
Sou professor há 12 anos em escola pública e conheço as dificuldades que diretores, professores e demais servidores enfrentam para desempenhar suas funções de modo satisfatório.
Nestes tempos de pandemia da covid-19, a escola foi atingida em cheio, as aulas foram paralisadas, e não podia ser diferente, as escolas, em especial as públicas, não tem a mínima condição de funcionar em segurança.

A maioria das escolas não tem pessoal de limpeza em número suficiente, para higienizar o ambiente escolar. Conheço escolas que até gratificam voluntários que se prontificam em ajudar, além disso, falta o básico — detergente, água sanitária, sabão em pó, vassouras, rodos e até papel higiênico, por isso é tão comum a realização de gincanas para arrecadar material de limpeza.
Banheiros e bebedouros são de uso coletivo, não há como higienizar um banheiro a cada 30 minutos, faltam servidores e material. Os copos disponibilizados nos bebedouros são utilizados por todos, com raras exceções, alunos levam sua própria garrafa de água ou copo.
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As salas não têm a mínima estrutura para manter alunos com uma distância segura, as carteiras são amontoadas em espaços inadequados. Uma turma de ensino médio só é autorizada a funcionar se tiver no mínimo 40 alunos matriculados. Conheço turmas com até 50. Como um professor vai passar atividades e corrigir no caderno sem manter contato com os alunos? Impossível!
Quantidade significativa de alunos, professores e servidores se enquadram no grupo de risco, hipertensão e diabetes por exemplo, e sabemos que não há leitos, unidades de enfermaria ou hospitais suficientes para atender uma possível nova onda de contaminação.
Até o momento, o governo, tanto estadual quanto federal, ainda não se comprometeu com nenhuma ação concreta de controle da pandemia na escola (aferição de temperatura, distribuição de máscaras e álcool). É claro que todos nós queremos retornar, mas é preciso garantir um ambiente de trabalho seguro aos servidores e alunos.
Na França, uma semana após reabrir as escolas, 70 foram fechadas por precaução após a confirmação de novos infectados em 7 escolas. No Pará, o governo prevê um retorno gradativo a partir de julho, mas ainda não apresentou propostas viáveis para solucionar ou minimizar os problemas apresentados acima.
— * Wildson Queiroz é pedagogo, historiador e escreve regularmente neste blog.
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O Pará está muito mal em relação a política educacional… muito mal mesmo.