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Houve intensa troca de partidos por políticos nos últimos dias no PA

Com o fim da janela partidária, o que muda na política paraense? Por Karol Cavalcante
Helder, Lula e Bolsonaro: apoios no PA com o fim da janela partidária. Foto: Arquivo JC

Dois prazos importantes encerram neste fim de semana: o fim da janela partidária (prazo para que mandatários troquem de partido sem perder o mandato) e o prazo final para filiação nos partidos políticos (para os que desejam concorrer no pleito de 2022).

Faltando 6 meses para as eleições e com o fim desses dois prazos, é possível que avaliações mais precisas do cenário eleitoral sejam feitas. Além de permitir uma leitura mais apurada no que concerne às costuras de palanques regionais e chapas proporcionais.

No plano federal, 23% da Câmara dos deputados trocou de partido. No Pará, 6 dos 17 deputados  federais trocaram de casa. Celso Sabino, eleito pelo PSDB, agora faz parte do União. O Delegado Eder Mauro desembarcou do PSD e embarcou no PL. Quem também desembarcou do PSD foi Joaquim Passarinho, rumo ao PL. Eduardo Costa deixou o PTB pelo PSD. Olival Marques, que foi eleito pelo DEM, migrou para o MDB e Cristiano Vale deixou o PL pelo PP. 

Na assembleia legislativa paraense, pelo menos 8 deputados estaduais também trocaram de legenda. O MDB do governador Hélder Barbalho foi o maior beneficiado com a troca de partidos, seguido pelo PP que deve ser a nova legenda satélite da zona de influência direta do governador.

Os três novos MDBistas são: Ângelo Ferrari, ex-PTB; Diana Belo, ex-DC, e Paula Gomes, ex-PSD. Já o PP recebeu José Maria Tapajós, ex-PL, Junior Hage, ex-PDT, e Luth Rebelo, que desembarcou do PSDB. Ainda na Alepa, Doutora Heloísa trocou o DEM pelo PSDB e Jaques Neves trocou o PSC pelo União.

Dos atuais mandatários, pelo menos quatro não vão à reeleição na Alepa. Renilce Nicodemos, eleita pelo Solidariedade e atualmente no MDB, deve disputar uma cadeira para a Câmara Federal. O mesmo destino será a opção do Delegado Caveira, eleito pelo PP e agora filiado ao PL, Miro Sanova (PDT) e Dilvanda Faro (PT).

Figuras atualmente sem mandato, expoentes da política paraense, também trocaram de casa. O ex-deputado Márcio Miranda deixou o DEM e foi para o PTB. Úrsula Vidal trocou a Rede pelo MDB. O ex-senador Flexa Ribeiro trocou o PSDB pelo PP. Alessandra Haber, companheira do prefeito de Ananindeua, filiou-se ao MDB e na minha avaliação deverá ser a deputada federal mais votada do Pará.

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Mário Couto migrou agora para o PL com o fim da janela partidária. Foto: AgSen

Depois desse troca-troca que coloca qualquer eleitor zonzo, podemos dizer que no plano estadual, com a desistência do ex-governador Simão Jatene, o atual governador Helder Barbalho caminha como favoritíssimo à reeleição. Seu único adversário até o momento será o senador Zequinha Marinho, ex-PSC e agora PL. Marinho deve ser o candidato oficial de Jair Bolsonaro no Pará.

Enquanto Helder deve abrigar em seu palanque lulistas, ciristas, bolsonaristas e quem mais quiser chegar junto. Tudo indica que com a frente ampla que abraça o atual governador, o mesmo deve se comportar, pelo menos no primeiro turno, como shampoo: neutro!

Se a eleição para o governo do estado se desenha sem grandes disputas, a única vaga ao Senado promete ser disputadíssima.

Até o momento, no palanque de Hélder Barbalho tem espaço para candidatos ao Senado de todas as cores. Flexa Ribeiro (PP), Manoel Pioneiro (PSDB) e Beto Faro (PT) são alguns dos candidatos de Hélder. Enquanto a extrema direita deve apresentar o nome do ex-senador Mario Couto (PL).

Ainda que desconhecido do eleitor, Beto Faro (PT) leva vantagem entre os adversários. Caso consiga unificar o PT, contará com uma forte máquina partidária a seu favor, o apoio parcial do governador e o apoio incondicional e de peso do ex-presidente Lula. Enquanto Flexa e Pioneiro devem nadar em busca de um eleitor que flutua na mesma raia.

Já Mario Couto deverá capitanear o eleitorado que se identifica com Jair Bolsonaro e pode vir a ser o principal adversário de Faro caso a eleição em nível nacional caminhe para a polarização.  

As disputas proporcionais para os cargos de deputado federal e estadual em 2022 contarão com o advento das federações partidárias (união de partidos políticos em torno de um programa político, com atuação nacional conjunta ao longo dos quatro anos de mandato).

As federações poderão ser formalizadas até 31 de maio de 2022 e somente após esse prazo é que ficará definido as disputas proporcionais. À exceção do PT, grandes partidos não devem optar por federar e neste caso os que optaram no Pará em aceitar o convite do governador Helder Barbalho para ingressar no MDB, embarcaram em um “grupão da morte”.

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Ex-governador Jatene: fora da disputa eleitoral deste ano. Foto: Arquivo JC

Embora a expectativa seja de eleger muitos deputados e deputadas tanto no plano federal como estadual, o número de votos necessários pra alcançar uma cadeira nessa legenda deverá ser altíssimo.

Para se eleger pelo MDB paraense será necessário pelo menos o triplo de votos necessários em legendas com menor expressão. Ao que parece, ao atrair uma infinidade de lideranças de peso para o partido, o governador esqueceu que no sistema eleitoral brasileiro a regra ainda é da proporcionalidade.

Essa é uma análise inicial após essa data importantíssima do calendário eleitoral. No entanto, já podemos vislumbrar os campos de disputa nesse cenário eleitoral de outubro próximo. Até as convenções partidárias que definirão os candidatos, acredito que poucas mudanças acontecerão; apenas ajustes políticos.

<strong>Karol Cavalcante</strong>
Karol Cavalcante

Paraense, é mestra em Ciência Política (UFPA). Doutoranda em Ciência Política, pela Unicamp.


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