossa cara e tascavam o carimbo: “Liberado”.

    Enfim, Cabo, era o crivo da censura e da ditadura, cotidianamente. Lembro de outros episódios nos quais os milicos tentaram dar as cartas e censurar conteúdos, contudo tiveram em D. Tiago uma santa e digníssima oposição.

    Abração, cabôco.

    Samuca

  • Ainda hôje, a nossa querida Radio Rural é orgulho para nós Santarenos. gostaria nesta data, felicitar a todos que fazem da Rádio Rural um patrimônio genuinamente nosso. com uma programação diversificada e acima de tudo com imparcialidade, nos fatos divulgados e noticiados. Parabens Ràdio Rural para que esses 45 anos, somem-se á mais 45 e assim por diante.

  • Jeso,

    Posso estar enganado, mas a foto 7, identificada como sendo o professor Antonio Pereira, parece ser do Edinaldo Mota, que nessa época comandava o seu Papo Informal.
    Tenho boas recordações desse período quando ingressei na Rádio Rural, primeiro como operador de áudio (inclusive do Leal di Sousa), depois como locutor (Parada Social, Correspondente Rural, Programa da Tarde e Fim de Noite), repórter e redator.

    Ibanês

    1. Não me parece o Edinaldo. Mas vc. levantou a questão. Com a palavra, os personagens ainda sem o “x” na foto.

  • Manuel e Jeso,

    Um fragmento da história do radiojornalismo (e do próprio jornalismo) e das comunicações em Santarém está imortalizado nessa imagem. Todos nós que trabalhamos no meio devemos reverência a esses caras (na foto representados por Dutra, Natalino e Leal), profissionais de competência e compromisso com o interesse público. De D. Alberto Ramos, abstenho-me de comentar.
    Do bispo Dom Tiago, que conheci e convivi já nos meus tempos de CDA, guardo as melhores lembranças de um ser humano de altíssima dignidade e senso de humanidade incomum: um verdadeiro missionário.

    Abraços fraternos,

    Samuca

  • Jeso, ao olhar para essa foto, lembro-me do romance de Gabriel García Márquez, “Memória de minhas putas tristes”, quando ele, já com 90 anos, retorna à redação do jornal onde trabalhara ainda jovem. Numa das paredes, ele procurou uma antiga foto onde aparecem todos os jornalistas que com ele haviam trabalhado décadas atrás. Aos poucos, vai percebendo que grande parte das fotos de seus ex-colegas está marcada com “x” na testa. Então, o já famoso romancista procura a sua própria figura em meio aos demais e desabafa: Ainda bem, na minha testa ainda não riscaram um “x”.

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