Da Amazônia para Amazônia: a rota da paraense Nair Lima em busca do conhecimento

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Da Amazônia para Amazônia: a rota da paraense Nair Santos em busca do conhecimento
Nair, à frente, esposo e dois dos três filhos do casal. Fotos: álbum familiar

A trajetória de Nair Santos Lima é desenhada por rios, estradas e, acima de tudo, pela persistência acadêmica. Natural do Pará, ela fincou raízes em Manaus em 2011, movida pelo desejo de cursar o mestrado em Ciências da Comunicação.

Para entender a doutora de hoje, contudo, é preciso voltar às poeirentas estradas do oeste paraense.

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O início em Belterra
e o despertar em Santarém

A saga dela começou em Belterra, onde viveu até os 12 anos acompanhando o pai, funcionário público transferido para a região. A mudança para Santarém veio logo em seguida, ditada pela necessidade de estudos do irmão mais velho.

Na Pérola do Tapajós, Nair frequentou a Escola Aparecida e o Colégio São Raimundo Nonato, antes de seguir para a capital, Belém, para concluir o ensino básico no tradicional Paes de Carvalho e ingressar na UFPA (Universidade Federal do Para).

De origem simples, conheceu cedo o valor do trabalho. Seu primeiro emprego, em uma farmácia, exigiu a responsabilidade de decifrar receituários médicos complexos. A vida acadêmica, contudo, cobrou seu preço: quando as aulas na universidade começaram, ela precisou escolher entre o balcão e os livros. Optou pelo saber.

● Leia também: Um pé na Ilha da Magia e o coração na Pérola do Tapajós: a trajetória de Lairton Sena.

Após a graduação, retornou a Santarém, onde construiu família e trabalhou por 15 anos. A privatização da holding Telebras, nos anos 1990, forçou uma mudança de rota. Nair chegou a empreender com um armarinho de aviamentos por cinco anos, mas o sentimento de deslocamento era constante. O coração ainda batia pelo estudo.

Nair nasceu em Belterra e atualmente mora em Manaus
Pós-graduação,
a virada

A virada veio com um convite para a pós-graduação e o apoio fundamental da professora Irene Escher. “Minha orientadora me deu o suporte quando pensei em trancar – possibilitou um trabalho a fim de custear as despesas”, relembra.

Pouco depois, vencia a resistência interna e ingressava no corpo docente das Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), sob o incentivo do diretor Hélvio Arruda.

A jornada rumo ao título de mestre foi um salto no escuro. Nair abriu mão da estabilidade profissional por uma única bolsa de estudos de um salário mínimo. “Foi um momento de risco. Eu havia começado o mestrado e não queria perdê-lo porque a prova tinha sido difícil”, pontua.

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A partir dessa decisão, a família se reuniu em Manaus. Lá, lecionou por 5 anos até alcançar o doutorado. Sua pesquisa sobre os espetáculos culturais amazônicos no PPGCOM consolidou uma visão humanista da comunicação. Para ela, a área não foi apenas uma escolha profissional, mas um acolhimento.

Maturidade, fé e família:
há um tempo certo

Com 39 anos de união matrimonial, 3 filhos e 2 netos, Nair encontra na vida doméstica um refúgio prazeroso. Cristã convicta, credita toda a sua trajetória à atuação divina.

“Em síntese, o surgimento da vida é um ato comunicativo e, enquanto vivermos, nos mantemos em comunicação, de uma forma ou de outra”, reflete.

Para os que buscam sabedoria, ela aponta para o Livro de Eclesiastes e para os versos da canção “Turn! Turn! Turn!”, da banda The Byrds: há um tempo certo para todas as coisas debaixo do céu.

Acima, Nair e a amiga santarena Flávia; abaixo, Nair e mais amigas santarenas residentes em Manaus

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