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Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) pretende acabar com o naufrágio de embarcações em rios da Amazônia. Com duração de dois anos, o projeto ainda está em fase inicial e pretende desenvolver alternativas que melhorem a estabilidade na água de barcos que levam mercadorias e passageiros.

Geralmente lotado em com peso acima do permitido, esse tipo de barco é o que mais sofre com acidentes na região. O último deles ocorreu no fim de maio com um barco que levava mais de 200 passageiros pelo Rio Amazonas no Peru e seguia em direção à Colômbia. Havia sete brasileiros a bordo e todos sobreviveram.

Segundo o pesquisador Flávio José Aguiar Soares, responsável pelo projeto, o choque dos cascos dessas embarcações (a maior parte deles construída em madeira) com troncos submersos nos rios e a falta de estabilidade na água são as principais causas de naufrágio na Amazônia.

A pesquisa vai se concentrar em soluções que melhorem a estabilidade dos barcos.

Um protótipo reduzido da embarcação Almirante Monteiro, que naufragou há cerca de dois anos com pelo menos cem pessoas a bordo, será usada no estudo. O objetivo é analisar seu comportamento em situações instáveis dentro da água, em meio a uma forte correnteza ou com excesso de peso, por exemplo.

– Podemos fazer com que o leme afunde mais, por exemplo. Já existem soluções eficientes sendo aplicadas em embarcações comerciais e de grande porte. Mas são sofisticadas e caras – diz Soares.

Segundo ele, a maior parte de casos de naufrágio com óbito envolvem barcos menores que levam mercadoria e passageiros, geralmente mais vulneráveis a ações externas.

– O risco desses barcos perderem a estabilidade na água é maior. Nossa tentativa será desenvolver uma solução eficaz de baixo custo e pouca complexidade, aplicáveis à realidade deste tipo de embarcação – diz ele.

A origem do problema está na cultura de produzir os barcos sem padrões de segurança, de acordo com Soares.

– Em outros lugares do mundo, as pessoas fazem os projetos dos barcos e depois os fabricam. Na Amazônia, funciona ao contrário. As pessoas fazem o barco na beira do rio de maneira artesanal e depois o levam para ser regularizado na Capitania dos Portos – diz.

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Um comentário em: Pesquisa quer acabar com naufrágios na Amazônia

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  • ARRAIS AMADOR disse:

    Tudo isso é muito importante e muito bonito, porém se juntamente com todas as medidas que o estudo técnico e científico sugerir se não houver fiscalizaçao ostensiva por parte das falidas Capitanias dos Portos, veja o Baixo Amazonas uma unica Subdelegacia em Santarém, com recursos mínimos, fiscaliza de Faro até Monte Dourado. Comparem com a fiscalização rodoviária lá no Sul, que possui um posto ao longo das rodovias a cada 100 quilometros,vários radares no meio disso e em certos trechos críticos, até helicóptero para apoio. A marinha do Brasil devia somente supervisionar e o serviço ser feito por uma Policia ´Marítima e Fluvial, com pessoal Civil e especialisado e bem remunerado. É patético as entrevistas dos delegados militares das Subdelegacias na televisão, após as trajédias aqui na Amazônia.