Na próxima quinta-feira (8), quem passar em frente ao Tordesilhas, na alameda Tietê (zona oeste de São Paulo), vai notar a novidade: é a primeira edição do festival “Tem tacacá na Tietê”.
Na data, será montada uma banca na calçada, das 17h às 20h, para vender a especialidade da região Norte.
— ARTIGOS RELACIONADOS
O tacacá é um caldo que mistura de tucupi (líquido que vem da mandioca), goma de tapioca, camarão seco e jambu, uma erva que provoca dormência à boca.
A cuia pequena custará R$ 12 e, a grande, R$ 16.
No festival, sob o comando da chef Mara Salles, será vendido como manda a tradição no Norte, na rua. O “Tem tacacá na Tietê” deverá ser mensal.
O restaurante de cozinha brasileira foi eleito o melhor restaurante brasileiro pelo júri da edição especial “O Melhor de sãopaulo 2013 – Restaurantes e Bares”.
Leia também:
Festival de Gastronomia de Vila Nova.

Se tiverem contratado um chef amazônida, não creio que ocorrerão problemas. Em São Paulo e outras capitais existem restaurantes de cozinha paraense e/ou amazônica com chefs daqui (por exemplo: o “Amazônia” do chef Paulo Leite, paraense de Belém radicado em São Paulo). E a comida deles é ótima; são pontos de encontro de paraenses exilados.
Com certeza esses restaurantes especializados têm acesso ao tucupi, jambu e outros ingredientes amazônicos, que não existem no Sul e Sudeste (simplesmente porque não nascem por lá; e é ingenuidade nossa chegar a São Paulo ou Rio de Janeiro e querer encontrar tacacazeiras nas esquinas…).
Quanto ao açaí, é a mesma coisa: por lá não nasce e só chega polpa congelada. No Sul e Sudeste, o açaí foi difundido com ajuda de academias de ginástica e malhadores, por ser “natural” e energético, símbolo da geração-saúde; para eles não não é alimento básico nem sobremesa ou coisa parecida, e as pessoas que o consomem não têm ideia de como os paraenses tomam açaí.
Que nós paraenses queiramos degustar açaí de acordo com nossos costumes é nosso direito, e não abrimos mão disso; mas achar que pessoas num lugar distante devam consumi-lo como nós já é forçar demais a barra.
Jeso, um adendo:
Como sabemos, na alta gastronomia, a estética, a apresentação do prato é um item importantíssimo.
Vê-se na foto que a cuia é servida apoiada em um montinho de farinha sobre um prato; é óbvio que essa farinha não é acompanhamento do tacacá, é enfeite, é parte do conjunto.
O tradicional palito de madeira foi trocado por um tipo de garfo alongado, também de madeira – solução inteligente.
Tomei mês passado um tacacá em Brasilia, feito por um Paranaense, e na entrada do estabelecimento tinha escrito ” Tacacá do Pará”, meu amigo….HORRÍVEL.
Espero que essa ai em Sampa não seja igual, por que senão, a conclusão das pessoas que forem tomar a iguaria pela primeira vez, e que o negocio não presta…..
Muito fino e muito caro, é coisa de paulista.
Jeso, os paulistas costumam esculhambar a fabulosa cozinha paraense. Anos atrás eu fui a um restaurante em São Paulo que servia pato no tucupi com agrião em vez de jambu (aarrrgggrhhhh…). Por lá já é comum misturarem o açaí com outros sucos de frutas e o resultado é que fica com gosto de nada. Agora, esse tacacá, além de ralo, servido com farofa me parece… heterodoxo.
Com todo respeito, mas se o tacaca for igual a esse ai, pode-se dizer que é “tacaca para paulista tomar”.
Só espero que a água para lavar as cuias não venha do tiete.
Chico Corrêa
Esse aí está muito ralinho…