por Helvécio Santos (*)
Não acredito em partidos políticos!
No meu entendimento, são agrupamentos onde cada membro tem estratégias próprias e às vezes até se dão as mãos, com uma só finalidade, qual seja, conseguir uma boquinha ou um bocão na estrutura administrativa de poder do Estado em qualquer nível. Neles não há ideologia e muito menos programa de governo. Há, sim, um esforço coletivo para alcançar o poder.
Claro, o programa existe no papel e o nome da sigla dá a suposta direção ideológica mas, na verdade, o que conta é somente o interesse conjunto dos seus membros. Isso explica o incessante vai e vem dos políticos buscando acomodação no partido que mais atenda seus interesses pessoais, nessa verdadeira via sacra partidária.
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Faço esta preleção para falar sobre os nossos dois últimos governantes municipais, independentemente do partido ao qual estão filiados.
Somando-se os dois mandatos, ambos com reeleição, o agrônomo Lira Maia e a ex-promotora Maria do Carmo ficaram (a prefeita já está em final de mandato) 16 anos no poder, 8 cada um.
O legado político dos dois períodos é que Santarém vive o dia a dia dividido em dois rebanhos. O saudosista que tem um farol ligado na popa e sonha com o futuro copiando o passado, isto é, o “Governo do Mutirão”. O outro, satisfeito com o presente, defende com unhas e dentes o “Cidade da Gente” e pensa repeti-lo no futuro.
“Navegar é preciso” é algo que não passa no imaginário político santareno! A expectativa do “novo” não faz parte dos anseios do nosso povo que prefere a estabilidade do “mesmo”, sem novidades, torcendo por um ou por outro grupo, como se fossem times de futebol, alheios aos destinos da cidade.
Parece que Santarém tem medo de mudar, de experimentar, o que é uma sensação sempre instigante! Vive em círculos copiando as antigas paqueras no arraial da Praça da Matriz e do São Raimundo girando, não em torno do coreto, mas em torno de grupos políticos, engalanados com motes pouco claros.
Mutirão é o auxílio gratuito que se prestam os lavradores, reunindo-se todos em proveito de um só que nesse dia faz os gastos de uma festa em agradecimento ao auxílio. Assim, ao nominar, inadequadamente, seu governo como “Governo do Mutirão”, o Dr. Joaquim de Lira Maia passou a ideia de trabalho coletivo mas, pelo significado da palavra, e as palavras são consideradas pelo significado, afastou o povo como parte integrante da orbi, eis que mutirão é o trabalho de todos em prol de um, numa comunidade onde todos são iguais. Governo do Mutirão seria então um esforço coletivo dos integrantes do governo em prol de um integrante, neste caso, o prefeito.
Também mutirão conduz à ideia de emergência, urgência, o que não era o caso de nossa cidade pois esta não viveu uma catástrofe e nem foi transformada no seu governo num canteiro de obras.
Nesta altura abro um parênteses para dizer que a enchente amazônica não é catástrofe e nem se combate, como dizem. Com a enchente, que é cíclica, se convive. Todo o resto é balela para justificar falta de planejamento e pedido de verbas federais.
Com outra razão mas por igual sentido – exclusão do povo – também não gosto de “Cidade da Gente”. Esse “da Gente” dá a idéia de propriedade. Dessa leitura, a cidade é “da Gente”, no caso, da Prefeita e do seu staff, o que também afasta o sentimento de pertencimento que o povo tem de ter em relação à cidade, a sua cidade.
Penso que melhor seria, “Cidade de Gente”, o que conduz à idéia de um povo educado, cuidadoso com sua cidade, aí incluído os espaços e móveis urbanos.
Não erro se disser que as mazelas do povo têm início nos motes dos nossos governantes. Eles explicitamente induzem o alheamento e descaso que o povo tem em relação a seu chão e se completa nas políticas públicas, as quais nunca têm a população como destinatária final. Fundamentalmente são implementadas para satisfazer o ego dos governantes que tudo decidem com o seu restrito círculo de auxiliares, com o intuito de marcar presença em busca dos votos nas próximas eleições, razão da profusão de inaugurações em ano eleitoral.
Já as obras efetuadas, em sua maioria, são meras “perfumarias”: uma pracinha aqui, uma calçadinha ali, um remendinho no asfalto acolá. Tudo com qualidade duvidosa e que logo logo estarão aos pedaços, caindo. Veja-se a Praça Gigi Alho no final do cais na Prainha, o tão decantado Belo Centro, onde o belo passa ao largo e o Mirante, hoje todo ondulado.
Não há programas e obras de longo prazo, a exemplo de obras que amenizem os efeitos das enchentes, estação de tratamento de esgoto, esgotamento sanitário, água tratada, etc, deixando nosso povo à mercê de doenças como diarreia, hepatite, verminoses e tantas outras, o que é uma afronta a dignidade humana.
Um emblemático exemplo desse não envolvimento do povo pelos governantes no dia a dia da cidade são as praças públicas. As existentes não são recuperadas pois dá mais votos inaugurar outras. Já as novas praças são construídas para fornir o bolso do arquiteto e inchar o ego do governante, razão porque nem bem são inauguradas já começam a ser depredadas. É o protesto do povo que não foi ouvido em seus anseios no desenho do novo espaço.
Um dia num seminário um palestrante deu um exemplo de inserção do povo nos destinos da cidade. Disse que seu pai fora prefeito de uma cidade no Paraná e lá, inaugurava as praças no “osso”, isto é, somente o espaço aberto e nada mais. Contou que a primeira inauguração foi um fiasco, eis que o povo não via nada, somente um descampado. Meses depois, obedecendo o desenho que o povo havia feito, a construção foi iniciada, óbvio, ao gosto da população.
O prefeito esperou os usuários traçarem os caminhos de utilização da praça. O passeio foi feito onde o povo vincou com os pés, a quadra onde os moleques se apossaram para os “rachas” de final de tarde, os bancos onde se acocoravam para conversar, as mesas de jogo de damas e baralho, onde se juntavam em torno de caixotes e as flores até onde a vista alcançava. Aí todos passaram a se sentir participantes e responsáveis pelo bem que planejaram e que vinha ao encontro de seu gosto e de suas necessidades.
A história é só um pequeno exemplo!
Ouvir uma comunidade no orçamento participativo para perguntar se querem uma praça ou uma escola não é política de inclusão do cidadão. Inclusão é perguntar aos munícipes o que querem, como querem, onde querem.
Enquanto o povo não participar da construção da nossa cidade, nunca se sentará nos bancos das nossas praças com o cuidado que se senta na poltrona da sala de sua casa, também nunca se sentirá responsável pela limpeza da cidade como se sente responsável na sua casa. Sempre será um estranho no ninho, dando os piores exemplos ao visitante.
A propósito, a população, pelo menos a do entorno, foi ouvida no desenho da planta do parque construído no final do cais, ali na altura do canal do antigo Laguinho?
O POVO precisa ter uma cidade pra chamar de SUA mesmo e principalmente, que esta cidade seja SANTARÉM!
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* Santareno, é advogado e economista. Reside no Rio de Janeiro. Escreve regularmente neste blog.
Helvécio , meu caro nota 10 , nota 1000 pra ti!
O santareno está acostumado e acomodado com praça .Fala mal do Lira Maia ,do Alexandre
Von, do Jatene, do Jader, da Ana Júlia , da Maria do Carmo, mas paga um Mega show na praça pra você ver ?Vai todo mundo lá satisfeito, chega governador tal lá vai carreata , manifestação , bandeira e povo aplaude, fora o bando de puxa-saco que fica atrás , eu me envergonharia de votar em alguém por causa de praça recém inaugurada , ( é só o que sabem fazer ), vai lá encomenda umas mudas, coloca aquelas papoulas e plantas que dá o ano todo no cemitério ( que é outro esqucimento municipal), grama , terra daquela floricultura ,calçadas , uns bancos…pinta de vermelho e pronto , faz um show chama o povo pra comemorar e viver na praça , de praça…Olha moro na Av .Anisio chaves quasese 5 anos e desde que mudei pra cá nunca ví interesse em ao menos limpar aqule logragouro, é lixo , matagal.Bem dia desses aparece uma caçamba da prefeitura , retroescavadeira, mexem pra lá limparam , retiraram entulho etc. e taparam buracos (CRATERA) em frente de caso com tijolo , e entulho de construção , veio a chuva e ficou aqulea coisa horrorosa e a cratera ficou lá , depois cercaram a área que foi limpa e colocaram uma placa adivinhem ? Obra do Gov. Federal 1ªparte da PRAÇA DE EVENTOS, valor X e blá, blá , blá .Eu não quero ser beneficiada com uma pista de formula 1 ,mas chega de praça !Isso é obra pra eleger , obra pra enganar besta, A praça Tiradentes não querem “REVITALIZAR ” idem para a praça de São Sebastião e o anfiteatro , Eu não me iludo com casca de asfalto e nem com passeio na Vera Paz,e como dizia meu pai “não fazes mais do que tua obrigação”. Cidade do que ? Da praça !
JESO,
PRA EU, O HELVÉCIO ACERTOU O CENTRO DO ALVO… SÓ TROCARIA DUAS EXPRESSÕES:
VERDADEIRA VIA SACRA PARTIDÁRIAS…por… VERDADEIRA VIA SACRIPANTA PARTIDÁRIA!
ENGALANADOS COM MOTES POUCOS CLAROS por AQUI NINGUÉM É BESTA. E TODO MUNDO SABE O QUE CADA UM QUER. …
CHAGUINHA AD
Onde você vive??/ reside???
Como artigo teorico nota M
Não é por acaso que nos é mais fácil resolver o problema do outro do q os nossos, justamente, por que nos falta o distanciamento necessário para isso
Para quem é de Santarém, passa anos longe e retorna, com certeza é mais gritante o caos q se encontra a cidade, mais gritante do q p nós q moramos nela, Pq apesar de reclamarmos, acabamos nos acostumando à mediocridade, à regressão travestida de “progresso”, aceitamos aquém do q merecemos,
Parabéns Helvécio Santos pelo artigo, esta nota M deve ser Mil…rsrs se bem q sou suspeita, nunca acreditei em partidos, por melhores q sejam as intenções de quem deles fazem parte.
abraços
O discurso do “terra arrasada pelos políticos”, do “todo político é ladrão, safado, pilantra” interessa a quem, afinal?
Não tenho dúvida: àqueles que, eleitos, não deram conta do recado no exercício do poder, mas querem continuar aí, usufruindo dele, fazendo da político alpinismo para enriquecimento próprio.
Esse discurso afasta os bons, os que tem vontade de mudar, de revolucionar.
Ora, ora, se não deu certo com Lira Maia, se não deu certo com Maria do Carmo, vamos buscar outros nomes, incentivemos que os podem mudar o status quo para que entrem na política e façam a revolução.
Partidos políticos são sim peça importante na engrenagem democrática, assim como as organizações sociais, assim com as ONGs, assim como a Justiça, eleitores e eleitoras, entidades de classes que, cada um com seus sonhos e utopias, exercem pressão para uma sociedade melhor para todos.
Culpar a imprensa é fácil quando, sem respeitar o resultado das urnas, o sujeito se insurge porque não aceita a derrota e nem procura as instituições para, se sentido injustiçado, buscar a reparação.
O problema principal é esse modelo politico que o Brasil adota. Ele favorece aos picaretas e afasta homens e mulheres de boa índole. Os partidos não lancam candidatos que obedecam princípios ideológicos e sim aqueles que mais tem chance de se eleger. Desta forma, sobra espaço pra negociatas e acordos espúrios. Daí, o lote de candidatos que são apresentados aos eleitores são sempre políticos profissionais que veem na politica apenas um meio de subir na vida. Pobre eleitor que tenta escolher o menos pior.
Nunca li algo tão impactante, e realista, como esse texto. Parabéns, Sr. Helvécio.
Esses jogos de poder político, de poder econômico, de poder pessoal e até egocentrista só acaba por levar o destino da população aos anseios de uns, em detrimento do poder popular.
A sociedade já deveria organizar-se para criar uma comissão, ou algo do tipo, para acompanhar o crescimento da cidade através de planejamento e fiscalização de obras e serviços que o poder público presta à população. Um instituto sem ligação com o poder público, formado por profissionais liberais, representantes de todos os tipos associações e outras pessoas que possam contribuir para tal.
Esse grupo poderia apresentar projetos claros, com metas e objetivos a serem seguidos, no intuito da população abraçar e pedir ao governo que o implemente.
Essa ‘casa’ de frente para o Tapajós e Amazonas tem muito a crescer. Com três anos de trabalho baseado em metas, pode-se inverter essa situação de sensação de caos e abandono. E com recursos disponíveis.
Vamos pensar o amanhã, a Santarém de 500 mil santarenos?
Te saludo muy atentamente, Jeso!
Há iniciativas bem sucedidas, como é o caso de associação de amigos e filhos do município de Ribeirão Bonito (SP), à frente o nacionalmente conhecido auditor Antonio Trevisan. Segundo ele, “a entidade nasceu em 1999 de uma reunião de pessoas amigas, residentes, ex-residentes e simpatizantes interessadas em oferecer voluntariamente seu tempo, talento, competências e habilidades para contribuir para o desenvolvimento da cidade”.
Entretanto, em busca desse objeto que ele qualificava inicialmente como “romântico”, Trevisan relata que a entidade se viu diante do “grande descaso por parte das autoridades públicas, e com indícios muito fortes de desvio de recursos públicos”. Assim, os projetos sociais foram adiados e a associação passou a dedicar tempo exclusivo a combater a corrupção na administração pública da cidade. Hoje a entidade é referência mundial e parceira da Transparência Brasil.
Segundo o Portal da OSCIP, “depois de um trabalho extremamente exitoso de controle e combate à corrupção na Prefeitura de Ribeirão Bonito, com o afastamento de dois prefeitos – um deles preso pela polícia em 2002, e também do afastamento de diversos vereadores, os esforços da entidade foram reconhecidos e repercutidos, em âmbito nacional e internacional, e se tornou um caso emblemático para todo o Brasil”.
O trabalho é alentador para os filhos e amigos de Santarém. É também forma de fazer política sem estar na militância partidária.
Fontes: https://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/26379_FAXINA+GERAL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
https://www.amarribo.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=62&Itemid=29
VERILLO, Josmar et alii. “O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil’. Ateliê Editorial, 2003, 94 p.
P.S. A água acaba de voltar na manhã desta segunda-feira a uma das torneiras de casa após 72 horas de escassez. Pela rotina, o filete perdurará até o meio-dia. Pago pelo consumo de um mês, mas o fornecimento é de oito horas diárias, da madrugada até o almoço.
Caro Jeso, me permita fazer um comentario que talvez nao lhe agrade muito. Poucas forao as vezes que vi um artigo tao bom, tao atual, tao cheio de vida e realismo como este, aqui no blog. Complementaria apenas com uma singela contribuicao: Temos que acabar com esta condicao de votar por exclusao pois os candidatos que e apresentao nao nos dao opcao. Nos ultimos anos o que imperou foi a cultura da acomodacao na vida politica de Santarem. Sequer oposicao os ultimos governos tiveram. he uma pena. Quer saber…
Passa Regua
Helvécio, seu texto exprime com muita clareza a realidade política de Santarém e motivou comentários do Consumidor e Jota Ninos que evidenciam e ilustram as suas afirmações. Fazer política deixou de ser uma atitude ideológica movida pelo espírito público para se resumir em negócio.
Mudar essa realidade é responsabilidade de todos que conseguem perceber o movimento dos espertalhões que usurpam do público como se privado fosse, inclusive da imprensa, que em Santarém tem um comportamento pouco comprometido com a neutralidade, a ética, a liberdade de expressão e o livre pensar, vinculados que estão, como torcidas organizadas, aos políticos com algum poder nas mãos e condição de lhes aferir algum benefício.
Vivemos em um círculo vicioso onde a vítima sempre é o meio ambiente e a nossa população.
Há mais de 30 anos que política em Santarém não é atitude ideológica e nem será nunca Paulo, não é coisa de 16 anos não!!!!
Vem novamente o Von com esse discurso hiper mega ultrapassado, prometendo coisas que nos oito anos de governo com seu parceiro ficha suja não fizeram, e pra piorar agora com ajuda do atual governandor que odeia Santarém, será melhor o PT vencer mesmo pois pelo menos é de Santarém o candidato Inácio, sou de Manaus mas amo esta terra dos meus pais e avós!!!
Sem partidos políticos não se dá encaminhamento para se exercitar a politica, sem politica não há democracia, sem democracia é ditadura. O que preferimos? O mau da politica não são os partidos, mas quem elegemos.
Responsabilizar os partidos e a politica pela má administração de um município, estado ou país não é o caminho recomendável. O momento é propício para sair da retórica e fazer uma autocrítica.
Atrevo-me em afirmar que grande parte dos eleitores não sabe em qual vereador votou, vou mais longe ainda, em qual deputado votou nas ultimas eleições.
Chico Corrêa
Chico em Cuba só ha um partido e eles vivem muito bem lá , para que tantos aqui ?!!!
Em Cuba só se vota no Fidel e pronto , né ? vc vive defendendo Cuba deveruia defender um sistema politicom como o deles meu caro contado de abobrinhas !
Helvecio Santos,
Meus parabéns, foste muito feliz em teu comentario.
Tenho apenas minimas discordancia……em alguns pontos uns aqui outro acolá, o que não feri em nada.
No contexto geral coaduno totalmente
PARABÉNS.
Muito verdade essas sua palavras e colocações, mais seria muito melhor se os eleitores Santareno tivesem a coragem de pelo menos querer MUDAR o quadro politico que se criou nesse 16 anos, no que eu tenho visto durante esses tempos em Santarém só se muda de Rotolo a bebida permanece a mesma com todo o sabor criado de agronomos, promotores e doutores , quem sabe se aparecesse um TIRIRICA com inteligência e amor a cidade da gente e do mutirão, talvés fosse melhor. Temos um grande exemplo: O ex-presidente LULA sem diploma mais com vontade de mudar o BRASIL, mas isso só depende de NÓS. Caro Plabo eu sou um dos anarquistas mas prefiro ser anarquista do que puxa-saco e acomodado e satisfeito com tudo isso, talvés vc esteja cego ou seja surdo, pois exiete gente que se faz de cego e surdo para poder viver.
È meu caro, o nosso povo está numa encruzilhada, para todo lado que se olha só se vê gente esperta e de caráter duvidoso. Em nenhum lugar do mundo vejo os mais humildes e nativos serem tão desrespeitados. O maior indicador do descaso e da pobreza são os números maqueados da hanseniase e tuberculose em Santarém, que são epidêmicos.
Governo do povo, governo do mutirão é tudo balela. Creio que os desmandos irão acabar quando deixar de existir o político profissional, gente que nunca fez nada de útil na vida a não ser se dizer “representante do povo”. O maior exemplo do descalabro é que ando verificando alguns conhecidos de Santarém no facebook e quase todos estão trabalhando, na prefeitura, no hospital regional e pasmem até no necrotério. Tenho até conhecidos, que viraram assessor do Jatene. Talvez um ou outro possa até ter méritos, mas a grande maioria é bajulador e cabo eleitoral.
Santarém deve tido uma revolução cultural durante minha ausência, boa parte deles não duravam uma semana num emprego decente, alguns até demonstravam certa deficiência cognitiva. È uma pena, Santarém virou uma máquina e meio de poder, o interesse público é secundário…o que importa é o amigo dos amigos se dando bem….O Dep Vaccareza anda fazendo escola no Brasil inteiro…” você é nosso e nós somos teu”
Gostei do artigo.
A cidade tem muitos problemas. Nada, porém, parece incomodar nossos governantes, senão olhar com a lanterna na popa ou manter tudo como está, o melhor dos mundos.
Partidos se revezam e um velho problema continua.
Ressalto o ponto que toca nos serviços de saneamento básico em Santarém.
Há 48 horas está interrompido o precário abastecimento de água aqui na Av. Mal. Rondon, entre Silva Jardim e Barjonas de Miranda, no bairro de Aparecida. Contactei duas vezes nesta manhã o Serviço de Atendimento ao Cliente da COSANPA (0800 7071195). Informaram-me que não havia qualquer anormalidade registrada mas adiantaram que contactariam o responsável pelo setor aqui em Santarém para saber o motivo do desabastecimento. Após 40 minutos, a atendente relatou que “não tivera êxito em contactar o responsável da empresa em Santarém” e que eu voltasse a ligar mais tarde.
Há alguns minutos, num terceiro telefonema, o SAC da empresa finalmente informou que a falta d’água decorrera de pane em uma das bombas do sistema e que “o problema estaria resolvido até o meio-dia”.
Outro dia um canal de televisão local mostrou a paralisação de obras no valor de mais de 3 milhões de reais no bairro do Livramento. Segundo a concessionária, “a obra só ficaria pronta quando estivesse terminada” (sic). Teria sido melhor o silêncio.
Leio agora que os empregados da COSANPA entrarão em greve nesta terça, dia 12. É mais uma notícia da série “o que é ruim pode ficar pior”.
Também leio que o município de Santarém, com a aprovação de sua prefeita e câmara de vereadores, veio a prorrogar recentemente a concessão dos serviços de água e esgoto à COSANPA por mais 20 anos. Há décadas sabemos da duvidosa qualidade dos serviços dessa empresa estadual, como acentuaram os debates em audiência pública na câmara de vereadores. Por outro lado, soubemos em rede nacional sobre bons exemplos de gestão pública na solução desse problema, alguns deles bancados diretamente pelo município, como é o caso de Uberlândia-MG (cf. https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/06/obras-de-saneamento-basico-levam-qualidade-de-vida-uberlandia.html).
Não sei qual a cor partidária dos partidos que passaram por Uberlândia, mas este problema básico de atendimento à saúde da população está resolvido.
O que concluo é que as audiências públicas acabaram sem resultado. Tanto que a concessão foi renovada e o desabastecimento continua.
Lamentavelmente, concordo com o articulista. Parece-me que cada um de tais grupos tenta apenas defender sua boquinha (ou seu bocão). Não há intenção em resolver os problemas do dia-a-dia da população, como é este escandaloso-e-quase-eterno saneamento básico em Santarém.
Todas as mazelas tinham outrora como culpado o regime militar. Com a restauração democrática, seguiram-se alternando os tais partidos por mais de vinte anos e nada mudou. Vai que a culpa é de quem elege tais pessoas, um pouco de masoquismo.
Continuamos sem água potável em todas as horas do dia e o esgoto continua a céu aberto. Recursos para tais obras sempre há, especialmente fomentado por agência de desenvolvimento (BNDES e BIRD). Onde estava o empenho dos que se assentaram na administração municipal em todo este tempo?
Sem água e esgoto continuarão as filas nos hospitais. Isto ocorre numa cidade de quase 300 mil habitantes e que é banhada por dois dos mais caudalosos rios do mundo. Não adianta culpar a natureza, a solução é política mesmo.
Desafio qualquer um dos pré-candidatos a externar sua opinião sobre o saneamento básico na cidade. Se Uberlândia e outros municípios resolveram esse problema, por que Santarém continuará a vergar sua coluna sobre uma ineficiente empresa controlada pela administração estadual?
COSANPA – COMPANHIA DE SANEAMENTO DO ESTADO DO PARÁ
É bom convocar o Governo do Estado, também, para tratar de saneamento.
Prezado Antonio Silva,
Este é o ponto sem nó:
O serviço de água e esgoto é de responsabilidade do município, mas este o concedeu a uma empresa controlada pelo Estado por mais 20 anos. Fica muito fácil jogar a responsabilidade para cima, especialmente quando prefeito e governador são de siglas diferentes. (Prefiro falar “siglas”; o verbete “partido” não foi levado a sério no Brasil).
A novidade de meu comentário é que existem lugares no Brasil em que o município (a COPASA, homóloga da COSANPA em Minas, não atua em Uberlândia) tomou as rédeas e resolveu o problema.
Esta é a importância de bons governantes municipais. Reconheço que os debates sobre esse crônico problema de Santarém nada significaram, ao que parece. A câmara de vereadores, em sintonia com a atual gestora, capitulou à perpetuação do jugo do poder estadual nessa área.
Correção no comentário anterior:
Onde se lê: “a segunda é quando você entra no sistema, tenta mudá-lo de forma radical e acaba esmado por ele e cuspido pra fora. Muitos poucos políticos conseguiram ao menos iniciar essa tentativa”…
Leia-se: “a segunda é quando você entra no sistema, tenta mudá-lo de forma radical e acaba esmagado por ele e cuspido pra fora. Muitos poucos políticos conseguiram ao menos iniciar essa tentativa”
Isso mesmo, vivemos num eterno subdesenvolvimento,nossos administradores não se reciclam em suas especialidades, fazemos o que o Chacrinha sempre pregava em seus programas:”Nada se cria, tudo se copia”. Copiamos vícios que só nos fazem retroagir no tempo e espaço.Não são os motes que conduzem e induzem a péssimos resultados administrativos. Carecemos de indivíduos com boa formação profissional, horizontes abertos para aplicá-los em prol da coletividade tão carente.Sabemos que obras de padrão sofrível grassam Brasil afora, aqui na nossa PÉROLA NÃO SERIA DIFERENTE, CHAMO DE PÉROLA AS BELEZAS NATURAIS EM QUE ESTÁ INCRUSTADA a cidade de Santarém.É uma lástima, não temos em quem votar nas proximas eleições, o ciclo de vícios crônicos de má administração, perpetuar-se-ão.
Lúcido comentário, caro Helvécio.
No tocante aos partidos, gostaria apenas de acrescentar que apesar do que você disse ser verdade, não deveria ser assim. O pragmatismo aliado ao oportunismo, ao clientelismo e à demagogia, ocupou o espaço da ideologia que os partidos deveriam defender. Surgiu a chamada “governabilidade”, palavra monstro para indicar a velha máxima cabocla de que “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
O problema é que quem quer fazer alguma coisa pela cidade na democracia em que vivemos, precisa primeiramente participar da política filiando-se a um partido. Ou ficar eternamente escrevendo artigos e reclamando do que vê. O atual modelo de nossa estrutura político-partidária nos desanima. Boas ideias às vezes nem são contempladas com votos. Ou quando conseguem se eleger, acabam se perdendo dentro do sistema montado.
Eu resolvi voltar a militar num partido, dentro de minhas convicções socialistas. E ainda estudo se devo tentar entrar nessa estrutura, para tentar defender algumas das ideias sobre cidade como as suas e as de tantos outros cidadãos. Às vezes, o que vemos nos bastidores da política nos embrulha o estômago, mas o que seria de uma cidade se todo gari não conseguisse pegar na sujeira dos lixos urbanos por ter náuseas?
Sem recorrer ao slogan demagógico janista – e já recorrendo – precisamos de muitos lixeiros para limpar a cidade (“Da Gente” e “Do Mutirão”). O pior é que no meio disso, as poucas alternativas de se evitar uma eleição quase plebiscitária entre o pior e o menos pior, estão cada vez mais ausentes. Ainda aguardo a concretização da chamada terceira via, para tentar mudar isso ainda nesta eleição, ou pelo menos preparar o campo para daqui a quatro anos. Caso contrário, se decidir entrar numa campanha, teria que aceitar o caminho que mais convier ao partido, mesmo a contragosto…
O orçamento participativo foi uma das grandes ideias surgidas nas últimas décadas em termos de gestão pública, porém foi reduzida uma consulta de cartas marcadas, onde as propostas de certa forma vem carimbadas a partir de ideias do próprio governo. Em Santarém, criaram até uma assessoria com status de secretária para isso, mas depois de algum tempo não se falou mais no assunto. Perfumaria, como você bem diz. Aliás, falando nisso, o que não falta é secretaria e ministérios nas novas gestões. Grande parte feita apenas de cabide eleitoral. Para dar forma à tal “governabilidade”.
Mas voltando ao ímpeto de cidadão, que almeja tentar alguma mudança para sua cidade, me conscientizei hoje que as velhas utopias ficaram velhas demais. A maior revolução que se pode fazer hoje é conseguir se manter honesto em um cargo público. Se um político conseguir isso até o fim do mandato, já pode se considerar herói. Acredito, hoje, que existem três formas de se participar da política:
– a primeira é aquela em que você entra no sistema, se acomoda e usufrui dele. Essa é a prática da grande maioria dos políticos;
– a segunda é quando você entra no sistema, tenta mudá-lo de forma radical e acaba esmado por ele e cuspido pra fora. Muitos poucos políticos conseguiram ao menos iniciar essa tentativa;
– a terceira é aquela em que você entra no sistema e tenta reformá-lo aos poucos, mesmo com atitudes revolucionárias que não impliquem se aproxima da segunda opção. Há alguns políticos bons que conseguem sobreviver assim, e são os que fazem alguma diferença.
Ao fim e ao cabo, defendo que a melhor forma de sobreviver dentro de um sistema como esse é ser o Jonas na barriga da baleia, aquele personagem bíblico. Andar com cuidado sobre a grande língua do mamífero, limpando seus dentes e fazendo ele ir se adaptando às águas conforme o que você imagina. Mas com cuidado, pois a baleia ao sentir cócegas na língua pode, a qualquer momento, expurgá-lo pelo respirador que tem em sua cabeça…
Filosofia à parte, precisamos muito mais do que sonhos para fazer uma cidade como Santarém ser respeitada pela sua importância histórica, cultural e econômica, do que possa imaginar a vã filosofia de nossos marketeiros e seus slogans voadores….
Show de bola, Helvécio.
Se não estou enganado o termo “mutirão” foi utilizado pelo fato de a Prefeitura disponibilizar caçambas para retirar entulhos de determinados “becos”. Me corrijam se estiver errado.
Jeso, brilhantes palavras.
Os anarquistas adorariam esse seu discurso, mas é uma pena que eles são pouquíssimos, ou melhor ainda bem.