Matar larvas do mosquito da dengue é estratégia ultrapassada? Por Silvan Cardoso

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Matar larvas do mosquito da dengue é estratégia ultrpassada? Por Silvan Cardoso
Mosquito da dengue: explosão de casos neste ano em todo o país. Arte: Reprodução

Quando foi a última vez que um agente de endemias foi à sua casa para combater as larvas do mosquito Aedes aegypti, da dengue? Você, morador, costuma limpar o seu quintal com frequência para evitar as larvas? A situação do aumento dos casos está preocupando as pessoas e os profissionais de saúde. Como resolver isso? Combatendo as larvas do mosquito?

Enquanto muitas pessoas não se preocupam em cuidar dos seus quintais, dos seus terrenos e jogam lixo nos lugares públicos, as autoridades dos municípios agem para encarar o transmissor da doença.

O vídeo O plano insano do Brasil para eliminar a dengue, publicado em abril de 2023, do canal do YouTube Olá, Ciência, do biomédico Lucas Zanandrez, que também é mestre em inovação tecnológica e propriedade intelectual, afirma que a busca por larvas não é um método eficiente para os dias atuais.

Zanandrez afirma que, devido à complexidade da zona urbana pelo Brasil, especialmente nas cidades grandes, a missão de visitar as casas não deveria ser mais utilizada, já que nem todas as residências são visitadas, além da quantidade de agentes não ser suficiente para muitas cidades.

A dengue é transmitida ao ser humano através de dois tipos de mosquitos: o Aedes aegypti, originário da África e o mais comum transmissor, e pelo Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático. Quem pica as pessoas são as fêmeas dos mosquitos, pois ela necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e, assim, dar sequência no seu ciclo de vida.

De acordo com alguns estudiosos, os mosquitos contaminados chegaram ao Brasil provavelmente através dos navios negreiros, que vinham da África. Os primeiros casos registrados da doença foram justamente no século XIX, algo que preocupou os brasileiros.

De acordo com o Olá, Ciência, a dengue foi eliminada no Brasil na década de 1950. Isso só foi possível através de medidas realizadas pelo médico sanitarista Osvaldo Cruz. Porém, como os países vizinhos não fizeram o mesmo, o vírus da dengue foi reintroduzido no Brasil.

Zanandrez disse ainda que o Plano Nacional de Controle da Dengue, embora teoricamente seja bem elaborado, não funciona como deveria na prática. Um dos motivos apontados é que 17% dos brasileiros não têm abastecimento de água e precisam acumular água em galões, além de que regiões mais pobres tendem a acumular lixos, o que também ajuda a acumular água.

Dengue: aumento em mais de 50% dos casos

Há pesquisas com bactérias wolbachia, que são inseridas nos mosquitos Aedes aegypti para inibir a transmissão de dengue, zika e chikungunya, além da produção de mosquitos geneticamente modificados, que serveriam para cruzar com a fêmea e produzirem mosquitos inférteis. Entretanto, por enquanto estão em fase de testes.

O biomédico afirma que para os dias de hoje é necessário instalar armadilhas em pontos estratégicos de uma cidade para capturar os mosquitos, especialmente onde há mais casos. Segundo ele, enquanto há a luta para combater as larvas, os mosquitos estão livres, invadindo as casas e os moradores.

Os casos de dengue está grande por alguns motivos, entre eles a diminuição das visitas dos agentes de endemia por conta da pandemia de Covid-19 e a falta de campanhas de prevenção nos programas de TV, de rádio e mídias sociais, fazendo com que no Brasil os casos de dengue entre janeiro-março de 2022 e janeiro-março de 2023 tenham aumentado 50%.

O que os outros especialistas e estudiosos têm a dizer sobre os estudos e afirmações do biomédico Lucas Zanandrez, do canal Olá, Ciência? A sociedade padece com os sintomas, remédios e cuidados enquanto as mais variadas formas de combate à dengue acontecem, muitas dessas formas ainda sob testes.

Silvan Cardoso

É poeta, cronista e pedagogo nascido em Alenquer, no Pará. Escreve regularmente no JC. Pode ser encontrado no…

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