por Sérgio Freire (*)
Ela era tão jovem. Eu podia ver no brilho de seus olhos a sua entrega.
Não sabia o que pensava, mas sabia que tramava algo naquela mente a toda. Quando ela falava, tinha de dividir a minha atenção entre o que ela dizia e os seus lábios. Eu me fazia de desentendido, embora entendesse cada riso tímido seu.
Afirmar a minha falsa ingenuidade era para mim uma forma de não sucumbir à beleza de seu sorriso. Ela, em última instância, teria de falar.
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Não que duvidasse que ela o faria. Quem não está disposta a ir até o deslimite nem se dá o trabalho de mexer no cabelo na frente do homem que quer.
Meu tempo patinado, no entanto, sabia que o movimento não podia ser meu. O movimento em falso. Ambos cairíamos. Porque ambos queríamos. Estava cada vez mais claro.
Não é que eu estava enredado por ela? Eu que pensei que sabia tudo?
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* Amazonense, é escritor, professor doutor e tradutor. Além de blogueiro. Escreve regularmente neste blog.
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