Do leitor José Alencar Godinho, pelo contato do blog:
Prezado Jeso,
Utilizo este espaço para expor uma situação que vem preocupando os moradores da vila de Boa Esperança, na rodovia Santarém/Curuá-Una: elevado número de casos de câncer na comunidade.
Nos últimos 5 anos, Boa Esperança, localizada às margens da PA 370, km 43, tem registrado inúmeros casos, inclusive com 8 óbitos e, atualmente, ao que se sabe 4 pessoas estão acometidas da doença.
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O que estaria provocando o aparecimento frequente deste mal entre os moradores desta vila? Trago à tona três fatores que devemos levar em consideração:
1º) O contato livre com o tucupi, resíduo da mandioca, pois aqui nossa grande produção é a farinha de tapioca.
2º) O contato exposto com resíduos químicos utilizados nos plantios de soja e milho em grande escala e o próprio uso desses produtos nas áreas de plantio de mandioca.
3º) Uma alimentação à base de carne bovina, sendo que há apenas 3 anos essa carne tem uma procedência segura, com inspeção dos órgãos de saúde. Antes, as reses eram abatidas na própria localidade, sem nenhuma fiscalização e higiene.
Porém, são apenas hipóteses, haja vista não temos nenhum estudo que nos aponte para tais fatores.

Mas este fato é preocupante e precisamos urgente de um estudo por parte da Secretaria de Saúde para futuros esclarecimentos e, assim, tentarmos encontrar respostas que nos levem ao fator causador desta doença.
São números muito altos para o tamanho da comunidade e, o mais interessante, é que esses casos surgiram recentemente, coincidência ou não, justamente com a introdução da monocultura na região e o uso sem precedentes de agrotóxicos nas lavouras.
Quantos ainda precisarão morrer para que as autoridades façam alguma coisa?
Prezados,
Há muito desconfio que os resíduos de chumbo no tachos de torrefação da farinha é a causa da grande incidência de câncer. Outro fator é o corante que os produtores vêm utlizando para deixar a farinha bem amarelinha.
Pesquisas da USP comprovam minhas supeitas. Confiram a notícia.
17/08/2010
População ribeirinha fica exposta ao chumbo
Redação
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que as populações ribeirinhas do Rio Tapajós, no Estado do Pará, estavam muito expostas ao chumbo. A descoberta foi feita por acaso, já que o objetivo primário do estudo era verificar a exposição ao metilmercúrio, substância orgânica produzida a partir da ação de bactérias em mercúrio usado em garimpos, que contamina os peixes consumidos na região. Durante a análise das amostras de sangue, os pesquisadores descobriram que a presença de chumbo era cerca de 20% maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Após a secagem, a farinha é torrada sobre tachos mecanizados e vai para os silos, onde fica armazenada
Para entender a causa desse problema, foram analisados os produtos consumidos pelos ribeirinhos. Os resultados apontaram para a farinha, alimento básico na dieta da população local, como principal fonte da exposição. A partir daí, a equipe verificou todo o processo de produção desse alimento e descobriu que a quantidade de chumbo aumentava depois de torrar a farinha. Isso acontece porque o processo é realizado em chapas metálicas em praticamente todas as comunidades.
Bom Dia
Jeso tente uma entrevista com alguém da Secretária da saúde, para vermos o que eles dizem em relação a isso , pois é muito preocupante a situação deles.
Atte,
Marcelle
Sra. Vanessa,vivemos num mundo cercado de agrotóxicos,cite por favor um exemplo de que não ingerimos diariamente agrotóxicos.Quem procura, acha.Canceres, no Brasil, estão dentro das previsões do Ministério da Saúde.
Jeso, é comum no mundo todo pessoas que moram em locais próximos a plantios de alimentos, como a soja, onde há o uso de agrotóxicos terem câncer e má formação de bebês(não sei se já houve casos em Boa Esperança). Agrotóxicos trazem uma série de doenças e problemas de saúde em pessoas expostas à pulverização. O câncer, a Púrpura de Henoch-Schönlein (inflamação dos vasos sanguíneos), doenças hepáticas, neurológicas e outras que estão na lista de doenças causadas pela exposição dessa substancia.
Tudo isso e outros fatos fazem parte do chamado “progresso” que a Cargill e o plantio de soja trouxe para a nossa região. Lembro como se fosse ontem quando fui ás ruas protestar junto com movimentos sociais o quanto a soja prejudicaria nossa região, e alertamos para estas doenças que são causadas pelos agrotóxicos. Fico feliz por ter feito parte do grupo que alertou para isso. Espero que as autoridades tomem alguma providência em relação a Boa Esperança. Mas aviso que enquanto houver exposição ao agrotóxico nada vai melhorar. Quem tiver duvida quanto a isso, existem milhares de artigos científicos falando do quanto agrotóxicos é prejudicial á saúde, é só procurar.
A PREOCUPAÇÃO DO ALENCAR É PERTINENTE MOSTRANDO A PREOCUPAÇÃO COM O NUMERO DE CASOS DE CANÇER NESTE DISTRITO.
PORÉM DEVE-SE PONDERAR QUE O CANCER É UMA DOENÇA CRONICO-DEGENERATIVA NÃO TRANSMISSIVEL, E QUE AUMENTA O SEU INDICE QUANDO AVALIAMOS A POPULAÇÃO DE FAIXA-ETÁRIA ACIMA DOS 60 ANOS DE IDADE.
POIS, O SER HUMANO, AO ENVELHECER E ATINGIR IDADE AVANÇADA VAI DESENVOLVER ALGUM TIPO DE CANCER, SE NÃO MORRER ANTES POR ALGUMA OUTRA DOENÇA CRONICO-DEGENERATIVA, OU ACIDENTE.
O CANCER PODE SER DEFINIDO COMO UM ERRO CECULAR NO PROCESSO DA DIVISÃO CELULAR, TODOS NÓS SOFREMOS ESSE PROCESSO TODOS OS DIAS EM NOSSOS CORPOS, E COM A VELHICE ESSE PROCESO PODE GERAR UM ERRO, OU SEJA UM CANCER.
FATORES OUTROS (QUIMICOS, FISICOS E BIOLÓGICOS) PODEM EVIDENTEMENTE LEVAR AO APARECIMENTO DO CANCER.
COMO EXPOSIÇÃO AO SOL SEM A DEVIDA PROTEÇÃO (CANCER DE PELE)
HÁBITO DE FUMAR (CANCER DE PULMÃO, GARGANTA E BOCA)
ALIMENTAÇÃO (CANCER DE ESTOMAGO)
ENTRE OUTROS TANTOS QUE EXISTEM.
ASSIM, DEVEMOS SABER QUAL O TIPO DE CANCER ESTÁ OCORENDO, VERIFICAR A IDADE DOS PACIENTES, E IDENTIFICAR O TEMPO QUE A PESSOA MORA NA REGIÃO.
OBRIGADO.
LUIZ BEZERRA.
Câncer de que? Seria interessante você citar os tipos de câncer para se ter uma idéia melhor para um estudo direcionado.
Entretanto, se os casos forem dentro de uma mesma família ou clã, o estudo não valeria tão a pena, pois tratar-se-ia de uma predisposição genética.
Acredito que sejam Carcinomas de estômago, que é endêmico em nossa região.
Se o autor da matéria poder entrar em contato comigo no joao.alho@hotmail.com e esclarecer seria bem legal. Quem sabe eu e outros alunos de medicina podemos fazer uma pesquisa na comunidade. Seria bem interessante.
De repente a problemática esteja, realmente, na predisposição genética dos moradores da comunidade, já que o nordestino original, devido a seu isolamento geográfico na caatinga, adquiriu o hábito de acasalar entre seus próprios membros.
Ué ? Boa esperança não é área de colonização gaúcha ? O João Alho tem razão, tem que ver o tipo de câncer…se for de pele tem até explicação para isso também…o agrotóxico na maioria das vezes ocasiona cancer relacionado a medula óssea.
È bom esclarer qual o tipo de câncer. Como há uma predominância de gaúchos, a pele clara, exposta aos raios solares, sem proteção, pode ser um fator importante p o surgimento do câncer de pele por exemplo.
Prezado João Alho, fazendo um novo levantamento mais minucioso, os números são alarmantes e preocupantes, pois já somamos 9 óbitos, inclusive um no dia de ontem, dos quais 1 era Câncer de intestino, 1 de cabeça, 1 de útero, 5 de sangue e 1 de fígado. Destes 9 nenhum na mesma família. E 6 pacientes ainda com vida lutam contra esta doença, todos também de famílias distintas. Destes últimos 1 é de cabeça, 1 de garganta, 1 de intestino, 1 de pele, e 2 de mama.
senhor José de Alencar, você é da comunidade? Se possível me manda um email. Eu e alguns colegas estávamos pensando em fazer um trabalho parecido e essa é uma oportunidade de estudar melhor a situação.
Prezado João Alho,
Sou morador de Boa Esperança, professor, e meus contatos são:
Cel: 9198-8040
Email: jaggstm@gmail.com; jfidelvitoralencar@hotmail.com; jfidelvitor_alencar@hotmail.com
É realmente muito triste alguém morrer de câncer.
É bom esclarecer :
1 – quais são os tipos de câncer?
2 – qual a idade das vítimas?
3 – quais os hábitos de vida das vítimas?
4- fumavam?
5 -bebiam?
6- qual tipo de alimentação?
6- se protegem contra o sol?
7- quais os hábitos sexuais? tinham mais de um parceiro (a)?
8 – quais as outras doenças que tinham?
9- quando descobriram a doença: no início ou quando não tinha mais jeito?
10- qual o agrotóxico que usam? é da mesma fórmula?
11 – quantos habitantes tem em Boa Esperança? (ok, as pessoas não são números) mas deve-se saber para ver se há proporcionalidade de casos com a quantidade de habitantes e saber se está dentro do esperado. 9 mortes numa população de 100 pessoas é diferente de 9 mortes em uma população de 2 mil pessoas, por exemplo.
Sinto muito por todas estas famílias.
Precisamos esclarecer o que está acontecendo.