. O Império do Petróleo

Tiberio Alloggio (*)

Se fossemos eliminar de repente o petróleo o carvão e o gás da nossa vida, a moderna sociedade industrial, de uma hora pra outra, acabaria de existir.

É através dos combustíveis fósseis que a sociedade humana funciona. Com eles, aquecemos e resfriamos casas e escritórios. Fazemos funcionar as fábricas e os transportes, iluminamos as cidades e comunicamos entre nós.

Com os materiais derivados do petróleo, construímos estradas e prédios, produzimos remédios, roupas e objetos domésticos. Quase tudo da nossa existência moderna é alimentado e/ou condicionado pelos combustíveis fosseis.

Leia também:
A sociedade do carbono I.
A sociedade do carbono II.

Petróleo, Carvão e Gás é que fazem girar o mundo moderno. Especialmente o petróleo, talvez a substância mais versátil existente na natureza.

Um barril de petróleo pode produzir combustível suficiente para funcionar um carro normal por 300 km e um caminhão durante 60 km. Gás líquido para 70 Kw de energia. 4 litros de asfalto. Um litro de óleo lubrificante. 200 vela de aniversário e 30 pastéis para desenhar.

A era dos combustíveis fósseis é caracterizada por um modelo de organização econômico e social extremamente centralizado e hierarquizado. Um sistema verticista que se tornou necessário para vencer as dificuldades de explorar as diferentes formas de energia.

Os enormes custos associados à extração e transformação do carvão, do petróleo e do gás requerem enormes investimentos de capital que remetem à formação de colossais empresas energéticas.

Quando se considera globalmente a indústria do petróleo, a primeira coisa que vem na cabeça é o termo OLIGOPÓLIO, historicamente representado pelo chamado Big Oil, um segmento econômico que movimenta um volume de negócios entorno de 5000 bilhões de dólares.

É um setor constituído por inúmeros poços e plataformas petrolíferas, milhares de km de oleodutos, gigantescas refinarias, milhares de sociedades que realizam produtos petroquímicos.

Três das sete maiores empresas do mundo são empresas energéticas. E a Exxon, com um faturamento de 220 bilhões de dólares, é a segunda em absoluto.
E no início dessa última década assistimos ao surgimento de mais um fenômeno de concentração, que os analistas chamaram de Super-Maior. Ou seja, um processo de fusão desses grandes grupos entre eles.

BP com AMOCO e ARCO. EXXON com MOBIL. TOTAL com ELF. CHEVRON com TEXACO, transformando o antigo Big Oil em Colossal Oil, que pelo tamanho alcançado, consegue competir com as companhias petrolíferas estatais dos Países produtores do Oriente Médio e da América Latina.

Desde seu começo, a era dos combustíveis fósseis se caracterizou pela viabilização das economias de grande escala em detrimento da pequena economia sustentável.

Hoje, através do controle global sobre a energia e das atividades econômicas que dependem dela, o poder econômico ficou restrito nas mãos de quinhentos grandes multinacionais, integradas verticalmente entre elas numa relação de interindependência.

Esse processo de concentração do poder econômico e comercial nas mãos de algumas super-empresas continua avançando inexoravelmente. A cada ano, um número cada vez menor de operadores controla uma cota, cada vez maior, da economia internacional.

Enfim, um fenômeno de concentração que pode ser considerado como um novo tipo de império. Um império fundado sobre o petróleo e gerenciado por um punhado de multinacionais que não hesitam, todas as vezes que acharem necessário, operar contra a soberania dos estados nacionais e seus governos.

É esse mega sistema que garante o fluxo da energia desde sua busca nas profundezas de poços e plataformas, até as bombas de gasolina que se encontram na esquina de nossas casas.

Um mega sistema vigiado e garantido pelas tropas dos EUA e da OTAN estacionadas em milhares de bases militares do planeta e em países nevrálgicos como o Iraque e Afeganistão.

(continua….)

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* É sociólogo, reside em Santarém e escreve regularmente neste blog.

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Um comentário em: A sociedade do carbono – III

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  • Gil Serique disse:

    ae a grana é alta mesmo pelo produto. Al Tami no Qatar tem 40 ararinhas-azul-de-spix no quintal da casa dele, 1milhao de dolares cada, pra começar.