Gotas de sangue no alto da parede são prova central para descartar tese de suicídio de Thainá

Publicado em por em Justiça, Santarém, Segurança Pública

Ilustração da cena do crime feita por IA

Pequenos respingos de sangue localizados no alto de uma parede, perto do guarda-roupa, tornaram-se a prova mais decisiva da Polícia Científica do Pará, apurou o JC, para descartar a hipótese de suicídio de Thainá Yarina dos Santos Cardoso.

O exame de perfil genético (teste de DNA) confirmou que o material pertencia exclusivamente à vítima. A análise biomecânica (estudo científico da força e dos movimentos do corpo humano) concluiu que aquelas gotículas só poderiam ter atingido um ponto tão elevado pela energia do movimento violento de cravar e puxar a lâmina de volta.

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A descoberta desmonta a versão do companheiro da jovem, o advogado Wlandre Gomes Leal.

Em seus depoimentos, Wlandre sustentou que Thainá havia golpeado o próprio peito e caído imediatamente no chão. A física desmente o relato.

Se a vítima tivesse enfiado a faca em si mesma e tombado ao solo, o sangue jamais teria projetado marcas no alto do cômodo. O rastro na parede revela que houve um ataque com força e puxão da arma — um gesto característico de agressão executada por outra pessoa.

Pilar do inquérito

A constatação é o pilar do relatório do inquérito policial, assinado pelo delegado Kleidson de Castro, conforme noticiado pelo JC nesta quinta-feira (1º).

O documento, sob sigilo, indicia o advogado por feminicídio (assassinato de mulher motivado por violência doméstica). Wlandre permanece preso preventivamente na Unidade de Custódia e Reinserção Santa Izabel III, na Região Metropolitana de Belém.

A prova do sangue no alto da parede junta-se a outros achados da necropsia (exame do corpo feito após a morte).

O laudo atestou que o golpe perfurou o coração com intensidade significativa e não deixou lesões de hesitação (pequenos cortes superficiais comuns em tentativas de autolesão).

O processo segue no Juizado de Violência Doméstica de Santarém, aguardando a manifestação do Ministério Público para o oferecimento da denúncia (acusação formal à Justiça).

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