por Orivaldo Fonseca (*)
Eu não sou protestante, mas já fui muito errado nesta vida. Já torci pelo Paysandu, já fiz campanha para Jader Barbalho, já fui católico. Mas, pelo menos, nunca precisei descer tão fundo ao Inferno. Nem para resgatar Eurídice, nem para acompanhar Dante, muito menos para votar no PFL. Isto porque o PFL nunca me decepcionou, nunca me surpreendeu e, portanto, nunca me plantou falsas esperanças. O PFL é fidelíssimo ao seu estilo de fazer política.
Hoje, o PFL tenta mascarar-se sob o pomposo nome de Democratas. Mas o Diabo também pode ser Capeta, Demônio e até, se quiser, chamar-se Nelson Mandela. Conspurca um nome honroso, mas jamais vai deixar de ser o Tinhoso conhecido de sempre. Da mesma forma, o PFL pode ser Arena, PDS e até Democratas. Suja o sagrado nome da Democracia, mas jamais vai deixar de ser o Pefelê conhecido de sempre. Uma vez PFL, sempre PFL.
Digo isso porque o PFL está todo ele, completo, repleto, prenhe do que há de mais abjeto na política brasileira. Não que a bandidagem política esteja resumida ao PFL, não está. Se um PT possui um Delúbio Soares, um José Dirceu, uma Ana Júlia Carepa, também possui um Eduardo Suplicy.
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Se um PMDB abriga um José Sarney, um Jader Barbalho, um Romero Jucá (peguei pesado agora), também abriga um Pedro Simon. Mas no caso do PFL não há um nome que destoe dos demais. É tudo farinha do mesmo saco. Pode até ser que um nobre deputado Fulano de Tal não tenha tido seu nome ligado a alguma falcatrua, mas terá uma hora ou outra (não fosse assim, não estaria no PFL) a pele de cordeiro sempre escorrega do dorso do lobo e lhe revela a verdadeira índole.
Quando revolvemos o baú de iniquidades da política brasileira, sempre encontramos as digitais de alguém que foi, é ou será do PFL. Se o Distrito Federal se atola com as imagens irrefutáveis da dinheirama entocada em meias e cuecas, que partido aparece como protagonista do cambalacho? Se o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., é surpreendido em ligações para lá de comprometedoras com um líder da máfia chinesa, que partido da “oposição” se cala cúmplice porque o pai do secretário já fora um de seus membros? Mas isso é só um pouco que vem à tona. É só a ponta do rabo da pele de cordeiro que escorrega. Por baixo há um iceberg imenso e um lobo faminto.
Um desses lobos uiva aqui na Paraíba. Trata-se do senador Efraim Morais, que é acusado de ter recebido R$ 300 mil mensais de uma prestadora de serviços quando, entre 2005 e 2008, ocupou o cargo de primeiro-secretário do Senado.
Efraim gaba-se de ter sido inocentado pela Corregedoria da Casa, mas, convenhamos, se um parlamento consegue livrar a pele carcomida de Sarney, mesmo diante de todas as evidências de gatunagem, livrar um Efraim é fichinha.
Agora, Efraim se vê envolvido em uma mutreta muito própria do estilo pefelê: a contratação de funcionários fantasmas. O escândalo veio á tona quando as irmãs Kelriany e Kelly Nascimento da Silva descobriram que tinham seus nomes sendo usados para desvio daquilo que seriam seus salários como assessoras do senador.
Ocorre que as moças recebiam apenas R$ 100 a título do que julgavam ser uma bolsa de estudos junto à Universidade de Brasília (Unb). Para isso, assinaram procurações que iriam para a universidade. Entretanto, quando uma das estudantes precisou abrir conta em um banco, descobriu que ela e a irmã já tinham contas correntes, e estavam empregadas no gabinete do senador Efraim Moraes.
O salário de cada uma das irmãs era de R$ 3,8 mil. O senador bobinho jogou a batata quente para Mônica da Conceição Bicalho, que trabalha em seu gabinete e que não foi eleita para nada. Mas na propaganda de seu partido, Efraim aparece como um exemplo de retidão, trabalho e honestidade. Vê-se!
Eu não sei o que os eleitores da Paraíba farão com seu voto. Provavelmente farão a mesma burrada de sempre. A miséria crônica que devora principalmente o interior deste estado é o principal alimento para políticos como Efraim Morais. Quanto a mim, recorro ao poeta português José Régio para dizer: “Não sei por onde vou, não sei para onde vou. Sei que não vou por aí”!
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* É poeta, paraense de Belém, controlador de voo e parceiro musical de Zé Maria Pinto. Mora hoje em João Pessoa (PB).
“O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.” (Cícero).Ah! Se assim fosse, muito bem poeta (ambos rsrsrsrs).