Octogenária bezendeira

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Foto: Jeso Caneiro/Jornal Gazeta de Santarém
Dona carol, 80 anos, benzedeira

Dona Carol Azevedo, 80 anos, é benzedeira. A cena da foto é parte de seu cotidiano. Ela faz uma reza na cabeça do pequeno João Lucas, 6 meses, sob os atentos da mãe, também chamada de Karol.

Nascida em Alenquer, mas vivendo em Santarém há “mais de 35 anos”, dona Carol utiliza um ramo de pião roxo no seu ritual religioso.

É assim todos os dias, quando dezenas de mães batem à porta dela, para “benzer” a criança que lhe colocam no colo.


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7 Responses to Octogenária bezendeira

  • Ahhh, que doces lembranças também guardo do cheiro de fumaça de uma velhinha benzedeira! Era o cheiro do brazeiro do seu velho fogão a lenha! Tinha também o cheiro do alecrim, do eucalipto, da folha de laranjeira onde ela “cozia” ou costurava todo tipo de dor, de torção ou até quebradura! Quem nunca ouviu ” carne quebrada, osso torcido e nervo rendido”, também nunca soube o que é ser curado, aliviado e benzido pelo dom e principalmente pela fé e dedicação de uma dessas bruxas do bem que, às vezes, quando somos crianças, nos assustam mas, que depois de grandes nos fazem uma falta e nos trazem saudades de um tempo cheio de encantamento e devoção. Ainda lembro do cheiro do “palheiro” ( cigarro feito de fumo moído enrolado em uma palha de milho), com o qual ela praticamente, me defumava pra espantar o “quebranto”, o olho gordo e os maus espíritos! Na sala da casa ou, no cantinho de oração existiam as imagens de algum santinho, o quadro do anjo da guarda com suas asas enormes e duas criancinhas com uma bola! O terço, as velas e as orações que só ela sabia…
    A riqueza de detalhes que me vêem a mente são a prova do quanto essas mulheres são importantes e poderosas!
    Que Deus lhe conserve sempre lúcida e benevolente, um instrumento da mão divina que nos ampara nos momentos em que só a fé em algo superior é capaz de curar!
    Quero agradecer a Dona Carol e assim, usando o nome dela, agradecer a todas as benzedeiras que um dia seguraram uma criança no colo, com um raminho de folhas verdes nas mãos prontas para ajudar e fazer o bem!
    Linda foto! Linda homenagem!

  • Parabéns, Jeso, pelo post e, especialmente, pela receptividade imparcial aos comentários. Acho impressionante a força que essas mulheres têm na região e me impressiona ainda mais os efeitos benéficos de suas “sessões” – e por que não “terapias” – nos indivíduos da região. Como profissional da saúde (Fisioterapeuta) que sou e detentor de recursos terapêuticos que, na prática, podem até lembrar os utilizados pelas benzedeiras, não me sinto impedido de reconhecer o quão é alto o valor não só cultural, mas também fisiológico (seja orgânico ou psicológico, apenas) da atuação de ‘profissionais’ como a supracitada. Que se mantenha viva ainda por muito tempo essa tradição. Poucos lugares no Brasil detêm ainda traços dessa cultura de forma tão enraizada e presente na vida das pessoas, como aqui. Torçamos para que existam ainda muitas como Dona Carol e Dona Atanázia. Quem já precisou e foi benzido, pode falar melhor sobre o faotr positivo que essas mulheres fazem ao bem-estar das pessoas.

  • Jeso
    Minha Avó dona Atanázia a muito anos já falecida era também benzedeira das boas no bairro da Aldeia, onde muitas das vezes mães desesperadas iam atraz de seu socorro para reanima-los os seus filhos.
    Vi muitas coisas boas realizadas pela minha Vò e por isso crei muito na força que Deus deu a estas mulheres.
    A dona Carol por acaso agora com a morte de minha Avó é que cuida de mim já um marmajão de 47 anos de idade. é a idade pesando e as dores nas costas só aliviadas com as massagens de dona Carol e o bom papo que ela nos passa no decorer das seções, são as santas vivas Jeso.
    Precisamos de mais Carois e Atanazias e de Dona Bébé la da Praia que cuidava de meus filhos para continuar acreditando nos milagres de Deus.

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