
A corrida eleitoral para a Alepa (Assembleia Legislativa do Pará) na região do Baixo Amazonas revela uma configuração curiosa nos números recentes da pesquisa Doxa. Entre nomes consagrados que lideram as intenções de voto, uma figura sem histórico de cargos públicos chama a atenção de analistas e eleitores. Neyla Braga, candidata pelo partido Novo, aparece no top 10 do levantamento estadual. Ela registra 1,58% da preferência dos eleitores.
O desempenho ganha relevância quando comparado aos perfis que dividem o ranking com ela.
Neyla não carrega o sobrenome de prefeitos, não tem parentesco com deputados e não conta com o apoio de máquinas de prefeituras da região.
Todos os nomes posicionados acima dela já possuem carreiras consolidadas e disputam a reeleição ou novos cargos com o peso estrutural ao lado. Além disso, a advogada e professora supera políticos experientes e com mandatos vigentes. O atual deputado estadual Eraldo Pimenta (MDB) marca 1,10% na pesquisa, enquanto o vereador Elielton Lira (PDT) aparece com 0,47%.
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Comunicação direta
Nascida em Monte Alegre, Neyla constrói sua base de apoio fora das estruturas tradicionais.
Ela aposta na comunicação direta pelas redes sociais e no trabalho comunitário contínuo. Mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista, a candidata transformou sua realidade pessoal em ação pública por meio do projeto “Mãos que Transformam”.
A iniciativa independente custeia cerca de 50 consultas especializadas mensais para crianças com risco de autismo no interior do estado, área que sofre com a carência de serviços de saúde pública. Esse histórico no ativismo social, terreno onde atua há 18 anos, substitui a herança política comum a outros candidatos.
Força real
A trajetória esbarra em barreiras culturais severas. Em um vídeo recente que repercutiu na internet, Neyla expõe as dificuldades de ser mulher na política e de romper o teto de vidro.
Ela relata que a tão falada sororidade nem sempre ocorre na prática e lamenta os julgamentos que recebe de parcelas do próprio eleitorado feminino durante a campanha. O desabafo ilustra a resistência que novas lideranças enfrentam em um ambiente historicamente dominado por homens.
Com a proximidade do pleito, o teste das urnas medirá a real força dessa nova forma de fazer campanha.
A posição de Neyla Braga na pesquisa Doxa indica que o engajamento digital, atrelado à militância por causas sociais e a vivência no setor produtivo como ex-empresária em Santarém, tem potencial para confrontar práticas políticas tradicionais no oeste do Pará. O desafio da candidata agora é converter a popularidade e a intenção de votos demonstrada na pesquisa em resultado no dia da eleição, marcada para o dia 4 de outubro.
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