
Aos 65 anos, Lairton Lopes Sena carrega consigo o carimbo de Santarém, a “Pérola do Tapajós”, mas fincou raízes profissionais e pessoais em Florianópolis (SC), a Ilha da Magia, onde reside desde 1982.
Servidor aposentado do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), ele se junta à legião de conterrâneos que partiram em busca de novos ideais, mas mantém uma conexão inabalável com a terra natal.
A tecnologia, hoje, é sua aliada para encurtar a distância e amenizar a saudade de amigos, parentes e dos locais que, ao serem revisitados, “resgatam as boas recordações”, conforme enfatiza.
Trajetória educacional e a colônia em Floripa
— ARTIGOS RELACIONADOS
A formação de Lairton foi consolidada em Santarém, passando pelas escolas Madre Imaculada, São Francisco e pelo tradicional Colégio Dom Amando.
Após o ensino médio, ele seguiu o caminho de seus irmãos rumo a novos horizontes. No entanto, diferente dos que escolheram São Paulo, a influência de amigos o levou a Florianópolis em fevereiro de 1982.
Na capital catarinense, ajudou a formar uma expressiva “colônia” de santarenos, que nos anos seguintes somou mais de 30 “mocorongos” divididos em quatro repúblicas.
Sua jornada no ensino superior incluiu inícios nos cursos de História (UFSC, 1983) e Economia (1995), mas foi o Direito (Unisul) que o levou à conclusão. A escolha não foi aleatória: ela se alinhava ao seu ambiente de trabalho já estabelecido no TJSC.

Carreira de 26 anos no Judiciário
Antes de se mudar para o Sul, Lairton adquiriu experiência em Santarém, trabalhando por cerca de um ano em um escritório de contabilidade. Em Florianópolis, sua carreira se consolidou inicialmente no setor privado: passou cerca de 12 anos em uma empresa do comércio, atuando na contabilidade e tesouraria.
O grande marco de sua trajetória profissional veio após um breve período gerenciando uma clínica: a aprovação em concurso público para o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Ele dedicou 26 anos à instituição, sendo as últimas duas décadas como responsável pela Contadoria Judicial. Em 2021, prestes a completar 61 anos, optou pela aposentadoria.
Lairton Lopes Sena considera a decisão um acerto, especialmente porque a gratificação por tempo de serviço na função já estava incorporada aos seus vencimentos, garantindo a estabilidade financeira.
Satisfeito com sua realização profissional, sua meta atual é usufruir o tempo de vida “sem a preocupação com horário, com cumprimentos de prazos para cálculos judiciais, com a responsabilidade inerente à função.”

Família e planos de futuro
Casado, é pai de um casal de filhos (33 e 28 anos), que atualmente residem em Sydney, Austrália. Embora sinta a dor da saudade, ele foi o principal incentivador para que os filhos alçassem voo em busca de seus sonhos, espelhando-se nos valores de ética, honestidade, probidade e responsabilidade que procurou lhes transmitir.
A possibilidade de retornar a Santarém para morar é, segundo ele, remota, dada a estabilidade e a vida que construiu em Florianópolis.
Com a aposentadoria, a agenda se preenche com o cuidado da saúde física e mental: caminhadas e dedicação à leitura. Recentemente, iniciou aulas de violão — um presente da filha para exercitar a mente e cultivar um hobby prazeroso.
Ele e a esposa dividem o tempo entre a casa na cidade e a casa na praia. Estimulado por amigos, Lairton amadurece a ideia de escrever um livro. Conhecer novas regiões, países e, sobretudo, visitar os filhos estão nos planos após a aposentadoria da esposa, prevista 2026. Santarém, garante, sempre será “elementar nessa empreitada”.

A vida que se leva
Lairton confessa ter se emocionado ao revisitar e compartilhar sua história, destacando a gratidão pela vida e pelas oportunidades aproveitadas.
Ele encerra com a máxima de seu saudoso irmão Lauedilson (Lau) Sena: “O que se leva dessa vida é a vida que se leva”, enfatizando o desejo de levar consigo apenas os momentos felizes e prazerosos, e o orgulho de ver seus filhos alcançarem degraus ainda mais altos.
Para Lairton, o aprendizado da vida é um processo contínuo que supera as dificuldades. Ele defende que é essencial “deletar” as adversidades passadas, reconhecendo que foram fundamentais para o crescimento pessoal e serviram como sementes plantadas no coração dos filhos.
Como “mestre consciente”, ele deseja que seus “alunos” (os filhos) o superem em tudo, alcançando degraus ainda mais altos.

Em sua reflexão final, ele oferece um conselho direto para as novas gerações, especialmente aquelas que buscam novos alvos longe de casa:
“O que gostaria de deixar, com o que aprendi nessa caminhada, é a seguinte lição: você, jovem, que busca novos alvos, procure, desde cedo buscar conhecimento. Não desista de seus sonhos. Absorva de todos que lhes rodeiam, o aprendizado que nenhum roedor poderá causar danos. Entre tais aprendizados posso citar a ética, a honestidade, a caridade, a fraternidade, o amor entre tantos outros. Honre sempre o nome de sua família, pois este é um bem imensurável.”
“Tendo oportunidade, não desperdice. Voe alto. O mais alto que suas asas puderem alcançar. Se for necessário, deixe o aconchego da família para buscar seu lugar ao sol. Mas, atenção: JAMAIS ESQUEÇA SUA ORIGEM. Seja motivo de orgulho a seus pais e a todos aqueles que conviveram ou convivem com você.”
O ex-servidor do TJSC confidencia que sente na alma a dor de ver os filhos voando, ecoando o sentimento que presenciou em seus próprios pais ao vê-lo partir. Contudo, essa dor é superada pelo prazer e pela realização de ser o principal incentivador para que eles continuem seu trajeto em busca da felicidade e do sucesso.

O JC mais perto de você! 📱
Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:
Sua dose diária de informação, onde você estiver.
Deixe um comentário