A unidade da esquerda em Belém em pleno curso. Por Karol Cavalcante
Ato de partidos de esquerda em Belém em favor da educação. Foto: Jean Brito

O Diretório do PT de Belém decidiu na noite de sábado (27/06), por 35 a 10 votos, apoiar a pré-candidatura do Deputado Federal Edmilson Rodrigues (PSOL) à Prefeitura de Belém.

Edmilson foi prefeito de Belém por dois mandatos pelo PT (1997 a 2004) e sua candidatura representa, hoje, a possibilidade da consolidação de uma frente ampla, envolvendo partidos, intelectuais e setores da sociedade comprometidos com a luta antifascista.

Karol Cavalcante *

A decisão do Diretório se deu após um longo processo de debate interno que envolveu a participação de mais de 600 filiados. Pela primeira vez o PT da capital, que sempre resistiu a novos modelos de organização partidária, realizou encontros virtuais.

Cerca de 1 mil filiados se manifestaram pela convocação de participar dos eventos virtuais e 600 filiados e filiadas tiveram a oportunidade de debater qual a melhor tática eleitoral para o PT de Belém. Foram realizados oito congressos distritais e dois seminários sobre juventude e mulheres que culminaram com o congresso municipal que reuniu mais de 130 delegados eleitos.

Duas posições foram defendidas internamente, a de apoio à secretária estadual de Cultura, Úrsula Vidal (PODEMOS), e do apoio a Edmilson Rodrigues (PSOL).

Além da aprovação por ampla maioria de apoio a Edmílson, o PT aprovou, também, o nome da ex-vereadora de Belém, Ivanise Gasparim, para representar o partido como candidata a vice-prefeita.

 

Belém é a principal cidade do Norte do Brasil, com 990.470 eleitores. Nas três últimas eleições, municipal e nacional, candidaturas de esquerda foram rejeitadas pelo eleitor da capital, evidenciando um certo conservadorismo do eleitor de Belém.

Em 2018, por exemplo, Fernando Haddad que venceu no Pará, obteve apenas 22,30% dos votos no primeiro turno em Belém, enquanto Jair Bolsonaro obteve 43,18%. Já no segundo turno, Haddad também perdeu a eleição na capital, desta vez com uma diferença menor com 45,07% para Haddad e 54,93% para Jair Bolsonaro.

Essa será a primeira vez que PT e PSOL marcharão juntos em uma candidatura para a Prefeitura de Belém, já que em 2012 e 2016, Edmilson foi candidato sem o apoio do PT que lançou candidatura própria nesses pleitos.

Para além de PT e PDT (que já confirmaram participação na aliança liderada por Edmilson), são reais as chances de outros 4 partidos participarem dessa frente.

Com um leque de aliança competitiva e que representa o conjunto dos setores de oposição ao governo municipal de Zenaldo Coutinho (PSDB) e a Bolsonaro, as eleições 2020 em Belém poderá ser polarizada contra o candidato da direita representado pelo PSDB e o candidato do campo da extrema direita que deve aglutinar setores ideologicamente alinhados ao bolsonarismo.

A opção do PT da capital em construir uma frente de esquerda com Edmílson Rodrigues liderando, possibilitará a oxigenação do partido.

Em Belém, o PT vem sofrendo um declínio eleitoral nas últimas eleições, fruto do seu afastamento das lutas sociais, de uma política organizativa que protagonize a participação da base militante e de uma política de aliança equivocada que vem sendo aplicada pelas forças políticas majoritárias que há anos exercem o controle burocrático do partido no Pará.

 

O processo vivido pelo PT Belém com os novos mecanismos de participação virtual, inaugurou um novo modelo de participação militante, rompendo com antigas e cansativas formas presenciais. De forma surpreendente e inédita conseguiu atingir centenas de militantes que se apresentaram para ter voz e vez num processo de escuta que poderá significar uma mudança de cultura política e organizativa.


— * Karol Cavalcante é socióloga e mestra Ciência Política. Milita no PT.

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