
A presidência de Darcy Batista (PP) na Câmara de Vereadores de Prainha (PA) voltou a ser palco de tensões que extrapolam o debate político. Única mulher a presidir um parlamento na região da Calha Norte para o biênio 2025-2026, Darcy foi alvo de ataques verbais e tentativas de intimidação física por parte de colegas de parlamento durante sessão realizada nesta semana.
O episódio
Imagens da transmissão oficial da Câmara de Prainha registram o momento em que os vereadores Edinelson Magno (UB) e Orivaldo Demétrio (PP) abandonam seus assentos na bancada e avançam em direção à Mesa Diretora, em movimentos simultâneos e orquestrados.
Em um gesto de clara quebra de decoro e tentativa de coerção, os parlamentares confrontam a presidente à curta distância.
— ARTIGOS RELACIONADOS
No vídeo, é possível ouvir gritos de “Você tem que respeitar!” e “Isso é saca***em!”, enquanto o vereador Edinelson aponta o dedo repetidamente contra a parlamentar. O tom agressivo e a invasão do espaço físico da presidência marcam um episódio de hostilidade que raramente é observado na Casa quando homens ocupam o comando.
Histórico e resistência
O caso de Orivaldo Demétrio chama a atenção pela experiência: veterano com mais de 6 mandatos, o parlamentar já presidiu a Casa e conhece os protocolos regimentais. No entanto, não há registros de que Demétrio tenha adotado postura similar contra presidentes homens em legislaturas anteriores.
Darcy Batista conquistou o cargo após vencer uma chapa encabeçada por um homem, tornando-se uma figura solitária no comando do Poder Legislativo regional.
Embora a Câmara de Prainha conte com outras duas vereadoras eleitas em 2024, o clima de hostilidade parece impor uma barreira de silêncio. No episódio em questão, as demais parlamentares não intervieram, evidenciando o isolamento da presidente diante dos ataques.
Análise: a violência como ferramenta
O que se viu em Prainha não foi apenas uma divergência política, mas um exemplo pedagógico de misoginia explícita. Quando homens ocupam a Mesa Diretora, a autoridade é inerente ao cargo; quando uma mulher assume o posto, sua autoridade é constantemente testada e sua presença questionada através do grito e da proximidade física intimidadora.
A agressividade direcionada a Darcy Batista sinaliza uma tentativa de “correção” de poder: o uso da força verbal para deslegitimar uma mulher que, por voto e direito, ocupa o topo da hierarquia legislativa municipal. É a violência política de gênero servindo como teto de vidro, tentando impedir que a liderança feminina se exerça plenamente.
O JC tentou localizar os vereadores Edinelson Magno e Orivaldo Demétrio para que pudessem comentar o episódio, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
O JC mais perto de você! 📱
Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:
Sua dose diária de informação, onde você estiver.
Não se trata de discurso misógino, o que é o autoritarismo da presidente Darcy impedindo os vereadores de se manifestarem na casa legislativa, isso é retirar o direito dos vereadores, se eles que são parlamentares na podem se expressar imagine uma pessoa comum sem cargo
É preciso intimidar? É preciso peitar a presidente? Se fosse um homem o presidente, os dois machões iriam ter esse comportamento selvagem, de troglodita contra ele? Claro que não. Só são “machos” assim com mulheres.