Benedicto Monteiro, 100 anos: saga política e literária. Por Silvan Cardoso

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Benedicto Monteiro, 100 anos: a saga política e literária. Por Silvan Cardoso
Nascido em Alenquer (PA), o escritor e político Benedicto Monteiro tem o nome marcado na história do Pará. Fotos: Reprodução

O escritor, politico, historiador e jornalista Benedicto Monteiro completou na sexta-feira (1°) 100 anos de nascimento. Está sendo realizada em Belém uma programação comemorativa para o centenário do escritor, que foi também membro da Academia Paraense de Letras (APL).

Benedicto Monteiro era natural de Alenquer (PA). Teria nascido no dia 29 de fevereiro de 1924, um ano bissexto, mas foi registrado no dia 1° de março. Iniciou os estudos na cidade ximanga, na escola Fulgêncio Simões. Mas deu continuidade em Belém, onde fez o curso de humanidades no colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, completando seus estudos de ginásio no Rio de Janeiro, onde cursou Direito na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Benedicto Monteiro exerceu o jornalismo na imprensa carioca, onde publicou a sua primeira obra literária, o livro de poemas Bandeira Branca, no ano de 1945, pela editora Zélio Valverde, sendo ainda prefaciado pelo escritor Dalcídio Jurandir.

O escritor exerceu os cargos de promotor público, juiz e secretário de Estado do Pará. Foi também eleito deputado estadual, tendo sido cassado em 1964 pelo regime militar. Caçado nas matas de Alenquer pela ditadura militar, ficou preso e incomunicável por meses, sendo torturado e marginalizado da sociedade.Teve também seus direitos políticos suspensos por mais de 10 anos.

Assim que saiu da prisão, Benedicto se dedicou-se ao exercício da advocacia agrária e à literatura, tendo publicado o livro Direito Agrário e Processo Fundiário e outros livros literários. O seu principal livro de contos, intitulado Carro dos Milagres foi premiado pela Academia Paraense de Letras. Já seu romance A Terceira Margem recebeu o prêmio nacional de literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal.

Político, Benedito foi perrseguido, preso e torturado pela ditadura militar de 1964

Após a ditadura militar, ainda se elegeu deputado federal pelo Pará, sendo reeleito para a Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Sua vida literária é marcante por escrever a chamada tetralogia amazônica, composta pelos romances Verde Vagomundo, O Minossauro, A Terceira Margem e Aquele Um.

Em Alenquer, compôs diversas canções, como Risonha Surubiú, considerada o hino da cidade, o hino do Esporte Clube Internacional, entre outras composições fundamentais para a história ximanga.

Embora o escritor seja pouco estudado em sua terra natal, o poder público o homenageou, colocando o seu nome na primeira rua de Alenquer, a avenida Benedicto Monteiro.

Hospitalizado, conseguiu concluir e lançar o seu último livro, O Homem Rio. Benedicto Monteiro faleceu no dia 15 de junho de 2008, em Belém. Parte de suas cinzas foi lançada nos rios de Belém e outra parte foi lançada no rio Surubiú, em Alenquer.

Capa do último livro escritor pelo alenquerense antes de morrer em 2008, em Belém

A urna onde foram guardadas suas cinzas e parte do acervo de sua biblioteca se encontram no Museu da Cidade de Alenquer (MCA), no centro da cidade, onde pesquiadores, alunos, professores e público em geral podem desfrutar ndas obras e contemplar a urna.

Neste ano de 2024, o escritor Wildson Queiroz lançou a obra Alenquer na Obra de Benedicto Monteiro. A Academia Alenquerense de Letras está preparando uma programação para celebrar seu centenário ainda neste mês de março.

Silvan Cardoso

É poeta, cronista e pedagogo nascido em Alenquer, no Pará. Escreve regularmente no JC. Pode ser encontrado no …

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