A crise histérica da Globo e a lebre do Judiciário, por Paulo Cidmil , globo
“A Rede Globo manipulou imagens e discursos”

A Rede Globo se envolveu no processo político brasileiro como jamais uma empresa de comunicação poderia se envolver.

Esqueceu o seu papel de informar de forma isenta e atuou alinhada aos interesses do tal mercado, contrariados que estavam com o governo.

Paulo Cidmil

Estimulou e divulgou a agenda de manifestações contra o governo de forma acintosa, inclusive informando dezenas de vezes as catracas livres (do PSDB) do metro de São Paulo, para que a população aderisse às manifestações.

Manipulou as imagens e os discursos difusos dessas manifestações até criar o ambiente propício para o impedimento de Dilma.

Manipulou as informações sobre economia, veiculando quase que semanalmente o humor das agências internacionais de risco, criando um ambiente de beira de precipício. Agências essas que hoje, com a economia em situação pior, sumiram do noticiário.

Manipulou a opinião pública, em parceria com a 13ª Vara de Curitiba, divulgando vazamentos seletivos e criminosos para aniquilar reputações do Partido dos Trabalhadores, em especial a de Lula. Crimes que ninguém apura no Judiciário ou PF.

Com a mesma 13ª Vara de Curitiba, interferiu no processo eleitoral de 2016 quando realizaram duas operações cinematográficas – em São Paulo, contra o PT (Mantega e Palocci). Em plena campanha à reeleição de Fernando Haddad para Prefeitura de São Paulo

Sob as vestes da informação, exerceu um papel antidemocrático. Ao apoiar o movimento que não aceitou o resultado das urnas, estimulou um clima de intolerância crescente. Foi levando a população a extremos que até poucos anos atrás não poderíamos imaginar.

E para que tudo isso?

Todas as apostas da Globo vem fazendo água. O PT ressuscitou, as esquerdas se fortaleceram e estão articuladas, Lula saiu dos livros de história, para onde estava se dirigindo, e se tornou o favorito às eleições, com 40% de intenção de votos. Dilma irá se eleger senadora por Minas Gerais e o candidato Fernando Haddad, substituto de Lula, certamente estará no segundo turno.

Deixassem correr o processo democrático com respeito às urnas, hoje o quadro seria o de um PT exaurido, Dilma seria um Temer e a oposição elegeria o presidente no primeiro turno. Que mal negocio fez a Globo!

Para o mercado nem tanto, porque aprovou quase tudo o que quis com o golpe, manteve as regras favoráveis no sistema financeiro e está com a mão no orçamento do Estado.

A Globo chega ao processo eleitoral de 2018 desnorteada. Ela não consegue fazer a leitura do que deu errado, não aceita o descrédito em que mergulhou. Hoje, metade dos brasileiros não acredita no seu jornalismo e a outra metade acredita desconfiando.

As entrevistas com os candidatos à Presidência evidenciaram essa falta de rumo. A Globo partiu para o ataque e sequer analisou o programa de governo dos candidatos, buscou mostrar uma neutralidade que não tem.

O tom das entrevistas foi quase o de fofoca e provocação. “Em tal ano vc disse isso e agora mudou…. seus companheiros de coligação estão sujos e vc fala contra a corrupção…”

Gastaram um tempo precioso com o tema corrupção, assunto que insistiam em se repetir. Parece que o objetivo da Globo era comprometer todos os candidatos para que empenhassem apoio à Lava Jato, isso obviamente atingiria ao seu adversário: Lula.

A Globo parece não entender que a credibilidade da Lava Jato atolou no brejo. Lula, com o apoio do povo brasileiro, desmontou o script do mercado, das corporações midiáticas e do Judiciário do Sul do país, região onde nunca foi aceito.

O corporativismo do Judiciário e o desejo de afastar a esquerda do poder central ainda não permitiram que as cortes superiores anulassem o processo forjado contra Lula.

Para mim, a de Marina, foi a melhor performance. Os âncoras permaneceram na mesma postura provocativa de todas as entrevistas, só que Marina soube neutralizá-los.

Pena que a aturdida bancada  global falasse mais que o entrevistado e temas como educação, saúde, segurança não tenham sido abordados por ela.

Ciro foi interpelado permanentemente. Alckmin foi constrangedor. Ver o entre sorriso amarelo do golpe dos dois lados da bancada e os mediadores da Globo tentando ser enérgicos falando de corrupção não tem preço.

Bolsonaro foi um caso à parte. Ele não tem projetos, tem frases prontas. E parece ter um dossiê sobre todas as pessoas com quem vai estabelecer um debate.

Não desenvolve explanação sobre a pergunta. Rebate com uma acusação ou provocação, assim foge da pergunta e mantém o ar de fanfarrão. Está se tornando o líder de inverdades e fake news. Com a Globo não foi diferente.

Lançou no ar que a Globo vive de verbas do governo e mostrou reportagem onde um jornal anuncia que a Globo faturou 6 bilhões e 200 milhões no período PTista.

No dia seguinte, a Globo apressou-se em afirmar que a publicidade da União não responde por 4% de seu faturamento. Se você considerar os 14 anos do PT no Planalto, seriam 442 milhões por ano. A arrecadação anual das Organizações Globo esta em torno de alguns bilhões, logo ela esta certa no que diz.

Mas Bolsonaro saiu dando risada. Criou mais uma fake news, absorvida como verdade, para o delírio de seus crédulos eleitores desinformados.

Ele arrancou da Globo uma confissão. Ao admitir nas entrelinhas que seu patrão não é o governo, mas o mercado. É a eles que ela serve, porque respondem por 96% de seu faturamento.

Como porta-voz do mercado e detentora da narrativa da nova ordem pós-Dilma, a Globo não conseguiu forjar um candidato junto à opinião pública.

Temer foi um desastre, Meirelles sequer sabe se comunicar com o povo, Alckmin é o golpe, Amoedo não decola e sua proposta é vamos acabar com o Estado e vender o Brasil, Marina tem colada a pecha de fraca e omissa. Álvaro Dias é um botox falante que ama Sergio Moro, serve apenas de termômetro para vermos onde foi parar o prestígio do juiz.

Vejam o triste fim da Globo em sua aventura golpista: se nos próximos 15 dias Alckmin não reagir nas pesquisas, terá que se abraçar a Bolsonaro e ir para uma eleição de segundo turno onde Haddad será o franco favorito.

Muitos se enganam com Bolsonaro vendo nele um militar nacionalista e um franco atirador moralizante.

Ele já esta sob as ordens do mercado e não nega. Delega super poderes ao seu ministro da Economia, matéria que confessa não entender. Seu ministro da economia é banqueiro, liberal, ligado ao mercado financeiro, o setor mais sanguessuga da economia nacional.

A Lava Jato, que a Globo ainda defende, jogou os seus acertos no lixo por atuar com viés ideológico. Agora tem que responder ao Papa, à ONU, a parlamentares e líderes políticos de todos os continentes e à imprensa internacional, pois todos botaram o Judiciário brasileiro sob suspeição ao empenhar apoio ou voto de confiança a Lula.

Como réu Lula conseguiu o que lhe foi impossível no período que governou o país. Deu celeridade ao Judiciário, que correu como uma lebre para condená-lo. Também motivou mudança no código penal e na jurisprudência vigente ao introduzir a narrativa como conjunto probatório estabelecendo um fato inusitado: condenação por fato indeterminado.

Por fim Lula também motivou a mudança na legislação eleitoral quando o TSE o proibiu de seguir com sua candidatura subjudice, o que a lei permite e foi regra até a eleição de 2016, ano em que mais de uma centena de prefeitos se elegeu nessa condição.

A partir do caso Lula, o MP, a acusação e o juízo, poderão orquestrar a condenação de qualquer político por ter aparecido em foto ao lado de bandidos, por exemplo. Coisa comum em época de campanha, porque políticos entram em todo tipo de ambiente em busca de votos.

Basta a narrativa e o noticiário, a narrativa e uma foto, a narrativa e uma testemunha, não importa se o depoente é réu no mesmo processo.

Se afirmar eu vi o réu e o traficante conversando, pareciam amigos, esta dado o mote para uma condenação por associação ao tráfico. Se o réu for muito incômodo e insistir na inocência, pode vir uma condenação por associação ao trafico internacional.

O Judiciário desandou a fazer leis e uma reforma se faz urgente para que voltem à sua casinha, como disse Ciro Gomes.

Penso que, como em 2013, está na hora das pessoas com pendências judiciais saírem às ruas, exigindo um Judiciário padrão Lula.

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Paulo Cidmil é diretor de produção artística e ativista cultural. Escreve regularmente neste blog.

Leia também de Cidmil:
Lula: o preso está solto nas ruas

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7 Comentários em: A crise histérica da Globo e a lebre do Judiciário, por Paulo Cidmil

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  • Filipe disse:

    Parabéns pelo texto, coerente e, infelizmente, real.

  • Paulo Cidmil disse:

    excelentes comentários de Jorge Costa e Mario On. Inteligência admirável.

  • Mario disse:

    Outra criatura que culpa a globo até pelos seus fracassos pessoais, tá cheio por aí desse tipo, vai ver que na hora do dever de casa tava assistindo o Xuxa Park.

  • jorge costa disse:

    Eu até que tento levar a sério este rapaz mas não é possível!!! o neo-sofista da várzea city com muito esforço tenta ser um “cientista político” do almanaque capivarol…que saudades tenho do TabitaTibério que escrevia suas elocubrações movidas a erva estragada!!! mas cada vez mais minha crença se fortalece que petista é um crente pentencostal ideológico!!! a racionalidade não é o seu forte e se alimenta de fantasias tal como qualquer portador de delirum tremens !!!!!

  • Jota Ninos disse:

    Cidmil verdades…

  • Raimundo Rego disse:

    Puro fanatismo, tapando o sol com paneiro assim diz a minha vovó. No entanto há algumas verdades a respeito da tal emissora, não no contexto do jugamento do santo lula!?, mas sim dos ataques e falta de respeito com a família. O povo esta de mente e olhos abertos.

  • Adilson Araújo disse:

    Rsrs…
    A esquerda corrupta, apesar de tanta gente boa, mofando no cárcere clamando pela chave do cofre para restabelecer seus desmandos. Acabou “cumpanhero”. A luta com justiça continua…