Elita Beltrão e Ândreo Rasera são pontos fora da curva: não têm familiares na prefeitura e Câmara

Publicado em por em Pará, Política, Santarém

Elita Beltrão e Ândreo Rasera são pontos fora da curva: não têm familiares na prefeitura e Câmara
Ândreo Rasera (PL) e Elita Beltrão (REP), sem parentes no serviço público municipal. Fotos: reprodução

Esta matéria não é sobre nepotismo. É sobre a ausência dele. Em 12 dias de investigação, o JC apurou casos envolvendo 9 vereadores de Santarém (PA) com familiares em cargos comissionados na prefeitura ou na Câmara, em tese enquadrados na vedação da Súmula Vinculante 13 do STF (Supremo Tribunal Federal).

A série não é uma caça às bruxas — é jornalismo investigativo. E jornalismo investigativo exige registrar também o que não encontrou.

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Os vereadores Elita Beltrão (REP) e Ândreo Rasera (PL) foram investigados pelo JC com os mesmos critérios aplicados a todos os demais parlamentares da Câmara de Santarém. O portal cruzou dados do Portal de Transparência da prefeitura e da Câmara com os vínculos familiares de cada um.

O resultado: nenhum parente em flagrante de nepotismo foi identificado em nenhum dos dois casos. São os primeiros pontos fora da curva da série.

Quem são os dois parlamentares

Elita Beltrão (REP) foi eleita vereadora pela primeira vez em outubro de 2024, com 2.570 votos. É pedagoga e geógrafa e, diferentemente da maioria dos parlamentares identificados na série, também é servidora pública federal concursada.

Integra a Mesa Diretora da Câmara como 4ª secretária. Sua formação acadêmica e seu vínculo funcional preexistente com o serviço público federal traçam o perfil de uma parlamentar que chegou à Câmara com trajetória própria, independente de cargos municipais.

Ândreo Rasera (PL) foi reeleito em 2024 com 2.158 votos. É advogado. Tem formação jurídica que, por natureza, implica familiaridade com os limites impostos pela legislação e pela jurisprudência ao exercício do poder público, entre eles, precisamente, a vedação ao nepotismo consolidada pelo STF.

O que a ausência de casos significa — e o que não significa

O fato de o JC não ter identificado parentes de Elita Beltrão e Ândreo Rasera em cargos comissionados não equivale a um atestado definitivo de ausência de qualquer irregularidade de outra natureza. A série se debruça especificamente sobre nepotismo à luz da SV 13.

Outros aspectos do exercício do mandato desses e dos demais parlamentares estão fora do escopo desta investigação.

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O portal tampouco afirma que os dois sejam os únicos casos positivos entre os 23 vereadores da Casa. A apuração continua. Outros parlamentares ainda serão verificados. Se novos pontos fora da curva forem identificados, serão publicados com o mesmo destaque desta matéria.

E há uma ressalva que o JC assume publicamente: se, após a publicação, forem localizados parentes de Elita Beltrão ou Ândreo Rasera em situação de nepotismo enquadrada pela SV 13, o portal publicará uma matéria de correção, com nomes, cargos, graus de parentesco e salários — da mesma forma rigorosa aplicada a todos os demais casos da série.

Quadro completo: 11 vereadores investigados

A série investigou, até esta data, 11 dos 23 vereadores da Câmara de Santarém. O resultado acumulado é este:

Com casos de nepotismo identificados (9 parlamentares):

Enfermeiro Joziel Colares (PRD) — esposa nomeada chefe de núcleo na Semtras no dia da posse; ainda no cargo. Reagiu com ataques pessoais ao repórter em dois vídeos nas redes sociais, sem contestar os fatos. Leia a matéria

Ivanira Figueira (PSD) — dois filhos admitidos na Semg nos primeiros dias do mandato. Não se manifestou. Leia a matéria

Sérgio Pereira (PP) — três filhos em três secretarias diferentes, somando R$ 12.500,00 mensais. Não se manifestou. Leia a matéria

Alaércio Cardoso (PSD) — esposa na Semg desde 1º/01/2025. Único a agir: anunciou e efetivou a exoneração após a reportagem do JC. Leia a matéria

Bárbara Matos (PP) — filha na Semsa, secretaria controlada pelo PT. Não se manifestou. Leia a matéria

Mano Dadai (PSB) — quatro familiares em quatro secretarias, somando R$ 16.081,95 mensais em cargos comissionados. Reincidente: já havia sido condenado na operação Perfuga de 2009 por uso irregular de cargo público em benefício de familiar. Não se manifestou. Leia a matéria

Enfermeiro Murilo (PRD) — irmão na Semg desde 1º/01/2025. Duas primas também em secretarias municipais, porém fora do alcance da SV 13 por serem parentes de 4º grau. Leia a matéria

Alba Leal (MDB) — filha na Semsa e genro na Câmara, diretamente subordinado à secretaria que ela titulariza na Mesa Diretora. Reincidente: em 2021, foi alvo de investigação do MP por nepotismo no gabinete. Não se manifestou na atual série. Leia a matéria

Jandeilson Pereira (União Brasil) — o caso mais grave da série: sete familiares (dois irmãos, três filhos, 1 sobrinho e a ex-esposa), todos em cargos comissionados. Presidente da Câmara. Não se manifestou. Leia a matéria

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Sem casos identificados (2 parlamentares):

Elita Beltrão (REP) — nenhum parente em flagrante de nepotismo identificado. Pedagoga, geógrafa e servidora pública federal concursada. Eleita pela primeira vez em 2024 com 2.570 votos.

Ândreo Rasera (PL) — nenhum parente em flagrante de nepotismo identificado. Advogado, reeleito em 2024 com 2.158 votos.

Apuração continua

Restam 12 vereadores ainda a ser verificados. Novos casos — tanto de nepotismo quanto de ausência dele — serão publicados à medida que a apuração avançar. A série segue.

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