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Alessandra Munduruku não estava em casa no momento da invasão

PSOL pede proteção de líder indígena que teve casa atacada em Santarém pela 2ª vez
Alessandra Munduruku: casa invadida após seu retorno de Glasgow, na Escócia. Foto: Reprodução

A líder indígena teve sua casa, em Santarém (PA),invadida dias depois de retornar de Glasgow, onde participava da COP 26. Os criminosos roubaram documentos, cartões de memória das câmeras de segurança e R$ 4 mil – que ajudariam a custear uma assembleia do povo Munduruku marcada para dezembro.

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Alessandra não estava em casa no momento da invasão. Na véspera do crime, supostos funcionários da companhia de energia local estiveram na residência alegando que precisavam interromper o fornecimento de eletricidade. Desconfiada, ela tentou confirmar a informação com a companhia, que disse não ter funcionários em campo na região naquele momento. Por esse motivo, a líder deixou sua casa e procurou abrigo junto a amigos.

Essa não é a primeira vez que a casa de Alessandra é saqueada. Em 2019, um grupo de parlamentares alemães chegou a cobrar o governo Bolsonaro que ela recebesse proteção das autoridades após receber ameaças de morte e ter sua residência invadida.

Alessandra Munduruku é uma líder indígena reconhecida nacional e internacionalmente: foi a primeira mulher a presidir a Associação Indígena Pariri, que representa mais de 10 aldeias do Médio Tapajós. Em 2019, chegou a discursar para mais de 270 mil pessoas no Portão de Brandenburgo, em Berlim, e recebeu, em 2020, o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos, um reconhecimento de sua força e coragem para proteger seu território e defender direitos.

A deputada federal Vivi Reis (PSOL-PA), que também esteve na COP26 e vem acompanhando as ameaças e as situações de violência contra os indígenas, destacou a necessidade de uma ação urgente, tendo em vista a escalada de violência contra os povos originários, sobretudo as lideranças.

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“Os casos de violência contra lideranças indígenas como Alessandra Munduruku vêm se agravando dia-a-dia em toda a Amazônia como resultado de uma política não apenas permissiva, mas deliberadamente favorável à invasão de terras indígenas por madeireiros e garimpeiros ilegais, estimulada pelo governo Bolsonaro. É mais que urgente a intervenção do sistema de segurança para proteção desses defensores dos direitos dos povos originários”, ressaltou a deputada.

O ofício da bancada do PSOL na Câmara foi protocolado na manhã desta terça-Feira à Eliana Peres Torelly de Carvalho, Subprocuradora-Geral da República – Coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão / Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.

No texto, os parlamentares, além de medidas que visem a proteção de Alessandra, pedem que o MPF solicite investigação por parte da Polícia Federal sobre o caso. E enfatizam:

PSOL: governo Bolsonaro é racista

“Como se vê, a política anti-indígena e racista do Governo Jair Bolsonaro é diametralmente oposta aos valores e a missão institucional que a Constituição Federal e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos propugnam, e alimenta a violência contra os povos indígenas”.

Em matéria do jornal alemão Deutsche Welle, a advogada de Alessandra, Luísa Câmara Rocha, assinalou: “Esta invasão, como a anterior, acontece depois de um processo do qual ela participa que tem uma grande repercussão por causa das denúncias que ela faz sobre o que acontece no território indígena”. A advogada ainda denuncia o caráter político do crime: “Me parece uma nítida intimidação, um crime político em referência a repercussão nacional e internacional do discurso que Alessandra fez na COP26 enquanto liderança”.

Na semana anterior, ela esteve em Brasília, acompanhada de outros caciques, para denunciar o aumento das invasões de madeireiros e garimpeiros nas terras indígenas, que ainda aguardam demarcação. Durante a COP26, Alessandra denunciou os crimes contra os povos indígenas à comunidade internacional. Ela ainda criticou o governo estadual do Pará que, em outubro, criou uma lei que instituiu o Dia do Garimpeiro.

Com informações da ascom da deputada Vivi Reis/PSOL


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