Natural de Belém e com raízes familiares em Santarém, o engenheiro ambiental Leonardo Bemergui, 31, é um dos responsáveis por uma façanha inédita na TV brasileira. Como responsável pela gestão e projetos ambientais da TV Amazon Sat, de Manaus, ele tornou a emissora a 1ª em todo o país a neutralizar todas as suas emissões de gases de efeito estufa, inclusive o dióxido de carbono (CO2).
Para falar sobre esse feito, o blog o convidou para uma entrevista. Que ele aceitou sem pestanejar.
Attualmente, além de trabalhar na Amazon Sat, Leonardo faz pós-graduação em Gerenciamento e Planejamento de Águas, pela Universidade Federal do Amazonas.
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Na foto acima, o carecão (torcedor do São Francisco) é ele, com o Certificado Empresa Neutra de Carbono que a empresa recebeu do IBDN, há poucas semanas.
Só empresa de grande ou médio de reúne condições para investir na preservação do meio ambiente e, com isso, um dia ganhar um certificado do obtido há poucos dias pela Amazon Sat?
Leonardo Bemergui – Não necessariamente. Digo isso, pois o que mais observamos hoje são megaempresas que não fazem nada de efetivo em relação ao meio ambiente. Pelo contrário, como dizemos no meio profissional, “fazem perfumaria”, isto é, investem na aparência, no faz-de-conta. Empresas de qualquer porte podem realizar ações em prol da melhoria ambiental, da qualidade de vida, da segurança, da alta produtividade com baixo consumo, etc. Claro que com mais recursos se pode fazer mais.
Ou seja, dinheiro não é o fator determinante.
No caso da Amazon Sat, o diferencial é o comprometimento da empresa, baseado em sua missão e valores, que vem rendendo bons frutos. É uma empresa genuinamente amazônica, feita pelos amazônidas e para os amazônidas, que procura mostrar da forma mais próxima da realidade, a própria realidade da Amazônia e de seus filhos. Ainda não gozamos de grandes recursos financeiros aqui na empresa, porém, temos essa sede em sermos uma empresa que prima pela qualidade e pioneirismo. Por isso, podemos dizer que somos hoje a primeira TV brasileira a receber a certificação Empresa Neutra de Carbono, por neutralizar as emissões de gases de efeito estufa gerados pelas atividades da empresa.
Qual a principal característica deste projeto ambiental implantado pela Amazon Sat?
A principal característica é justamente o pioneirismo. Por se tratar de uma empresa de comunicação, que tem como foco a informação, e que como muitas outras da nossa área se limitam apenas em mostrar o que é feito por terceiros, nós apenas resolvemos mostrar o pouco que nos propusemos a realizar voluntariamente. Acredito que o pioneirismo é o diferencial, pois não inventamos nem criamos nada, apenas fizemos o que nenhuma empresa do nosso segmento havia feito, e espero com essa atitude tenhamos aberto portas para outras que queiram contribuir também.
Você é paraense de Belém, morou e estudou em Santarém já vivenciou, portanto, a realidade ambiental do estado. Mora agora no Amazonas. Há diferenças públicas e privadas no modo de encarar a essa questão entre os dois estados?
Bem, essa é uma pergunta que me fazia logo que cheguei ao Amazonas. Existem muitas diferenças no que tange a tratativa ambiental dada pelo estado do Pará e pelo estado do Amazonas aos seus respectivos recursos ambientais. Enquanto o Amazonas é hoje uma referência mundial na preservação ambiental, na manutenção das florestas em pé (possui hoje aproximadamente 98% de sua cobertura florestal intacta), nosso querido Pará é também uma referência, porém, no que diz respeito à degradação ambiental, exploração irracional de recursos naturais, crimes ambientais de todas as naturezas, impunidade aos criminosos, despreparo no monitoramento e aplicação das leis ambientais, dentre outros.
Essa tua visão, aliás, é referendada por experiência prática não é?
Posso falar desse assunto com segurança, pois trabalhei na área ambiental quando morava em Santarém, no governo municipal, em organizações não-governamentais e empresa privada, o que deu a oporunidde de conhecer alguma coisa sobre tal. E, infelizmente, a realidade do nosso gigante da Amazônia Oriental é triste, e vejo um caminho ainda mais triste, caso providências não sejam tomadas. Enquanto o Amazonas, mais especificamente Manaus, leva propostas e exemplos de modelos de desenvolvimento mais próximo da sustentabilidade para todo o mundo, com uma economia baseada na produção industrial, sendo o segundo maior polo industrial do país (atrás apenas de São Paulo); sediando eventos mundiais de meio ambiente; Manaus sendo considerada internacionalmente como a capital ecológica do Planeta e tendo ainda, no ano passado, conseguido uma cadeira na ONU, como uma das 40 cidades mais importantes do planeta (no Brasil apenas com RJ e SP também fazem parte), vejo que os interesses dos governantes desses dois vizinhos são bem distintas. Mas, essa grande diferença de deve principalmente ao modelo econômico adotado: no Amazonas o modelo é da produção industrial, que traz empregos para famílias que antes degradavam a floresta, contribuindo assim para sua preservação, enquanto no Pará o modelo é o da exploração agressiva dos recursos naturais, que provavelmente levará nosso Colosso à patamares ambientais similares aos de estados como Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia.
O Pará, então, é um mau exemplo na questão ambiental.
Quem lê minhas colocações pode até pensar que isso é o discursso de um vira-casaca, mas podem ter certeza que não é nada disso (…). O que externo aqui é simplesmente o que vivo, o que vejo, o que sinto, o que percebo e o que me entristece, sempre que lembro da minha Terra Querida! A primeira estrofe do Hino do Pará, diz assim: “Salve, ó terra de ricas florestas,/ Fecundadas ao Sol do equador!/ Teu destino é viver entre festas,/ Do Progresso, da Paz e do Amor!” Será que estas belas palavras ainda refletem o que Arthur Porto e Nicolino Milano (autor da letra e música do hino, respectivamente) queriam transmitir quando compuseram essa obra-prima?

Desejo parabenizar o Leonardo Bemergui e demais colegas que honrosamente buscaram realizar esta conquista deste prêmio.
Sinto-me orgulhosa por ter convido e estudado com colega, amigo e profissional excepcional na área ambiental.
Leo, envie vibrações positivas tb estamos buscando premiações na área de resíduos.
Um forte abraço,
Cláudia Saleme
Parabéns pela firmes palavras e conhecimentos técnicos, que maravilha seria se o governo do Pará tivesses essas mesmas políticas do meio ambiente.
O Leo já trabalhou aqui , mas não teve esse chance de mostrar sua capacidade.
Léo mais uma vez parabéns por essa iniciativa e pelo feito. Continui criando novas ideias e atitudes mostrando que para começar a andar temos que dá o primeiro passo e isso você já fez com com profissionalismo.
E, a Mirika quero dizer que você têm que se orgulhar mesmo de seu filho e pode falar pros quatros cantos da ciade que o Léo é seu filho, só você sabe o que é isso, nós não podemos nos atrever dimencionar seu sentimento de realização. Quanto ao comentário do KADAFI lhe repreendendo, não dei crédito.
Meu querido amigo Reinaldo, obrigada pelas palavras e como vc me conheçe bem e sabe que eu jamais deixaria de dar um comentário e elogiar o Leo, pois nós sabemos que não existe felicidade maior pra um pai ou mãe, ver a realização profissional de seus filhos. E eu cada dia que passa, tenho mais satisfação em ser mãe do Leonardo, pelo filho que ele é, um ser humano grandioso e excelente profissional, pense numa mãe feliz… eu claro!!!
Nem me dei conta desse anônimo, pois pessoa desse tipo não faz parte do meu círculo de amigos com certeza e nunca vão tirar minha felicidade e muito menos a capacidade e inteligência do meu filhão!
Obrigada também ao Jeso, por divulgar sempre neste espaço boas reportagens e entrevistas com pessoas que trabalham dignamente.
Le Monde vê com receio ações da candidata ofical Dilma Roussef na questão ambiental. Vejam matéria:
Artigo publicado no jornal francês Le Monde põe em dúvida a capacidade de Dilma Rousseff (PT) em dar continuidade à redução do desmatamento da Floresta Amazônica, caso seja eleita presidente da República.
Em matéria publicada na última sexta-feira (7), é apresentado o último levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que, segundo o diário francês, “testemunha uma redução sem precedentes do desmatamento” da Amazônia.
De acordo com os últimos dados do INPE, divulgados no final de abril, a área desmatada em toda a Amazônia Legal, entre agosto de 2008 e julho de 2009, foi 42% menor em relação ao mesmo período de 2007-2008.
O jornal ressalta ainda a iniciativa do presidente Lula em realizar o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma no Brasil. O programa, lançado na última quinta-feira (6), é tido como um exemplo da vontade do Brasil em proteger o meio ambiente.
Apesar da iniciativa do governo federal do qual Dilma fez parte, a capacidade da pré-candidata em tocar projetos ambientais é vista com receio.
“O que acontecerá após a saída de Lula cujo mandato se acaba no fim do ano?”, pondera o jornal para em seguida acrescentar: “Dilma Rousseff encarna mais uma figura da ‘velha esquerda’ do que alguém convertido à ecologia”.
Já o pré-candidato José Serra (PSDB), tido pelo Le Monde como favorito nas próximas eleições, é considerado “discreto” em sua atuação em defesa do meio ambiente.
“O favorito à eleição, José Serra, é até o momento bastante discreto sobre o tema. Governador do Estado de São Paulo, ele, no entanto, está engajado com o Greenpeace a impedir a compra de madeira ilegal pelos órgãos públicos e decretou seu Estado amigo da Amazônia”, diz trecho do artigo.
A pré-candidata pelo Partido Verde (PV), Marina Silva, não é citada na matéria.
Segundo o Executivo, o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma no Brasil terá investimento de R$ 38 milhões e ficará sob a coordenação da Casa Civil e dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Desenvolvimento Agrário, de Minas e Energia e do Meio Ambiente.
Com a bandeira da sustentabilidade, o projeto estabelece, entre outros pontos, que a produção fique restrita às áreas desmatadas no passado.
“Boto a mudinha lá, jogo uma uréia e ainda recebo salário. Até eu vou querer plantar palma”, disse Lula no lançamento.
Parabéns pela entrevista, eu sempre acreditei na sua capacidade e inteligência!
ei MIRIKA,
quem gaba o lago se não for o sapo ? deixa os elogios para os estranhos.
Colocações pertinentes que demonstram cabalmente a falta de prepraro das instituições públicas em nosso Estado na questão ambiental, principalmente quando o assunto é desenvolvimento sustentável
É visível a ausência de políticas públicas na questão ambiental em nossa região. A condescendência criminosas dos poderes constituídos torna-se um salvo conduto preventivo aos criminosos que penetram na região para realizar diversos crimes ambientais que vão desde a bio- pirataria realizadas por instituições não-governamentais de nossa fauna e flora até a derrubada desenfreada da floresta nativa realizadas por bandidos revestidos de madereiros.
Elogiei o Leonardo na outra reportagem sobre a premiação e agora lendo essa entrevista, tenho mas orgulho ainda por ele ser meu conterraneo e fazer sucesso no trabalho em terra alheia.
Parabéns, é muito bom ver um legitimo paraense com essa visão!! Vá em frente sempre.