por Joaquim Onésimo F. Barbosa (*)
Minha avó dizia, e muitos continuam a dizer o mesmo por aí, que quanto maior o anel, maior a burrice do bacharel.
O adágio pode ser um pouco agressivo, se levarmos em conta o tempo que um cidadão leva para se formar: rala durante três, quatro, cinco, seis, sete anos …dependendo da instituição onde estuda, se privada ou pública, o tempo lhe será um desafio.
Num curso que deveria durar oito semestres, passam-se dez, doze… Não que a extensão do curso dê ao estudante mais credibilidade, melhor conhecimento, menos ignorância ou mais percepção das coisas. Não. O tempo é apenas um espaço entre a entrada e a saída de um curso de nível superior.
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Num país onde a maioria fica no meio do caminho e não consegue chegar ao nível superior, quem consegue é visto como o cérebro. Os outros, por motivos diversos, param no ensino fundamental ou no falido ensino médio, estão fadados a mendigar o que sobra dos graduados, dos mestres e dos doutores que ostentam seus títulos, ainda que seja um título apenas, que se mostra tão inútil diante de atitudes que destoam, certamente, da formação de quem as comete. E aí o adágio que citei acima acaba fazendo todo sentido.
Semana passada, duas situações chamaram a atenção, principalmente porque vêm de pessoas consideradas formadoras de opinião. Talvez por isso suas atitudes tenham sido condenadas por muitos. Refiro-me ao comentário da jornalista Rachel Sheherazade [foto], âncora do telejornal do SBT, sobre a crueldade cometida contra um menor infrator no Rio de Janeiro e de uma professora do curso de Letras, da PUC-RJ, que postou a foto de um cidadão, com camisa regata e bermuda no aeroporto da capital carioca.
Sheherazade, ao comentar a atitude de criminosos que agrediram um garoto que roubava no centro do Rio, acorrentando-o, nu, num poste e torturando-o, a ponto de ter partes de suas orelhas arrancadas, disse ser compreensível a atitude dos criminosos e pediu, aos defensores dos direitos humanos, que fizessem o favor de levar para suas casas um bandido.
A fala de Rachel seria mais uma das tantas que se ouvem por aí se não viesse de uma jornalista que trabalha em um canal de televisão, que é uma concessão pública.
Seria compreensível da parte de qualquer cidadão, refém da violência, seja ela praticada por um adulto ou por um menor, como o garoto mutilado no Rio. Seria também – e para muitos foi – a voz da sociedade, engasgada pelo sentimento de medo, de impotência, de abandono, de um governo que descuida da segurança e se mostra impotente diante dos criminosos.
A fala de Rachel Sheherazade seria aplaudida, se não viesse com cunho de incitação e apoio à violência, principalmente declarada em horário nobre num canal de televisão, que recebe incentivos do governo.
No caso da professora do curso de Letras da PUC-Rio, Rosa Marina Meyer, a situação parece ser menos aceitável do que o comentário da jornalista do SBT.
Em espera, em um aeroporto do Rio, a professora posta, em sua página de facebook, a foto de um cidadão com camiseta e bermuda e tece o seguinte comentário: “Aeroporto ou rodoviária?”, e continua, ao comentar com seus amigos “… mas pra glamour falta muuuuitooo. Isso está mais para estiva”. E diz que o homem de regata e bermuda está no seu voo, pelo menos não sentaria do seu lado.
Para a professora Rosa Meyer, andar de avião é glamour. Talvez ela ainda seja como aqueles para quem avião é meio de transporte para endinheirados, vestidos a caráter, como se fossem a um baile finíssimo. Viajar de bermuda e regata em avião é uma aberração, nas entrelinhas do comentário da doutora Rosa Marina Meyer.
Talvez, para a professora carioca, a indumentária vale mais do que o caráter. Para ela, a roupa, o traje, a pose, o glamour, têm aspecto externo. Foi isso que ela deixou perceber ao comentar o traje do cidadão que se encontrava no aeroporto Santos Dumont.
Bermuda e regata é roupa de que trabalha na estiva e, também, é propício para quem viaja nos ônibus, que saem abarrotados das rodoviárias. É para esse tipo de transporte que serve a indumentária com que se trajava o cidadão vítima de constrangimento em rede social, promovido por uma educadora, formadora de opinião, mas que jogou no sumidouro o título e o cargo que muitos honram.
Certamente, muitos podem concordar com a atitude de Rachel Sheherazade e também da professora da PUC-RJ. E todos têm o direito de concordar ou discordar do que quer que seja, afinal, vivemos num País cuja liberdade de expressão é constitucional.
O comentário da jornalista do SBT, contextualizado, sinaliza o pensamento popular, uma vez que os jornalistas se dizem a opinião pública e, por isso, podem falar o que acham que lhes é direito. E podem, dentro dos limites, certamente, porém sem violar direitos, sem incitar a violência, mesmo sendo a voz do patrão, que recebe o canal de televisão como concessão pública.
A atitude da professora carioca soa aquém do que comporta a vida de uma educadora. Embora fosse um comentário inocente, como ela, em pedido de desculpa afirmou, constrangeu quem foi vítima de exposição em rede social.
Se viajar de avião exige glamour, como atestou a professora Meyer no seu comentário em rede social, certamente, respeitar o outro, independente da sua condição socioeconômica, soa muito mais do que o glamour de um vestuário ou do privilégio de utilizar determinado meio de transporte. Pena que no ponto de vista de uma educadora de nível superior, de onde menos se espera comentário do tipo, há essa tipificação lerda e imprópria, preconceituosa.
Andar de bermuda e regata em avião é para estivador. Para a doutora Rosa Marina Meyer sim, para muitos, não. E eu me incluo entre esses que discordam do pensamento medieval da professora.
Num País em que, quem pode busca cada vez mais poder e quem não pode é execrado pelos meios e pelos fins, andar de ônibus parece ser o fim de quem não tem poder nem glamour. Melhor mesmo é que continuem usando meios coletivos, apropriados para quem trabalha de sol a sol, suando a trabalho, pois avião, lugar “fino”, é para os doutores que frequentaram os bancos das universidades e aprenderam o suficiente para saber o lugar de quem é digno de um assento confortável e de quem merece mofar nas estradas empoeiradas, com poltronas sem o glamour das aeronaves.
Sheherazade e Meyer, com seu pensamento selvagem e antiético, atestam que involuímos.Junta-se aos desse pensamento o jornalista Luiz Carlos Prates, também do SBT, para quem pobre que comprou carro, é miserável e deveria lotar ônibus e deixar as rodovias e ruas das grandes cidades livres para os civilizados e endinheirados.
Isso, para quem percebe a vida na sua simplicidade, assusta. Mas é assim que caminha a humanidade.
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* * Santareno, é professor e mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Escreve regularmente neste blog.
Meu caro Joaquim, na minha percepção a educadora “Doutora” Rosa, deve ter nascido em berço esplêndido, adormecida para a vida real do dia a dia e acordada em uma nuvem do nada. O glamour é o que deve nortear seus caminhos, como diz o mestre Joaquim Onésimo. Ela demonstra repulsa a um certo tipo de vestuário sem enxergar quem a veste. Espero não tê-la, um dia qualquer, como minha orientadora. Quanto ao comentário da apresentadora da tv entendo como um desabafo de muitos que gostariam de falar. Se a violência que vem da rua não tiver freio pelos meios legais através do Estado, oxalá, a população reunida não venha a fazer esse papel. Nilton Canto.
No Fantástico de domingo passou uma reportagem sobre este fato, em que uma socióloga comenta que a atitude de “justiceiros” que agridem ladrões é caminhar para a barbaridade, mais será que o país já não vive a barbaridade instalada por políticos corruptos, leis que beneficiam bandidos, menores que barbarizam em seus assaltos. então o que mais querem os defensores dos “direitos humanos”? Que pessoas que trabalham, pagam a mais alta carga tributária de impostos do mundo e não tem proteção do Estado fiquem acoados por bandidos que são favorecidos por leis pífias?
A barbaridade já está instalada no país, e como dizia minha avó “a guerra é um produto da paz” e enquanto não declararmos guerra contra essa corja de bandidos que assolam nosso Brasil não teremos paz.
Assino e defendo o que a Raquel disse, e defensores dos “direitos humanos” adotem um bandido pra ver se eles param de roubar.
O mais comum é gente que nunca teria tirado diploma de nível superior, e ainda enchido o papo com mais outros diploma, mestrado e doutorado, por pura obra e graça da desgraça reinante, quer até fazer média com cara de outros tais quais as suas
Assino em baixo o que a Sheherazade falou. Ela só disse o que a população de bem acha. Independente da idade, ele é um bandido. Eles (bandidos) podem fazer isso com as suas vitimas e por que nós não podemos nos defender? A Raquel sempre causa com suas opiniões, mas isso claro, por que ela fala o que o povo pensa… O PSOL e os Direitos Humanos vão entrar com uma representação contra ela e o SBT. Nessas horas eles aparecem, mas quando são pessoas de bem as vitimas, por que eles não se manifestam? Por isso gosto do jornalismo com opinião, e só o SBT faz isso, as outras emissoras possuem um jornalismo chato e engessado.
Caro Joaquim Onésimo, essas duas mulheres não nos representam!
Caro mestre Joaquim Onésimo F. Barbosa, enquanto o valor da nossa educação estiver no tamanho do anel do bacharel, a humanidade caminhara em sentido contrário.Alguns acreditam, que o nosso problema não é educacional, talvez seja, pela quantidade de anel que temos…rsrrrs.Assim, caminha a humanidade…..