Academia Santarena de Direito vai atuar na defesa da emancipação do Tapajós, afirma presidente

Publicado em por em Pará, Santarém

Academia Santarena de Direito vai atuar na defesa da emancipação do Tapajós, afirma presidente
José Ronaldo Campos na entrevista à TV JC. Foto reprodução: vídeo

Há poucos dias, Santarém (PA) acompanhou a posse dos primeiros membros da recém-criada Academia Santarena de Direito (ASD). Em entrevista à TV JC, o presidente da nova instituição, advogado e ex-presidente da OAB José Ronaldo Dias Campos, destacou que a entidade não será apenas um espaço de debates teóricos, mas uma força institucional ativa na defesa dos interesses da região.

Entre as principais bandeiras políticas encampadas pela academia estão a luta pela criação do Estado do Tapajós e a construção de um hospital de referência no município.

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A fundação da ASD reflete um movimento de descentralização e valorização do interior do Pará. Segundo José Ronaldo, um município com a força e a população de Santarém não pode continuar subordinado exclusivamente às decisões da capital paraense. A academia, portanto, usará seu peso representativo para encampar causas históricas.

“Nós vivemos sempre dependendo da metrópole. Eu acho que já é tempo da gente pensar nessas grandezas que vão nos representar, que vão nos dar força para lutar até pela nossa emancipação”, declarou o presidente. Ele reforçou ser um defensor do “divórcio” amigável com o Pará para que a região possa administrar o seu próprio território.

Pluralidade e presença feminina

Embora o estatuto projete a academia para 40 cadeiras, os trabalhos iniciaram com 33 membros fundadores. O grupo não se restringe a advogados. José Ronaldo explica que buscou formar uma equipe eclética, composta por “agentes do direito” — termo que ele prefere usar no lugar de operadores —, o que inclui juízes, promotores, procuradores, desembargadores, delegados de polícia e representantes de universidades locais.

Outro diferencial na composição é o espaço garantido às mulheres.

“Fiz questão de trazer as mulheres para a academia”, frisou o advogado. Ele ressaltou que a única dificuldade no processo foi encontrar nomes femininos históricos para batizar as cadeiras, um reflexo do cenário antigo da profissão.

Para integrar a ASD, exige-se que o profissional tenha ao menos 10 anos de carreira.

O objetivo é reunir experiência e servir de bússola moral para os mais jovens. “Eu vejo a academia como um guardião de pessoas que já têm uma certa maturidade e sabem conduzir a profissão com ética, principalmente”, explicou.

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Apesar de o quadro ser formado por profissionais experientes, o presidente garantiu que a instituição não ficará engessada. O mandato da presidência é de dois anos, e ele próprio já descartou a possibilidade de reeleição. “Vamos oxigenar sempre a academia, mudança é bom”, assegurou.

Resgate da memória

A ASD também tem o papel de preservar a memória de grandes figuras locais. Cada cadeira é apadrinhada por um patrono. A cadeira de número um, por exemplo, ocupada por José Ronaldo, homenageia o histórico advogado Silvério Sirotheau Corrêa. Profissionais de grande destaque recente, como Roberto Vinhote (o Beto Cebola) e José Airton Portela, também foram eternizados como patronos na recém-criada academia.

A conversa com o jornalista Jeso Carneiro também abordou os bastidores da cerimônia de posse, que reuniu cerca de 300 pessoas, e as próximas parcerias culturais e literárias da entidade no estado.

Abaixo, a íntegra da entrevista.

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