por Álvaro Cunha (*)
Amigos, moro em São Paulo, capital; estudei na USP e na Unicamp; criei uma teoria já aplicada por alguns cientistas ao redor do mundo; fui aluno de eméritos mestres, dentre os quais alguns ministros e outro ex-presidente da República.
Ao longo dos meus 37 anos, jamais ouvi alguém dizer que a vida fosse fácil, seja rico seja pobre. Assim, eu também, quando deixei Santarém, sofri e inda sofro. Troquei minha parentela; o Santarenzinho; o sonho de ser professor na Ufopa; as pescarias no Mapiri; meus colegas de bola pelo duro golpe que o destino me aplicou.
Saí de Santarém apenas com a passagem que o Apolinário [artista] e o finado Milson Pereira me deram. Fui para Roraima, porém não havia nenhuma oportunidade por lá; desci para Manaus e a mesma coisa; parti para Rondônia, Guajará-Mirim e, lá, conheci a família Colares (dona Lilian, Lucas e Anselmo).
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Sempre tiveram carinho por mim. Lembro-me de dona Lilian ‘arrumando’ algo para matar minha fome, enquanto o Luquinhas cortava a conversa que eu levava com o Anselmo [caía na gargalhada e saía correndo com o aviãozinho dele]. Cantávamos “Um poema de amor” para ver se a saudade amainava. O tempo passou e perdemos contato.
Cheguei a São Paulo com apoucados sonhos e uma muda de roupa. Para sobreviver, reparei carros na Praça da Sé. Hahaha… até parece que a vida na selva de pedras é como a vida na selva amazônica! Aqui é o lugar onde o filho chora e a mãe não ouve.
Às vezes, em plena Avenida Paulista, eu sentava atordoado pelo barulho do trânsito infernal e me vinham grossas lágrimas acompanhada duma letra que diz, “Minha terra tão querida, meu encanto, minha vida…”.
Recordava-me dum amigo de magistério, chamado Jeso Carneiro. É que quando eu estava com fome, pedia para que me pagasse um croquete com um rala-rala de tarubá. Ele dizia: “Égua, moleque, mata quem tá te matando!” Eu lhe respondia: “Olha já”. Andávamos, do cursinho onde vendíamos aulas, até a altura da rua… não lembro mais, faz tempo.
O Padre Juvenal passava de Kombi buzinando, o Bena Santana nos dava sinal com a mão, em frente à Igreja Matriz, atualizando o programa esportivo da Rádio Rural coisa e tal. […]. Contudo, amigos, há alguns santarenos que são a vergonha de todos os mocorongos. E, assim, apareceu um concurso na Ufopa.
Pensei que fosse a oportunidade de eu sair de SP e contribuir com meu povo, partilhar do que aprendi na vitrine do País e dividir um pouco de meu capital intelectual com minha gente, mas na vida sempre tem um MAS… cheguei à cidade e já dei de cara com os novos “donos” do pedaço.
Sabem duma coisa, irmãos? Santarém é dos santarenos e não dessa galera que não tem nada a ver conosco. Essa gentalha suja nosso nome, nossa história. Então, reprovaram-me gratuitamente num concurso que passei [eles muito bem sabem disso]. À época, os alunos de Letras ficaram sem professor de língua portuguesa e essa força estranha que comanda ações, palavras e pensamentos dos professores no ICED tem ingerência na Ufopa até hoje.
Quem perde é nossa comunidade, sou eu, somos nós, pois essa turma não tem limite e não cansa de tripudiar da nossa bondade e paciência.
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* Santareno, é pós-doutor em etno-antropo-linguística. Reside atualmente em São Paulo.
Infelizmente, nós temos avaliadores que se comportam como se estivessem em um supermercado escolhendo suas mercadorias!…
Mas, é isso companheiro!… A vitória está a nossa frente e é o que nos espera…
Fico feliz de vc ter citado as pessoas de bem e escondido o nome dos POLITICAMENTE NOJENTOS!…
Que depoimento!!!Especialmente, para todos que são forçados a deixarem sua terra em busca de oportunidades.
Creio que é tempo de deixar o bairrismo caro Dr. Sua história é interessante e pelo visto suas competências mais ainda. Mas a corja não inclui só forasteiros, tem muitos da gema envolvidos. Acho muito complicado exigir passaporte de Santareno para poder trabalhar e viver por aqui. Pense em sua própria trajetória, se os Manauaras, Rondonienses, Paulistanos e Campineiros tivessem dito a você que tais locais e as oportunidades que eles oferecem são exclusivos para os nascidos você não teria os títulos que tem. A USP e a UNICAMP só são o que são por conta da diversidade de ideias e conhecimentos de várias nacionalidades e localidades que circulam pelos corredores… O Brasil é dos brasileiros, mas boas ideias são bem vindas de qualquer paragem…
Belo depoimento! Infelizmente, existe isso na UFOPA sim. Eu já passei por isso. Cheguei de coração aberto com o intuito de contribuir e alguns (repito, alguns, antes que me acusem de generalizar) fizeram de tudo para me prejudicar, no intuito de zelar por seus nichos de mediocridade. Lamentável, mas é fato! O amigo Zé da Lamparina, intelectual de alto gabarito, também foi vítima deste esquema torpe. Não foi somente você, Álvaro.
Agradeço se deixar link de suas publicações e outras no tema.
Alvaro Cunha,
Como testemunho de vida muito bom, como desabafo ótimo, suas criticas aos gestores /
selecionadores da UFOPa, foi dez.
Agora pela estrada que já percorreste, e mais sua trajetória de vida, descrita, entendo que é
mais uma pedra de tropeço dessa sua longa caminhada.
Não vai balangar agora, levanta e anda….. meu caro.
Tentou uma vez….. tente duas.. . três..tente mil vezes intrépido Amigo, até conquistar seu
Galardão.
Retroceder nunca……..
“Santarém é dos santarenos e não dessa galera que não tem nada a ver conosco. Essa gentalha suja nosso nome, nossa história.”
O articulista está defendendo a “expulsão” de quem não nasceu em Santarém? Palavras estranhas, principalmente quando vindas de alguém tão qualificado. Ou se refere à Ufopa apenas e ao grupo de Seixas, Aldo, Ximenes etc.?
Mas teu caso não é o único, Álvaro Cunha. Nos corredores da Ufopa comenta-se sobre vários casos de candidatos bem capacitados e com bom currículo (da região ou vindos de outros estados) que foram “reprovados” para dar lugar a outros menos qualificados, mas apadrinhados por tuxauas de Belém e daqui mesmo. Os alunos desses atuais “docentes” podem dizer algo sobre o desempenho deles como professores/pesquisadores universitários.
Acrescente-se a vergonhosa anulação de um concurso porque a esposa de um pró-reitor foi desclassificada na prova didática (segundo dizem, a aula dela foi péssima, achou que já tinha passado, mas a banca não se deixou influenciar). Não conseguiram o que queriam e caíram fora, mas os aprovados não foram chamados.
Infelizmente os concursos para professores universitários são muitas vezes direcionados. É um mal do Brasil.
Também provei dessa decepção. Sou da região, passei no concurso em segundo lugar, a vaga existia, o curso de economia precisava de professor, mas não me chamaram, por questões políticas. Esse pessoal vai tarde……
Alvaro,
Do caralho esse teu depoimento, fico muito feliz em saber que nós tivemos coragem de enfrentar todas as dificuldades encontradas nesses lugares, mas sobrevivemos e hoje estamos seguros para contribuir com o nosso povo, você já deu sinais de retornar a Santarém para dividir o seu aprendizado com os outro,s mas infelizmente isso não foi possível, devido a essa força estranha que comanda a UFOPA.
Parabéns pela sua luta, me coloco a sua disposição, pois minha historia é um pouco de tudo aquilo que você relata, hoje o meu domicilio é em Campinas- sp, tenho muito carinho por esse povo que me acolheu muito bem, sou Coordenado do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipais de Campinas.
Nunca desista dos seus ideais, um forte abraço.
Parabéns a você, Dr. Álvaro Cunha, pelos sucessos alcançados e pelos que viram. “Só vence quem luta com afinco e destemor dos caminhos sinuosos do percurso”. Êxitos, você ainda é muito jovem e …, Deus sempre te ilumine e segure em tuas mãos. Assim seja, e louvado em nome do SENHOR !
Quando você diz “Essa gentalha suja nosso nome, nossa história”, creio que está se referindo a toda essa coja de políticos malfeitores, que sujam a imagem de nossa cidade, principalmente os Maias e os Von’s. #FORACORRUPTOS.
Dr. Álvaro Cunha.
Eu senti no coração reprovação semelhante que a esposa passou em Belém. Porém veio oportunidade em outra instituição, em um novo curso e deu certo. Passou no concurso e agradece sempre a Deus.
Pessoas como você com garra de luta série possuem o Céu como Limite.
Um abraço fraterno.